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Brasil amplia proteção no Pantanal e cria reserva em Minas

Publicado em:

Repórter: Paulo Andrade

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Novas áreas protegidas reforçam conservação no Pantanal e no Cerrado

O governo federal oficializou a criação de uma nova Unidade de Conservação no Cerrado mineiro e a ampliação de duas áreas protegidas no Pantanal mato-grossense. As medidas foram anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no domingo (22), durante a COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, em Campo Grande, e publicadas no Diário Oficial nesta terça-feira (24). Os atos envolvem a ampliação do Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense, da Estação Ecológica de Taiamã e a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas.

Pelos números detalhados nos decretos e no Planalto, o ganho direto de área protegida é de cerca de 145 mil hectares — resultado da soma de 47.260 hectares no parque do Pantanal, 56.959 hectares em Taiamã e 40.834 hectares na nova reserva mineira. Parte da comunicação oficial arredondou esse avanço para “mais de 148 mil hectares”, mas os dados específicos publicados pelo governo apontam um acréscimo aproximado de 145 mil hectares.

Pantanal ganha reforço em duas áreas estratégicas

No Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense, criado em 1981 e localizado em Poconé (MT), o Decreto nº 12.886 acrescenta 47.260 hectares, elevando a área total para cerca de 183.095 hectares. Segundo o Planalto, a ampliação busca proteger ambientes naturais de alta relevância ecológica, reforçar a conservação de espécies ameaçadas e preservar áreas críticas para reprodução, alimentação e berçário de peixes, além de ampliar potencial de pesquisa, educação ambiental e uso público compatível com a unidade.

Já a Estação Ecológica de Taiamã, nos municípios de Cáceres e Poconé, foi ampliada pelo Decreto nº 12.887 em 56.959 hectares, passando a cerca de 68.502 hectares. O objetivo central é reforçar a proteção de habitats estratégicos para espécies ameaçadas, como onça-pintada, cervo-do-pantanal e ariranha, além de áreas fundamentais para aves aquáticas residentes e migratórias e para a reprodução de peixes.

A ministra Marina Silva afirmou que a medida foi construída com base em evidências técnicas, escuta qualificada e cooperação institucional, destacando a importância dessas áreas para o chamado pulso de inundação do Pantanal, fenômeno que sustenta a biodiversidade local e ajuda a regular ciclos ecológicos diante da mudança do clima.

Nova reserva no Norte de Minas liga conservação e território tradicional

Em Minas Gerais, o Decreto nº 12.888 cria a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas, com área aproximada de 40.834 hectares, nos municípios de Riacho dos Machados e Serranópolis de Minas. A reserva nasce com objetivos que vão além da conservação clássica: proteger nascentes e córregos, preservar a biodiversidade do Cerrado e assegurar condições para a reprodução dos modos de vida das comunidades tradicionais locais.

O governo federal destacou que a nova unidade foi construída com participação das comunidades geraizeiras, e o presidente do ICMBio, Mauro Pires, afirmou que a criação da reserva reconhece a importância histórica desses grupos no cuidado com a natureza e fortalece um modo de vida de equilíbrio entre conservação e uso sustentável num território de encontro entre Cerrado e Caatinga.

Proteção ambiental vira recado político na COP15

O anúncio não ocorreu em qualquer ambiente. Ele foi feito durante uma conferência internacional sobre espécies migratórias, o que deu ao gesto um peso diplomático evidente. Em discurso, Lula afirmou que não há como proteger espécies migratórias sem proteger seus habitats e associou as novas áreas à meta global de proteger 30% das áreas terrestres e marinhas até 2030.

Do ponto de vista político, a mensagem é clara: o governo tenta consolidar uma vitrine ambiental de retomada, combinando expansão de áreas protegidas, proteção de biomas estratégicos e valorização de populações tradicionais. Isso ganha ainda mais relevância porque o Pantanal entrou de vez no radar internacional após anos de pressão sobre o bioma, com queimadas, perda de habitat e fragilidade institucional na proteção territorial. A medida, portanto, fala ao mesmo tempo para a biodiversidade e para a imagem externa do país.

Criar unidade é começo; proteger de verdade é outra etapa

As medidas têm relevância real e não devem ser tratadas como detalhe cartorial. Ampliar o Pantanal protegido e criar uma reserva no Cerrado mineiro mexe com conectividade ecológica, água, fauna, clima e proteção territorial. Ainda assim, decreto por si só não resolve tudo. Em conservação ambiental, o anúncio é apenas a largada.

A etapa que realmente testa a seriedade da política pública vem depois: plano de manejo, fiscalização, presença estatal, gestão do território e capacidade de proteger essas áreas contra pressão econômica e degradação. O Brasil sabe assinar mapa bonito. O desafio, como sempre, é impedir que ele desbote no chão da realidade.

Fontes e documentos:
Após anúncio na COP15, Governo do Brasil amplia áreas de proteção em Mato Grosso e cria nova reserva em Minas Gerais (Planalto)
– “Não há como proteger espécies migratórias sem proteger seus habitats”, diz Lula ao anunciar ampliação de unidades de conservação no Pantanal na COP15 (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima)
– Conheça novas áreas de proteção ambiental no Cerrado e no Pantanal (Agência Brasil)
– Decreto nº 12.886, de 23 de março de 2026 (Diário Oficial da União)
– Decreto nº 12.887, de 23 de março de 2026 (Diário Oficial da União)
– Decreto nº 12.888, de 23 de março de 2026 (Diário Oficial da União)

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