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Reforma da Codhab transforma casas e rotina no DF

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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Programa habitacional muda moradias precárias e amplia dignidade

A história de Vencerlina Pereira dos Santos, moradora da Estrutural, virou vitrine de um problema maior e de uma resposta pública que tenta enfrentar sua parte mais dura: a precariedade habitacional. Após cerca de 15 anos vivendo na mesma casa, ela viu o imóvel ser reformado pelo programa Melhorias Habitacionais, executado pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab-DF). Segundo o governo, a residência tinha infiltrações, mofo e goteiras, problemas que afetavam diretamente a saúde da família, especialmente de uma filha com bronquite e asma.

Programa já atendeu 234 famílias e soma cerca de R$ 10 milhões

De acordo com a Agência Brasília, desde 2019 o subprograma já beneficiou 234 famílias em áreas de interesse social do Distrito Federal, com investimento de R$ 10 milhões — valor arredondado na chamada principal da matéria oficial e detalhado no texto como mais de R$ 9,8 milhões. O programa faz reformas estruturais e, em casos mais graves, pode chegar à reconstrução completa da residência.

Segundo a Codhab, o atendimento é destinado a famílias com renda de até três salários mínimos, moradoras do DF há pelo menos cinco anos, sem outro imóvel e que vivam em casas com problemas de salubridade ou segurança estrutural. As intervenções são acompanhadas por assistentes sociais, arquitetos e engenheiros, responsáveis pela avaliação técnica e pelo desenho das soluções em cada residência.

Reformas podem chegar a R$ 100 mil em casos mais graves

Os limites financeiros do programa também ajudam a medir o peso da política pública. As obras podem chegar a R$ 50 mil nos casos de reforma e a R$ 100 mil quando é necessária a reconstrução do imóvel. Segundo a divulgação oficial, esses tetos foram ampliados em 2023, em razão da alta de custos de materiais e mão de obra após a pandemia.

Na casa de Vencerlina, a intervenção incluiu a ampliação de um quarto, a construção de outro, a revisão da parte elétrica e melhorias em revestimentos, banheiro e cozinha, segundo a arquiteta Rachel Martins, da Codhab. O foco técnico, segundo ela, vai além da aparência e prioriza segurança, ventilação, combate ao mofo, higiene e funcionalidade.

Moradia digna não é detalhe estético; é política de saúde pública

Esse é o ponto mais importante da matéria, e ele costuma ser subestimado: reforma habitacional para famílias vulneráveis não é maquiagem urbana. É intervenção direta em saúde pública, segurança doméstica e dignidade cotidiana. Quando uma casa tem infiltração persistente, mofo, instalação elétrica precária e ausência de ventilação adequada, o que está em jogo não é conforto. É risco concreto.

No caso relatado, a própria moradora associou o cenário anterior às idas frequentes ao hospital por problemas respiratórios da filha. Essa conexão entre precariedade da moradia e adoecimento é coerente com o que a literatura técnica já aponta há anos: habitação insalubre agrava doenças respiratórias, compromete o bem-estar e amplia vulnerabilidades sociais. O Estado, quando entra nesse ponto, não está fazendo favor. Está corrigindo um déficit básico de proteção.

O desafio agora é escala, transparência e fila real

O presidente da Codhab, Marcelo Fagundes, disse que a meta é ampliar o número de famílias atendidas nos próximos anos, com perspectiva de zerar a fila das moradias em situação de maior vulnerabilidade. A promessa é politicamente forte. O teste, como sempre, será menos retórico e mais operacional: quantas famílias ainda aguardam, como a fila é priorizada, quais critérios técnicos definem urgência e qual ritmo de execução será mantido.

Porque o programa tem mérito claro e impacto real, mas a demanda habitacional do DF está longe de caber em histórias exemplares isoladas. Vencerlina simboliza uma transformação concreta. O problema é que a política pública só prova sua força de verdade quando deixa de depender de exceções emocionantes e ganha escala suficiente para virar regra.

Fontes e documentos:
– Desde 2019, GDF transformou imóveis precários em lares dignos e seguros para 234 famílias (Agência Brasília)
– Melhorias Habitacionais transforma a vida de 3 famílias em São Sebastião (Codhab-DF)
– Programa Melhorias Habitacionais (Agência Brasília)

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