IPCA sobe em março e pressiona custo de vida com combustíveis e comida
A inflação oficial do país acelerou em março e atingiu 0,88%, acima dos 0,70% registrados em fevereiro. Com isso, o IPCA acumula alta de 1,92% no ano e de 4,14% em 12 meses, segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 10 de abril de 2026, pelo IBGE.
O avanço do índice foi puxado principalmente pelos grupos Transportes e Alimentação e bebidas, que juntos responderam por 76% do IPCA de março. O dado mostra que a pressão inflacionária voltou a bater justamente onde o efeito é mais imediato para a população: no tanque e na mesa.
Gasolina lidera impacto e amplia peso dos transportes
O grupo Transportes teve alta de 1,64% em março, a maior entre os nove grupos pesquisados. O item de maior peso foi a gasolina, que subiu 4,59% e, sozinha, respondeu por 0,23 ponto percentual do IPCA do mês. Também pesaram no resultado a passagem aérea, com alta de 6,08%, e o diesel, que avançou 13,90%, embora com impacto menor no índice geral.
O próprio IBGE apontou que já é possível observar reflexos das incertezas do cenário internacional em alguns subitens, especialmente nos combustíveis. Em outras palavras, a inflação doméstica continua muito sensível a choques externos, e o motorista brasileiro segue como um tradutor involuntário dessa instabilidade.
Alimentação acelera com força dentro de casa
O grupo Alimentação e bebidas subiu 1,56% em março e apareceu logo atrás de Transportes entre as maiores pressões do índice. Dentro dele, a alimentação no domicílio avançou 1,94%, a maior alta desde abril de 2022, quando havia ficado em 2,59%, segundo o IBGE.
Entre os itens com maiores aumentos, o leite longa vida subiu 11,74% e o tomate, 20,31%. Esses dois subitens tiveram impacto de 0,07 e 0,05 ponto percentual, respectivamente, no IPCA de março. Somados à gasolina, à passagem aérea e ao diesel, os cinco principais subitens responderam por 0,43 ponto percentual do índice de 0,88%.
Salvador teve maior inflação regional e Rio Branco, a menor
Entre os índices regionais do IPCA, Salvador registrou a maior variação mensal, com 1,47%, influenciada principalmente pela alta da gasolina, que saltou 17,37%, e das carnes, com 3,56%. Na outra ponta, Rio Branco teve a menor variação, de 0,37%, beneficiada pela queda da energia elétrica residencial e das frutas.
O cálculo do índice considerou os preços coletados entre 4 e 31 de março de 2026, comparados aos vigentes entre 30 de janeiro e 3 de março de 2026. O IPCA mede a variação do custo de vida de famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos.
INPC sobe ainda mais e reforça pressão sobre renda menor
O INPC, indicador mais associado a famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos e chefe assalariado, ficou em 0,91% em março. O resultado veio acima dos 0,56% de fevereiro. No ano, o índice acumula 1,87%, e em 12 meses, 3,77%.
Quando a inflação volta a apertar o básico
O dado de março mostra uma combinação conhecida e socialmente dura: combustível caro encarece o frete, o frete pressiona os alimentos, e a conta recai com mais força sobre quem tem menos margem para absorver aumento. Não é uma inflação espalhada de forma dramática em todos os grupos, mas é justamente o tipo de avanço que corrói o cotidiano porque atinge despesas essenciais. E, como quase sempre acontece, o índice pode soar técnico em Brasília e no mercado, mas chega muito menos técnico na feira, no posto e no orçamento doméstico.
Fontes e documentos:
– Transportes e alimentação elevam o IPCA de março para 0,88% (IBGE)
– IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IBGE)
– INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IBGE)

