Creche em Planaltina vira apoio para mães que trabalham o dia todo
O Centro de Educação da Primeira Infância (Cepi) Tucano, em Planaltina, tem mudado uma conta que antes não fechava: trabalho em tempo integral e cuidado diário com bebês e crianças pequenas. Para mães como a feirante Mirella Duarte, a unidade virou o apoio que permite manter renda e, ao mesmo tempo, acompanhar o desenvolvimento do filho com mais segurança.
Quando a falta de creche vira risco silencioso
Mirella trabalha das 7h às 17h. Sem uma vaga, ela levava o filho para a feira e precisava que ele “ficasse quietinho”. Por isso, o celular virou distração constante durante o atendimento ao público.
No entanto, o recurso teve custo. Segundo ela, o excesso de telas coincidiu com atraso na fala. A percepção levou a uma mudança prática: colocar a criança em um ambiente estruturado, com rotina, convivência e acompanhamento.
O que mudou após a matrícula no Cepi Tucano
O menino está no segundo ano no Cepi Tucano. Além disso, ele recebe cinco refeições por dia e convive com outras crianças, em tempo integral.
Segundo Mirella, a evolução foi clara. Ela relata mais fala, mais interação e mais aprendizagem. Ao mesmo tempo, destaca a tranquilidade de trabalhar sabendo que o filho está bem cuidado.
Projeto Legado e acompanhamento especializado
A creche também contou com apoio do Projeto Legado, parceria que levou acompanhamento de fonoaudióloga e assistente social, segundo o relato da família. Para Mirella, o atendimento ajudou a consolidar resultados que ela percebe no dia a dia.
Estrutura, equipe e capacidade de atendimento
Inaugurado há pouco mais de dois anos, o Cepi Tucano atende 198 crianças, de quatro meses a 3 anos, em jornada das 7h às 17h. Os alunos estão distribuídos em dez turmas.
A unidade foi construída com investimento de R$ 4,1 milhões, em ação da Secretaria de Educação do DF (SEE-DF) com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O prédio segue o modelo padrão tipo 1 e reúne salas de aula, lactário, pátio coberto, cozinha, refeitório, solário, áreas administrativas, lavanderia, playground, além de banheiros e estacionamento.
Como funciona a entrada de novos alunos
Segundo o diretor Ademar Luiz Nascimento, a entrada ocorre por encaminhamento da Regional de Ensino, após cadastro pelo 156. Depois do maternal 2, as crianças são direcionadas para escolas indicadas pela rede pública.
A equipe soma 43 funcionários, incluindo 10 professoras e 18 monitoras. Nos berçários 1 e 2 e no maternal 1, atuam duas monitoras e uma professora. Já no maternal 2, há uma professora e uma monitora.
O impacto no cotidiano das famílias
O diretor afirma que o efeito aparece na rotina. Segundo ele, muitos pais precisavam trabalhar e não tinham onde deixar os filhos com segurança. Por isso, a creche teria chegado em “boa hora”, na leitura da gestão.
Além disso, há um ponto que aparece nos relatos: vínculo. A fotógrafa Felliane Almeida matriculou o filho com 11 meses e diz que a creche se tornou peça central na família. Ela pretende repetir o caminho com a filha bebê.
Felliane relata marcos do filho no Cepi, como primeiros passos e início do desfralde. Também destaca a confiança no retorno dado pela equipe e o afeto percebido na relação com as profissionais.
Por que essa história importa além do portão da creche
Creche não é “depósito” e também não é favor. Na prática, é infraestrutura social que sustenta o trabalho das famílias e o desenvolvimento na primeira infância, sobretudo quando a alternativa é improviso diário.
Quando o acesso existe, a rotina muda. E, junto com ela, muda o horizonte de mães, pais e crianças.

