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Jovens negros estudam mais, mas mercado não absorve

Publicado em:

Repórter: Fabíola Fonseca

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O acesso de jovens negros à educação aumentou. Mas esse avanço não se reflete, na mesma proporção, na inclusão profissional. É o que mostra a pesquisa Juventudes Negras e Empregabilidade, divulgada nesta semana na 4ª Conferência Empresarial ESG Racial, em São Paulo. O estudo foi elaborado pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial em parceria com a Fundação Itaú.

O paradoxo da qualificação

O Índice ESG de Equidade Racial da Juventude Negra (IEERJN), utilizado no estudo, mostra um dado alarmante: quanto maior a escolaridade, maior o descolamento entre educação e inclusão profissional.

Em 2023, o índice era de aproximadamente -0,38 para Pós-Graduação e -0,29 para Ensino Superior. Quanto menor o índice, maior a desigualdade. Já o Ensino Fundamental Completo registrava -0,01 (próximo à equidade) e o Fundamental Incompleto, cerca de +0,15.

Traduzindo: jovens negros com fundamental incompleto ou completo estão mais próximos da equidade racial no mercado de trabalho do que aqueles com diploma universitário ou pós-graduação.

“O Brasil está formando uma geração de jovens negros altamente qualificados, mas o mercado ainda não os absorve com equidade. Isso representa não apenas uma injustiça social, mas também uma perda econômica: estamos desperdiçando produtividade e inovação”, afirmou Gilberto Costa, diretor-executivo do Pacto de Promoção da Equidade Racial.

Segregação nas profissões de maior remuneração

Segundo a pesquisa, a exclusão racial é mais acentuada nas profissões de maior remuneração, especialmente em engenharia, direito e tecnologia.

Os dados mostram que jovens negros com ensino fundamental incompleto ou completo permanecem mais próximos da equidade racial ao longo dos anos, enquanto aqueles com maior escolaridade enfrentam barreiras maiores. O padrão detectado reforça a segregação ocupacional, que mantém pessoas negras predominantemente em cargos de baixa hierarquia e remuneração.

“O acesso à educação é fundamental para reduzir desigualdades. Porém, ainda que um profissional negro tenha a mesma formação de um profissional branco, esbarra em barreiras como o racismo no ambiente corporativo. A educação, sozinha, não é suficiente para promover equidade racial. É necessário enfrentar o racismo estrutural“, acrescentou Costa.

Mulheres negras: a base da pirâmide salarial

O estudo mostra que a desigualdade é ainda maior sob a perspectiva de gênero. Mulheres jovens negras ocupam a base da hierarquia dos salários, e estão entre as que mais realizam trabalho doméstico não remunerado e são mais expostas à gravidez em idade precoce.

O IEERJN das mulheres jovens negras por escolaridade (RAIS) era, em 2023, -0,33 na Pós-Graduação; -0,31 no Ensino Superior; e -0,37 no Ensino Médio.

No entanto, o índice aponta que, quando superam as barreiras de acesso à universidade, as jovens negras com ensino superior completo possuem melhores resultados em relação aos outros níveis analisados, com um histórico mais consistente de crescimento.

“Historicamente, as mulheres negras recorrem ao empreendedorismo como forma de sustentar as suas famílias, diante das dificuldades encontradas no mercado formal. Mesmo quando elas conseguem concluir o ensino superior e conquistar maior mobilidade social, não necessariamente estão em uma situação favorável. Muitas vezes, ainda precisam lidar com salários menores e dificuldade de acesso a cargos de liderança”, destacou Costa.

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