Ampliação da CPRE no HRT reduz cirurgias e acelera diagnósticos
O início de 2026 trouxe um efeito concreto para pacientes do Distrito Federal: o Hospital Regional de Taguatinga (HRT) ampliou a oferta da colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE), exame decisivo no diagnóstico e tratamento de doenças das vias biliares, vesícula, pâncreas e trato gastrointestinal. Na prática, a medida reduziu filas, evitou cirurgias mais invasivas e acelerou intervenções que impactam diretamente a qualidade de vida dos pacientes.
Procedimentos mais que triplicam em seis meses
Os números evidenciam a mudança de escala. Entre janeiro e junho de 2025, o HRT realizou 56 CPREs. Já no segundo semestre, após a ampliação do serviço, foram feitos 182 procedimentos, um aumento de 225%. O crescimento reflete reorganização de fluxos, maior disponibilidade de agenda e integração entre equipes assistenciais e diagnósticas.
Atualmente, a CPRE é realizada duas vezes por semana na unidade, às terças e quintas-feiras, com atendimento a pacientes com cálculos biliares, obstruções das vias biliares e casos que demandam acompanhamento especializado após transplantes.
Técnica combina diagnóstico e tratamento em um único exame
A CPRE reúne dois recursos em um só procedimento. De um lado, a fluoroscopia, que permite visualizar estruturas internas em movimento e em tempo real. De outro, a duodenoscopia, feita com a introdução de um tubo flexível com microcâmera pelo duodeno. Essa combinação possibilita diagnosticar e tratar o problema na mesma sessão, reduzindo riscos e tempo de internação.
Por ser minimamente invasiva, a técnica frequentemente substitui cirurgias complexas. Com ela, é possível remover cálculos, realizar biópsias, fazer drenagens, desobstruir vias biliares e identificar tumores, tudo sem grandes incisões.
Atendimento oportuno muda o desfecho clínico
A técnica de enfermagem Kenia Ferreira é um exemplo do impacto prático da ampliação do serviço. Com obstrução das vias biliares e elevação da bilirrubina, ela apresentava icterícia, náuseas, vômitos e mal-estar intenso. Em dezembro, passou por uma CPRE no HRT, quando foi inserida uma prótese para desobstrução.
Após estabilização do quadro, Kenia realizou a retirada da vesícula no próprio hospital. Quatro dias depois, uma nova CPRE permitiu remover a prótese. Segundo ela, a resposta foi rápida e decisiva para a recuperação clínica, com alta hospitalar e normalização dos sintomas.
Integração de equipes sustenta a ampliação
De acordo com Diego Caires, gerente de Assistência Multidisciplinar e Apoio Diagnóstico do HRT, o avanço é resultado de uma atuação integrada entre profissionais de enfermagem, médicos endoscopistas, técnicos de radiologia e gestores. Segundo ele, a ampliação exigiu alinhamento técnico em todas as etapas do processo assistencial, do agendamento ao pós-procedimento.
Novo uso do equipamento amplia diagnóstico funcional
Além da CPRE, o mesmo equipamento passou a ser utilizado para exames de videodeglutograma, técnica que avalia estruturas como boca e esôfago durante o processo de deglutição. A ampliação do uso reforça o papel do HRT como referência em exames diagnósticos que combinam precisão técnica e impacto direto no cuidado ao paciente.
Em um sistema de saúde pressionado por demanda crescente, a expansão da CPRE no HRT não é apenas um dado administrativo. É um exemplo de como organização, investimento técnico e foco no efeito concreto para o cidadão produzem ganhos reais em tempo, segurança e desfecho clínico.

