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Saúde e segurança expõem tensão política na CLDF

Publicado em:

Repórter: Marta Borges

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Oposição pressiona GDF por saúde dos servidores, feminicídio e atos de 8 de janeiro

A sessão ordinária da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) realizada na quarta-feira, 11 de março, foi marcada por discursos que concentraram pressão política sobre duas áreas sensíveis para a população: saúde pública e segurança. Em plenário, deputados de campos opostos elevaram o tom ao tratar de supostos débitos do GDF com o plano de saúde dos servidores, da situação de armazenamento de medicamentos no Hospital de Ceilândia, do avanço da violência contra as mulheres e da prisão de coronéis da PMDF condenados pelo STF por omissão nos atos de 8 de janeiro.

Pelo relato oficial da própria CLDF, a tribuna virou vitrine de uma disputa já conhecida no Distrito Federal: de um lado, cobranças sobre estrutura, financiamento e resposta estatal; de outro, embates ideológicos e jurídicos sobre segurança pública e responsabilização institucional. O roteiro não surpreende, mas revela onde a temperatura política do DF está subindo agora.

Cobranças sobre o Inas e a estrutura da saúde

Líder da Minoria, o deputado Gabriel Magno (PT) afirmou em plenário que o GDF estaria devendo R$ 81 milhões ao Inas, plano de saúde dos servidores públicos do Distrito Federal. Segundo o parlamentar, a suposta inadimplência estaria afetando a rede credenciada e dificultando o acesso de beneficiários a consultas e exames. No discurso, ele também criticou a possibilidade de aumento de mensalidade para os servidores. A manifestação foi registrada no portal oficial da Casa como fala do deputado, não como posição confirmada pelo governo no mesmo material.

Na mesma sessão, o deputado Max Maciel (Psol) direcionou a crítica à estrutura da farmácia do Hospital de Ceilândia. Ele relatou condições inadequadas de armazenamento de medicamentos e insumos, com menção a espaço reduzido, ausência de refrigeração e problemas físicos no local. Também afirmou ter visto servidores transportando remédios em carros próprios, o que, se confirmado pelos órgãos de controle, amplia a gravidade do quadro narrado em plenário.

Esse conjunto de falas tem peso político porque toca num ponto que castiga qualquer governo: quando a discussão sai da planilha e entra na rotina de consulta, exame, remédio e atendimento, o desgaste deixa de ser abstrato. E, nesse terreno, a oposição sabe exatamente onde apertar.

Feminicídio volta ao centro do debate

Na área da segurança, a sessão também foi atravessada pela repercussão de mais um caso de feminicídio no Distrito Federal durante o fim de semana do Dia Internacional da Mulher. O vice-presidente da CLDF, deputado Ricardo Vale (PT), defendeu maior envolvimento dos homens no enfrentamento à violência de gênero e afirmou que o problema não será reduzido sem esse debate. Segundo o parlamentar, a violência contra as mulheres continua crescendo mesmo com avanços legislativos, o que exige resposta social e institucional mais ampla.

A fala acerta num ponto essencial: o feminicídio não é apenas caso policial; é fracasso preventivo, educacional e cultural. Quando o crime chega ao noticiário, o Estado quase sempre já chegou tarde. O problema, portanto, não cabe só no boletim de ocorrência nem no discurso indignado de ocasião.

8 de janeiro mantém polarização acesa no plenário

A sessão também expôs a permanência da ferida política em torno dos atos de 8 de janeiro de 2023. O deputado Thiago Manzoni (PL) lamentou a prisão dos coronéis da PMDF condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por omissão e declarou que eles seriam “homens honrados”, além de sustentar que os processos ligados ao 8 de janeiro seriam anulados no futuro. A fala foi uma manifestação política do parlamentar e não uma informação processual confirmada no material oficial consultado.

Em resposta, o líder do PT na Casa, deputado Chico Vigilante, reafirmou que os envolvidos nos atos antidemocráticos devem ser tratados como criminosos. Ex-presidente da CPI dos Atos Antidemocráticos da CLDF, ele classificou os participantes do 8 de janeiro como golpistas e defendeu prisão para quem atuou contra a ordem democrática.

O embate mostra que o 8 de janeiro continua sendo, em Brasília, mais do que memória institucional. É arma retórica, marcador ideológico e termômetro de lealdades políticas. Numa cidade onde a República foi atacada fisicamente, a disputa sobre responsabilidade ainda está longe de esfriar.

O que a sessão realmente revelou

Mais do que registrar falas duras, a sessão de 11 de março escancarou uma verdade incômoda: no DF, saúde e segurança seguem sendo os campos mais sensíveis para medir desgaste, autoridade e capacidade de governo. Quando deputados levam à tribuna denúncias sobre plano de saúde, precariedade hospitalar, feminicídio e responsabilização pelo 8 de janeiro, o que aparece não é apenas disputa partidária. Aparece também uma cobrança concreta por Estado funcional, previsível e presente.

No fim das contas, a sessão não tratou apenas de discursos. Tratou de confiança pública. E confiança, quando entra em débito, não se quita com frase de efeito.

Fontes e documentos:
Em sessão ordinária, deputados discutem Saúde e Segurança no DF (CLDF)

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