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quarta-feira, 4 fevereiro 2026, 08:28:35
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Após décadas de caos, obras viram o jogo em Vicente Pires

Publicado em:

Repórter: Jeferson Nunes

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“Antigamente, o pessoal chamava isso aqui de Vicente Pires Buraco. E não era brincadeira.” A frase é do militar da reserva Admilson Teixeira, 58 anos, morador da região há 26 anos. Por décadas, os cerca de 100 mil moradores de Vicente Pires conviveram com um cenário que misturava abandono urbano e risco real: enxurradas arrastando pessoas, muros derrubados, casas alagadas e carros engolidos por crateras que surgiam do nada.

A virada começou em 2019, quando o Governo do Distrito Federal (GDF) colocou Vicente Pires no centro de um dos maiores pacotes de infraestrutura já executados na região. Foram R$ 420 milhões investidos na construção de mais de 213 quilômetros de galerias de águas pluviais, mais de 1 milhão de metros quadrados de vias pavimentadas e na implantação de 12 lagoas de contenção.

“Sabemos que Vicente Pires não foi uma cidade planejada, mas finalmente alcançou aquilo que nós moradores sempre sonhamos”, resume Admilson.

Drenagem profunda e fim das enxurradas

Segundo o secretário de Obras e Infraestrutura, Valter Casimiro, a cidade vive hoje um novo capítulo. “Estamos consolidando um sistema de drenagem robusto, pensado para acabar, de forma definitiva, com os transtornos causados pela chuva e garantir segurança para milhares de famílias. Essa é uma prioridade do GDF”, afirma.

De acordo com a Secretaria de Obras e Infraestrutura (SODF), toda a área central de Vicente Pires já recebeu drenagem profunda, pavimentação, redes, contenções e recuperação viária. Agora, as equipes atuam nos chamados trechos residuais, que exigem intervenções mais complexas.

É o caso da Avenida Misericórdia e da Flor da Índia, na Colônia Agrícola Samambaia. “Essas áreas ficaram para a fase final justamente pela complexidade. Já iniciamos a conclusão da drenagem e estamos aplicando a última camada de pavimentação definitiva, para garantir segurança e conforto aos moradores”, explica o secretário-executivo Erinaldo Sales.

Como funciona o novo sistema

As obras incluem ainda a construção de uma lagoa de detenção próxima à Rua da Misericórdia, já concluída. O equipamento reduz a velocidade da água captada pelas galerias, protege o Córrego Samambaia e evita novos transtornos à comunidade.

Na prática, a água da chuva entra pelas bocas de lobo, percorre a rede de tubulações e chega aos dissipadores. Ao longo do sistema, os poços de visita permitem inspeção, limpeza e ajudam a reduzir a força da água, funcionando como degraus de amortecimento do fluxo.

“Hoje, a cidade está preparada para receber chuvas fortes. A água é direcionada diretamente para o sistema de drenagem já implantado. E isso já está funcionando”, reforça Erinaldo Sales.

Da tragédia ao alívio

Morador da região há mais de 30 anos, o aposentado Gilberto Camargos, 62, faz um contraste direto entre passado e presente. “Antes, era muita água correndo pelas ruas. Hoje existem galerias. Elas livraram a cidade dos alagamentos graves”, afirma.

Ele relembra episódios que marcaram a história local. “Teve família que perdeu dois carros. Houve até a morte de um bebê em um dos alagamentos. Isso não acontece mais. Hoje, estamos no céu.”

Segundo Gilberto, as enxurradas que derrubavam muros em sequência ficaram no passado. “Antes, vinha como uma avalanche, destruía tudo. Eu passei por isso. Agora acabou. A cidade está bonita, muito mais agradável.”

Infraestrutura muda o dia a dia

Admilson também destaca como a falta de infraestrutura afetava a rotina. “Na chuva, era lama. Na seca, poeira o tempo todo. Eu mesmo perdi praticamente três carros por causa dos buracos. Não há carro que aguente.”

Com a drenagem e o asfalto, vieram outros avanços. “Hoje temos mercados, farmácias, bancos e até uma UPA aqui. As vias funcionam até na época de chuva. Quem circula pela cidade não passa mais por aqueles problemas.”

Depois de décadas associada ao caos urbano, Vicente Pires começa, enfim, a ser lembrada por outro motivo: infraestrutura que funciona. Para quem viveu o pior, a mudança não é detalhe técnico — é qualidade de vida devolvida.

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