A música tomou conta do Teatro Levino de Alcântara, na Escola de Música de Brasília (EMB), na noite desta sexta-feira (23). Com casa cheia e clima de entusiasmo, a unidade da rede pública do Distrito Federal celebrou o encerramento da 47ª edição do Curso Internacional de Verão de Brasília (Civebra). O evento, que ainda segue neste sábado (24), às 19h, reuniu apresentações da Banda Sinfônica e um Recital de Canto Erudito, coroando semanas de intenso aprendizado e troca artística.
Durante todo o mês de janeiro, a EMB funcionou em ritmo acelerado. Os cursos ocorreram nos turnos matutino, vespertino e noturno, com atividades diárias e ocupação inclusive dos fins de semana. O cenário reforçou o papel da escola como polo permanente de efervescência cultural no Distrito Federal.
Mais do que aprimorar técnica musical, o Civebra reafirmou a função social da EMB na democratização do acesso à cultura, ao ensino e à produção artística. Como escola pública, a instituição vai além de formar plateias: forma produtores de cultura. Esse movimento impacta diretamente a economia criativa local, abre oportunidades profissionais e revela novos talentos.
Para Jean Figueiredo, servidor da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF), o curso já integra a identidade da capital. Segundo ele, o Civebra se consolidou como um patrimônio simbólico da cidade. “O Civebra já faz parte do que podemos chamar de patrimônio imaterial de Brasília. É o momento em que consolidamos o aprendizado desenvolvido pela Escola de Música e reafirmamos sua relevância para a capital. Esse incentivo é fruto de um trabalho conjunto entre gestão, professores e estudantes”, destacou.
Experiência que transforma quem sobe ao palco
Para quem participou diretamente das apresentações, a experiência foi descrita como transformadora. Luís Mário, músico amador e aluno do curso de Big Band, focado em orquestração e arranjos de jazz, destacou o ambiente colaborativo. “Estar em contato com músicos de excelência eleva o nível de todo mundo. As pessoas se ajudam e criam uma conexão muito forte”, relatou.
A singularidade da EMB no cenário educacional do DF também foi ressaltada por Sandra Cristina de Brito, coordenadora da Regional de Ensino do Plano Piloto. “É um orgulho para nossa rede. Sabemos da relevância da musicalização na vida do cidadão. Não existe outra escola com esse perfil na nossa região”, afirmou.
Música como herança e futuro
Entre o público, o impacto emocional foi evidente. Wilton César de Santos Moreira acompanhou, visivelmente orgulhoso, a apresentação do filho Caio César, estudante regular de percussão erudita da EMB. “É uma satisfação enorme ver meu filho seguindo o que ama. Sempre incentivei desde que ele nasceu”, contou.
Músico amador de cavaquinho, Wilton revelou que a vivência reacendeu um desejo antigo. “Sempre quis estudar na Escola de Música de Brasília, mas a correria nunca deixou. Hoje estou aqui pela primeira vez. Quem sabe isso não abre minha mente? Ainda estou novo”, brincou.
O evento também atraiu quem nunca havia assistido a uma orquestra ao vivo. Luiz Eduardo Ribeiro Guerra, espectador estreante, destacou a importância do investimento público. “No Brasil, o estudo da música ainda é muito desvalorizado. Por isso, é essencial que existam escolas públicas que ensinem todas as modalidades”, defendeu.
O encerramento do 47º Civebra reafirma o compromisso da SEEDF com a cultura como ferramenta de formação integral. A educação musical, mais do que arte, se confirma como instrumento concreto de transformação social e de fortalecimento do patrimônio cultural de Brasília.

