O que está em jogo, para quem mora no DF, é direto: se a bactéria Wolbachia se estabilizar nos mosquitos Aedes aegypti que circulam nas ruas, a tendência é reduzir a transmissão de arboviroses como dengue, Zika e chikungunya ao longo do tempo. É isso que a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) tenta confirmar agora, com monitoramentos periódicos após as solturas iniciadas em setembro.
Menos dengue depende de a Wolbachia se fixar no Aedes
Desde setembro, mosquitos inoculados com Wolbachia foram liberados em dez regiões administrativas do DF e em dois municípios de Goiás. Desde então, a vigilância acompanha se a bactéria realmente “pegou” na população de Aedes em circulação, isto é, se está presente em proporção suficiente para se manter por reprodução.
O que está sendo medido neste momento
Neste mês ocorre o quarto ciclo de monitoramento. O cronograma divulgado prevê que as solturas sigam até março, mas as avaliações continuam depois disso justamente para verificar se a bactéria permanece nos mosquitos no ambiente, mesmo sem novas liberações.
Como o monitoramento funciona na prática
A coleta é feita com ovitrampas, que capturam ovos. As paletas seguem para o Laboratório de Entomologia Médica (LEM), onde as larvas de Aedes aegypti são identificadas e enviadas para análise com pesquisadores da Fiocruz, de acordo com a SES-DF.
A bióloga Kenia Cristina de Oliveira, do LEM, descreve o método como sustentável porque, após as solturas, a bactéria pode continuar sendo transmitida à prole por reprodução. Por isso, as verificações periódicas são parte central da implementação.
O que os “wolbitos” mudam e o que eles não resolvem sozinhos
A proposta é usar os wolbitos como ferramenta adicional contra arboviroses, reduzindo a capacidade do mosquito de transmitir essas doenças. Ainda assim, a SES-DF reforça que a estratégia não substitui o básico: eliminar criadouros dentro de casa e no entorno continua sendo parte decisiva do controle.
Outras ações que seguem em campo no DF
Além de ovitrampas e do método Wolbachia, a secretaria cita frentes como borrifação residual intradomiciliar (BRI), estações disseminadoras de larvicidas (EDLs) e uso de drones para mapear áreas críticas. A SES-DF também informou quase 2 milhões de visitas de agentes a residências em 2025.

