Dores do trabalho repetitivo batem recorde no DF
“Debilitante.” Foi com essa palavra que a recepcionista Rosiane Matos de Sousa resumiu a dor que sente há cerca de quatro meses, depois de passar o dia sentada diante do computador e receber o diagnóstico de distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho (Dort), conhecido popularmente como LER.
Neste 28 de fevereiro, data lembrada mundialmente no combate às LER/Dort, os números do DF ajudam a explicar por que a discussão deixou de ser “tema de saúde do trabalhador” e virou problema de escala.
Notificações aceleram e atingem o maior volume já registrado
Dados divulgados pela Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) indicam salto nas notificações: foram 62 casos em 2022, 699 em 2023, 1.235 em 2024 e 1.694 em 2025, o maior volume da série apresentada.
Na prática, isso significa mais gente trabalhando com dor, mais afastamentos potenciais e mais pressão sobre a rede de atendimento e reabilitação. Além disso, cresce o risco de cronificação quando o diagnóstico e a adaptação do trabalho chegam tarde.
O que é Dort e por que o trabalho entra na conta
O Dort está ligado às atividades profissionais e costuma provocar dor em músculos, tendões, articulações e nervos. Em geral, o gatilho combina repetição de movimentos, posturas inadequadas e falta de ergonomia.
Ou seja: não é “dorzinha do dia”. É um quadro que pode evoluir quando a rotina cobra sempre do mesmo ponto do corpo e o ambiente não oferece ajustes mínimos.
Sintomas que merecem atenção antes de virar crise
Entre os sintomas mais citados estão dor persistente, formigamento, dormência, sensação de peso, rigidez, perda de força (mãos, punhos, ombros ou coluna), além de inchaço e inflamação.
Se o corpo está “avisando” todo dia, ele não está pedindo opinião. Ele está pedindo mudança.
Ergonomia e pausas não são luxo, são prevenção
A fisioterapeuta Ronara Mangaravite, do Hospital de Base do Distrito Federal, explica que o problema aparece com frequência em trabalhadores administrativos e em quem permanece longos períodos na mesma posição. Segundo ela, pescoço, costas e membros superiores já ficam tensionados para sustentar postura, e a falta de ergonomia aumenta o risco.
Medidas simples podem reduzir o risco: pausas curtas durante o expediente, prática regular de atividade física e ajustes na altura da cadeira, mesa e monitor, com apoio adequado para braços e costas.
Tratamento funciona, mas depende de continuidade
Sem cuidado, o Dort pode evoluir para tendinites, rupturas e dor crônica. O tratamento costuma envolver medicamentos, fisioterapia e exercícios de fortalecimento para reduzir recaídas, e em casos mais graves pode haver indicação cirúrgica.
A saúde mental também entra no tabuleiro, porque estresse e tensão sustentada pioram o quadro. Quando o trabalho exige o mesmo padrão corporal todos os dias, o corpo cobra juros.
Quando procurar atendimento
A orientação é buscar avaliação médica ao perceber sintomas persistentes. Quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de impedir agravamentos e ajustar rotina e tratamento antes que a dor vire “normal”.
Fontes e documentos:
– Dores causadas por trabalho repetitivo batem recorde no DF
– Boletim da SES-DF sobre salto de notificações de LER/Dort
– UnB explica o Dia Mundial de Combate à LER/Dort e contexto

