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Calor pode inviabilizar cultivo de alface no Brasil em 50 anos

Publicado em

Reportagem:
Reporter: Paulo Andrade

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As mudanças climáticas podem tornar o cultivo de alface em campo aberto no Brasil inviável durante o verão nos próximos 50 anos. Um novo estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), divulgado nesta terça-feira, aponta que, em um cenário otimista, 97% do território nacional terá um risco climático alto ou muito alto para essa cultura até o final do século.

O engenheiro-agrônomo da Embrapa, Fábio Suinaga, explica que a alface é uma hortaliça muito sensível a altas temperaturas, que podem comprometer a germinação das sementes e o pleno desenvolvimento da planta.

Projeções climáticas e seus impactos

A pesquisa da Embrapa analisou projeções climáticas do Inpe e do IPCC em dois cenários:

  • Cenário otimista: com controle de emissões de gases, a temperatura no verão pode variar de 23,4°C a 41,2°C até 2100. Nesse caso, 79,6% do país teria risco alto e 17,4% teria risco muito alto para o cultivo de alface.
  • Cenário pessimista: com o aumento contínuo de emissões, a temperatura no verão pode chegar a 45°C. Nessa projeção, 87,7% do território brasileiro enfrentaria um risco “muito alto” para o cultivo da alface.

Atualmente, a maior parte da produção de alface no Brasil ocorre em campos abertos, o que a deixa vulnerável aos efeitos do calor, como a queima de borda (deficiência de cálcio) e o florescimento precoce, que resulta em sabor amargo e perda de qualidade.

Estratégias de adaptação da Embrapa

Para enfrentar o problema, a Embrapa trabalha em soluções para a agricultura. O engenheiro-ambiental Carlos Eduardo Pacheco destaca que os mapas do estudo evidenciam a urgência de focar na adaptação dos sistemas produtivos.

A pesquisa da Embrapa busca desenvolver:

  • Novas cultivares: com maior tolerância ao calor, como a alface BRS Mediterrânea.
  • Sistemas de produção: que garantam a sustentabilidade do cultivo em condições adversas.
  • Uso de tecnologia: como inteligência artificial, para automatizar a criação de mapas de risco climático e expandir os estudos para outras hortaliças.

Essas ações visam proteger a produção de alimentos no país e garantir que os produtores possam se adaptar a um futuro com temperaturas mais elevadas.

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