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DF prepara modelo que vai medir governança pública

Publicado em

Reportagem:
Marta Borges

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Órgãos do GDF devem passar por nova avaliação de governança pública

Órgãos e entidades do Governo do Distrito Federal devem passar por uma nova etapa de avaliação institucional a partir da criação oficial do Modelo Distrital de Maturidade em Governança Pública. A ferramenta foi testada em projeto piloto entre janeiro e março de 2026 e deve ser instituída por resolução prevista para maio.

A proposta é medir, com critérios padronizados, o nível de maturidade da governança nos órgãos públicos. Em termos práticos, isso significa verificar se a administração tem planejamento, controle, gestão de riscos, integração entre áreas e capacidade de entregar políticas públicas com mais eficiência.

O tema parece técnico — e é. Mas o efeito chega ao cidadão quando uma política pública deixa de depender apenas de improviso, boa vontade ou memória de servidor antigo. Governança, quando funciona, é o antídoto contra a administração no modo “cada um por si e o processo por todos”.

Modelo de governança pública foi testado em nove órgãos

A aplicação piloto envolveu nove órgãos do GDF: Casa Civil, Controladoria-Geral do DF, Instituto de Pesquisa e Estatística do DF, Secretaria de Governo, Secretaria de Economia, Secretaria de Saúde, Secretaria de Educação, Secretaria de Segurança Pública e Secretaria de Transporte e Mobilidade.

O teste ocorreu entre janeiro e março de 2026, com participação de representantes das instituições envolvidas. A etapa serviu para avaliar se o instrumento era claro, aplicável e capaz de produzir diagnóstico útil sobre as práticas de governança.

Segundo o balanço apresentado ao Conselho de Governança Pública do DF, o modelo mostrou potencial para organizar a leitura das capacidades institucionais. No entanto, também foram identificados pontos que exigem ajuste antes da aplicação em toda a administração.

Piloto apontou falhas de clareza e articulação interna

Entre os principais desafios aparecem a complexidade do instrumento, a necessidade de melhorar critérios e indicadores e a dificuldade de articulação entre áreas técnicas para reunir informações.

Esse diagnóstico é importante porque modelos de avaliação pública podem perder força quando se tornam excessivamente burocráticos. Se o órgão não entende o critério, se a área técnica não sabe qual evidência apresentar ou se o resultado final não orienta decisão, a ferramenta vira formulário bonito para gaveta digital.

Por isso, foram sugeridas mudanças como simplificação do modelo, aprimoramento da linguagem e criação de uma aba de síntese executiva. Também entrou na pauta a capacitação de servidores e o desenvolvimento de soluções tecnológicas para automatizar a consolidação dos dados.

Resolução deve instituir o modelo ainda em maio

As propostas de melhoria foram analisadas e aprovadas pelo grupo de trabalho responsável pelo desenvolvimento do modelo. Entre os ajustes estão alterações na nomenclatura dos critérios, unificação de temas correlatos, aplicação de pesos diferenciados entre dimensões e melhorias na estrutura do instrumento.

O cronograma prevê a publicação da resolução que instituirá oficialmente o Modelo Distrital de Maturidade em Governança Pública ainda em maio de 2026. Depois disso, a ferramenta deverá ser aplicada em todos os órgãos e entidades do GDF.

A expectativa é que os resultados consolidados permitam uma visão mais ampla sobre o estágio da governança pública no Distrito Federal. Esse levantamento pode orientar prioridades, correções internas e estratégias de acompanhamento.

Conselho também analisou IMCig e SaeWeb

A reunião do Conselho de Governança Pública também analisou resoluções relacionadas ao Índice de Maturidade dos Comitês Internos de Governança e ao Sistema de Auditoria do Distrito Federal.

Esses instrumentos integram uma agenda mais ampla de controle, auditoria, gestão de riscos e acompanhamento institucional. Em conjunto, eles buscam fortalecer a capacidade do Estado de planejar, executar, monitorar e corrigir suas próprias ações.

Ao final da reunião, foram definidos novos encaminhamentos, como a elaboração da resolução do modelo e a análise do relatório de ações do conselho referente aos anos de 2024 e 2025. A próxima reunião está prevista para 25 de maio.

Governança só vale quando muda a entrega pública

O avanço do modelo distrital pode ajudar o GDF a enxergar melhor suas próprias fragilidades. No entanto, a efetividade dependerá da capacidade de transformar diagnóstico em decisão.

Medir maturidade institucional é apenas o começo. O ponto decisivo será saber se os resultados vão gerar correções reais, metas acompanháveis e melhoria perceptível nas políticas públicas.

A administração pública costuma produzir muitos painéis, atas e resoluções. Alguns organizam o Estado. Outros apenas organizam o arquivo. A diferença estará na consequência prática: se o modelo ajudar a reduzir falhas, integrar áreas e melhorar entregas, a governança deixa de ser palavra de reunião e passa a ser instrumento de gestão.

Fontes e documentos:

– Conselho de Governança do DF investe na construção do modelo de maturidade (Agência Brasília)
– Conselho de Governança Pública (Controladoria-Geral do DF)
– Governança no DF ganha força com integração entre órgãos (Controladoria-Geral do DF)

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