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Dólar em alta e bolsa em baixa com tensão no Oriente Médio

Publicado em:

Repórter: Fabíola Fonseca

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Escalada do conflito eleva aversão ao risco e pressiona câmbio e Ibovespa

O dólar comercial encerrou esta sexta-feira, 13 de março de 2026, vendido a R$ 5,316, com alta de 1,41%, no maior valor de fechamento desde 21 de janeiro. No mesmo dia, o Ibovespa caiu 0,91%, aos 177.653 pontos, no menor nível desde 22 de janeiro. O movimento acompanhou a piora do humor global diante da escalada do conflito no Oriente Médio, que empurrou investidores para ativos considerados mais seguros e pressionou moedas e bolsas de países emergentes.

Tensão geopolítica empurra investidores para o dólar

A alta da moeda americana refletiu o aumento da aversão ao risco após novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometendo intensificar ações militares contra o Irã. No exterior, esse ambiente também fortaleceu o dólar diante de outras moedas fortes. O Dollar Index (DXY) superou a marca de 100 pontos pela primeira vez desde novembro de 2025 e encerrou o dia perto de 100,5 pontos, sinal de busca global por proteção.

Na semana, o dólar acumulou valorização de 1,38%. Em março, a moeda já sobe 3,55%, revertendo parte da queda de 2,16% registrada em fevereiro. Mesmo assim, no acumulado de 2026, a divisa ainda mostra desvalorização de cerca de 3,15% frente ao real. Segundo a cobertura econômica do dia, o real teve o pior desempenho entre as principais moedas emergentes na sessão, num ambiente de saída de recursos e recomposição de posições em dólar após o forte desempenho da moeda brasileira nos primeiros meses do ano.

Banco Central entra em campo, mas mercado segue pressionado

Pela manhã, o Banco Central realizou uma operação conhecida no mercado como “casadão”, com venda de US$ 1 bilhão no mercado à vista e oferta de 20 mil contratos de swap cambial reverso, equivalente à compra de dólar futuro. A intervenção ocorreu em meio à piora de liquidez e à pressão sobre o chamado cupom cambial, mas não foi suficiente para neutralizar o movimento global de fuga para segurança.

Esse ponto importa porque mostra que o estresse não foi apenas local. O Brasil até sofre com fatores internos, mas, neste caso, a pancada veio sobretudo de fora. Quando o investidor global enxerga risco de guerra prolongada, petróleo em disparada e inflação mais resistente nos Estados Unidos, a primeira reação costuma ser a mesma: sai de ativos mais expostos e corre para o dólar.

Bolsa cai com petróleo em alta e temor sobre inflação global

No mercado acionário, o mau humor também prevaleceu. O Ibovespa até operou acima de 178 mil pontos ao longo do dia, mas perdeu força na segunda metade do pregão e terminou perto da mínima. Na semana, o índice acumulou recuo de 0,95% e, em março, a baixa já chega a 5,9%. Ainda assim, no acumulado de 2026, a bolsa brasileira mantém valorização de 10,26%.

O pano de fundo dessa correção está diretamente ligado ao petróleo. O contrato do Brent fechou a US$ 103,14 por barril, com alta de 2,67% no dia e ganho semanal de cerca de 11%, ultrapassando os US$ 100 pela primeira vez desde agosto de 2022. A disparada do barril elevou o receio de inflação mais persistente e reduziu o apetite por bolsas, sobretudo em mercados emergentes.

Alta do petróleo amplia incerteza sobre juros nos Estados Unidos

Além da geopolítica, o mercado passou a recalibrar expectativas para a política monetária americana. Com o petróleo em forte alta, aumentam os temores de contaminação inflacionária, o que pode reduzir o espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve. Esse ajuste de expectativa ajuda a explicar por que o dólar ganhou força globalmente e por que ativos de risco perderam tração.

É uma engrenagem conhecida. Petróleo sobe, inflação volta ao radar, juros americanos tendem a ficar mais altos por mais tempo, e o capital global migra para posições mais defensivas. Quando isso acontece, países como o Brasil sentem rapidamente no câmbio e na bolsa.

Quando a crise externa fala mais alto que o entusiasmo doméstico

O pregão desta sexta mostra como o mercado brasileiro continua sensível a choques externos, mesmo depois de um começo de ano positivo para o real e para o Ibovespa. Bastou a guerra ganhar tração, o petróleo romper os US$ 100 e o investidor global vestir a armadura do medo para a fotografia mudar rápido.

Não é exagero dizer que a tensão no Oriente Médio sequestrou o protagonismo do mercado local. O Brasil pode até exibir fundamentos que agradem por um tempo, mas, quando o risco geopolítico aperta, a lógica muda: o dinheiro corre primeiro, pensa depois. E, nesses dias, o dólar vira abrigo, enquanto a bolsa paga a conta do nervosismo.

Fontes e documentos:

Com tensão no Irã, dólar fecha em R$ 5,32, maior valor desde janeiro (Agência Brasil)
– Stocks slip, dollar strong as Iran conflict pushes oil prices over $100 (Reuters)
– Barclays raises 2026 Brent forecast to $85 a barrel on Strait of Hormuz disruption (Reuters)

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