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Fórum em Brasília põe design no centro urbano

Publicado em:

Repórter: Paulo Andrade

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Evento usa design como vitrine de cidade, negócios e sustentabilidade

Brasília recebe, entre os dias 10 e 13 de março, o II Fórum das Cidades Criativas do Design, encontro que reúne nomes da economia criativa, do pensamento urbano e do design brasileiro para painéis, workshops e vivências práticas pela cidade. A programação foi confirmada pela Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF) e pelo site oficial do evento, com atividades em diferentes espaços da capital e foco na ideia de que o design pode funcionar como ferramenta de desenvolvimento urbano sustentável, articulação institucional e geração de negócios.

No primeiro dia, o fórum abre com painéis sobre as três capitais brasileiras reconhecidas pela Unesco como Cidades Criativas do Design: Brasília, Curitiba e Fortaleza. Depois, a agenda segue com um city tour e o lançamento da Rota do Design do Distrito Federal, proposta que transforma a própria cidade em experiência de leitura urbana, conectando arquitetura, arte, paisagem e mobilidade. O desenho do evento é claro: menos auditório fechado em si mesmo, mais tentativa de fazer o discurso descer para o território.

Brasília usa o título da Unesco para reforçar sua marca criativa

A capital entrou para a Rede de Cidades Criativas da Unesco em 2017, na categoria design. Desde então, o selo passou a ser usado como ativo simbólico e econômico para projetar a imagem de Brasília além do roteiro cívico tradicional. O fórum reforça exatamente essa estratégia: vender a cidade não apenas como monumento modernista, mas como ecossistema criativo capaz de articular turismo, inovação, patrimônio, cultura e negócios.

Esse movimento faz sentido político e institucional. Em vez de tratar o design como assunto ornamental, o evento tenta reposicioná-lo como linguagem de planejamento, identidade e desenvolvimento. É uma aposta inteligente, embora não exatamente inocente. Quando governos falam em economia criativa, estão falando também em reputação, atração de investimentos, ativação de marca territorial e ocupação qualificada do espaço urbano. O design, aqui, vira menos “estilo” e mais instrumento de poder urbano com embalagem elegante.

Programação mistura debate conceitual, articulação nacional e vitrine local

A agenda oficial divide o fórum em quatro eixos temáticos: Cidades do Design, O Design Brasileiro, Design Transformador e Design sem Fronteiras. Entre os destaques confirmados estão Bruno Porto, com palestra sobre conexões criativas entre Toronto e Brasília, e Dorothea Werneck, além de painéis sobre inovação social, estratégias para o design brasileiro e diálogos com cidades criativas internacionais. O site do evento detalha ainda atividades paralelas, coquetel de abertura, exposição, premiação e oficinas colaborativas entre equipes de Brasília, Curitiba e Fortaleza.

Na prática, o encontro tenta cumprir três funções ao mesmo tempo. Primeiro, produzir repertório e circulação de ideias. Segundo, fortalecer redes profissionais e institucionais. Terceiro, transformar Brasília em palco e argumento. Não por acaso, a cidade aparece tanto como sede quanto como conteúdo. A capital é apresentada como laboratório de experiências sensoriais, memórias urbanas e criatividade aplicada. É um discurso sedutor e, em parte, verdadeiro. Mas também pede um cuidado básico: cidade criativa não se sustenta só com narrativa, precisa de política continuada, governança e acesso real aos benefícios da economia criativa.

Rota do Design tenta tirar o evento do papel e jogar a cidade em cena

Um dos movimentos mais interessantes do fórum é justamente o lançamento da Rota do Design do Distrito Federal. A proposta aparece como tentativa de organizar uma leitura pública da cidade por meio de seus marcos urbanísticos e de sua experiência espacial. O percurso inclui referências como superquadras, tesourinhas, áreas monumentais e outros pontos que ajudam a sustentar a tese de Brasília como território moldado pela lógica do design.

Esse é o ponto em que o evento fica mais forte. Quando o design sai do slide e entra na rua, a conversa ganha densidade. A capital federal tem repertório de sobra para isso. O risco, como sempre, é transformar patrimônio vivo em roteiro domesticado para consumo institucional. Entre uma cidade que inspira e uma cidade que se autopromove, há uma diferença importante: a primeira convida à experiência; a segunda posa para a foto. Brasília conhece bem as duas versões.

Evento reforça agenda econômica, mas resultado depende do depois

O secretário de Turismo, Cristiano Araújo, afirma que sediar o fórum reforça o compromisso do DF com inovação, valorização de talentos locais e fortalecimento da economia criativa como vetor de desenvolvimento. Já Marcos Moreira, do conselho de design do Instituto ACDF, sustenta que o encontro pode gerar negócios e ampliar a visibilidade das experiências criativas da capital. A intenção é legítima e coerente com o posicionamento do evento. O teste, porém, virá depois do aplauso.

Fórum bom não é o que termina com foto bonita e crachá no peito. É o que deixa articulações, políticas, parcerias, circulação econômica e alguma inteligência institucional instalada. O II Fórum das Cidades Criativas do Design acerta ao dar protagonismo ao tema e ao conectar Brasília a uma rede mais ampla de cidades e práticas. Agora precisa provar que o design, além de tema nobre, pode também produzir efeito concreto numa cidade que adora símbolo, mas nem sempre entrega sistema.

Fontes e documentos:
II Fórum das Cidades Criativas do Design aborda o tema “O poder transformador do design” (Secretaria de Turismo do Distrito Federal)
– Fórum no DF aborda o poder transformador do design. (Agência Brasília)
– Fórum Cidades Criativas | Design (Site oficial do evento)
– Brasília entra para a Rede de Cidades Criativas da Unesco (Secretaria de Relações Internacionais do DF)
– Brasília Cidade Criativa do Design (Instagram oficial)

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