Menos tempo de espera, mais agilidade e acesso a médico especialista, mesmo à distância, passam a integrar a rotina de crianças e famílias atendidas nas UPAs do Distrito Federal. Com esse foco, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IgesDF) inaugurou, nesta quarta-feira (21), o primeiro Complexo de Telessaúde da rede pública distrital, consolidando a teleassistência como política permanente de gestão e qualificação do atendimento no SUS.
A entrega marca o início oficial da teleconsulta pediátrica na UPA do Recanto das Emas. Pela primeira vez no DF, crianças passam a contar com atendimento remoto especializado dentro de uma unidade de pronto atendimento, medida que organiza fluxos, reduz filas e melhora a resposta da rede, especialmente em períodos de alta demanda por doenças respiratórias.
Eficiência, acesso e dignidade
Durante a inauguração, a vice-governadora Celina Leão destacou o impacto direto da telessaúde na organização da rede. “Hoje monitoramos 100% das filas e atendimentos nos hospitais. A telessaúde amplia atendimentos, reduz filas e gera ganho de eficiência de quase 40%. Até março, todas as UPAs do DF terão teleatendimento”, afirmou.
Segundo ela, a iniciativa une inovação, planejamento e sensibilidade social, fortalecendo a humanização do cuidado e a eficiência do SUS no DF.
Planejamento e dados sustentam o modelo
Para o presidente do IgesDF, Cleber Monteiro, o complexo simboliza a consolidação de um modelo assistencial integrado e resolutivo. “Entregamos mais do que um espaço físico. É um novo modo de organizar o cuidado, baseado em planejamento, integração da rede e uso responsável da tecnologia”, ressaltou.
De acordo com o IgesDF, entre maio de 2025 e janeiro de 2026, foram realizadas mais de 13,6 mil teleconsultas nas UPAs do DF, com redução do tempo de permanência, melhor organização dos fluxos e aumento da resolutividade clínica. A antecipação da teleconsulta pediátrica responde à sazonalidade respiratória e à escassez de pediatras, desafio nacional.
Tecnologia aplicada ao cuidado de baixa complexidade
A gerente de Comando Estratégico do IgesDF, Lilian Santos, explicou que a teleconsulta reorganiza o fluxo assistencial, qualificando o atendimento aos pacientes de menor complexidade. “O paciente classificado como verde pode ser atendido por médico a distância, que avalia, orienta, prescreve e acompanha, garantindo assistência rápida e segura”, disse.
Para Lilian, a iniciativa eleva o padrão do cuidado ao aplicar tecnologia de forma estratégica na assistência de baixa complexidade, assegurando atendimento no tempo adequado dentro das UPAs.
Estrutura e integração da rede
Projetado para operar continuamente, o Complexo de Telessaúde conta com 14 baias individuais, com controle acústico, privacidade e estabilidade tecnológica. Além da teleconsulta, o espaço centraliza a teleinterconsulta, conectando médicos das UPAs a especialistas de hospitais da rede IgesDF, como o Hospital de Base, o Hospital Regional de Santa Maria e o Hospital Cidade do Sol.
A integração fortalece a tomada de decisão clínica, evita transferências desnecessárias e amplia a resolutividade. Na prática, pacientes de menor complexidade podem receber alta após avaliação remota, reduzindo filas e tempo de espera.
No balanço do IgesDF, a telessaúde consolida uma rede mais integrada, eficiente e centrada no paciente, usando tecnologia para ampliar acesso e qualificar a experiência do cidadão no SUS.

