A Escola de Música de Brasília (EMB) abriu oficialmente a 47ª edição do Curso Internacional de Verão de Brasília (Civebra), que segue até 24 de janeiro, reafirmando um papel que a cidade conhece bem: formar músicos, aproximar gerações e transformar arte em política pública que funciona. A programação reúne cursos, oficinas e apresentações musicais voltadas a estudantes, professores e ao público em geral, com acesso gratuito.
Criado em 1977, o Civebra virou referência nacional no ensino e na difusão musical. Ao longo de quase cinco décadas, o curso consolidou um modelo de intercâmbio que mistura aulas presenciais, atividades virtuais e concertos ao vivo, conectando alunos e docentes do Brasil e do exterior. O resultado é um ambiente onde técnica, repertório e experiência circulam sem barreiras — como a música gosta.
A abertura ocorreu no domingo (11), com concerto no Teatro Levino de Alcântara, casa cheia e clima de reencontro. A secretária de Educação do DF, Hélvia Paranaguá, resumiu o espírito do evento ao destacar a EMB como espaço de formação e convivência. Para ela, o Civebra é o encontro entre quem ensina, quem aprende e quem ama música, com impacto direto na educação e na vida das pessoas.
Intercâmbio que atravessa fronteiras
Recém-chegado ao Brasil, o embaixador da Áustria, Andreas Stadler, reforçou o valor da formação cultural como instrumento de fortalecimento social. Encantado com a Orquestra JK, ele apontou a indissociabilidade entre cultura e democracia e elogiou o papel da escola ao apoiar o futuro por meio da arte. Não é discurso vazio: é diplomacia cultural em estado puro.
Nesta edição, o Civebra reúne 53 professores convidados, vindos de vários estados brasileiros, do Distrito Federal e de oito países — Estados Unidos, Argentina, Cuba, Canadá, Alemanha, França, Espanha e Bélgica. Um dado chama atenção: 80% dos docentes e artistas convidados são egressos da própria EMB ou de edições anteriores do curso. Em outras palavras, a escola forma, o mundo testa e a casa recebe de volta.
Procura alta e acesso garantido
A demanda foi expressiva, com quase três mil inscritos, todos imersos em uma agenda intensa ao longo de 12 dias. Até o encerramento, os participantes terão contato com workshops, aulas, masterclasses e apresentações conduzidas por músicos de alto nível em suas áreas. É formação continuada sem pedágio — e isso importa.
Ao manter o acesso gratuito e abrir as portas à comunidade, a EMB reforça um compromisso antigo: democratizar a cultura e garantir ensino musical de qualidade. Em tempos de atalhos fáceis, o Civebra segue afinado no que dá resultado. Música, quando bem cuidada, educa. E educar, aqui, não é ensaio — é concerto.

