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segunda-feira, 22 junho 2026, 06:21
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UnB cria dispositivo para reduzir tremores do Parkinson

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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Tecnologia da UnB busca dar mais autonomia a pacientes com Parkinson

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade de Brasília com apoio da FAPDF criou um dispositivo vestível projetado para reduzir tremores associados à doença de Parkinson e acompanhar a evolução desses movimentos ao longo do tempo. A divulgação ocorre na véspera do Dia Mundial do Parkinson, celebrado em 11 de abril, e apresenta a tecnologia como uma alternativa em desenvolvimento para ampliar autonomia e segurança de pessoas que convivem com a condição.

Como o dispositivo funciona e por que ele chama atenção

Segundo a apresentação oficial do projeto, a solução usa metamateriais inteligentes, estruturas projetadas para responder a estímulos como vibrações e movimentos. No caso do Parkinson, a proposta é atuar nas frequências específicas dos tremores, funcionando como um filtro capaz de reduzir a intensidade dos movimentos involuntários sem interferir nos movimentos voluntários do usuário.

O sistema também incorpora sensores para registrar padrões de movimento e gerar dados que podem apoiar o acompanhamento clínico. Outro diferencial apontado pela equipe é o uso de materiais piezoelétricos, capazes de converter movimento em energia elétrica, o que pode permitir que parte da energia gerada pelos próprios tremores seja aproveitada pelo dispositivo.

Projeto ainda está em fase de validação em laboratório

A pesquisa é coordenada pela professora Marcela Rodrigues Machado, do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Tecnologia da UnB. De acordo com a FAPDF, os testes em laboratório já indicam resultados promissores, inclusive na redução de vibrações em faixas de baixa frequência, que aparecem entre os principais desafios técnicos dessa área. Ainda assim, a solução não está no mercado e permanece em fase de desenvolvimento.

O projeto recebeu R$ 1 milhão em apoio da FAPDF e hoje se encontra no TRL 4, estágio que corresponde à validação em laboratório. A meta da equipe é avançar para os níveis TRL 5 e 6, que envolvem testes mais avançados e maior aproximação com aplicação prática. Em bom português: a pesquisa já saiu do papel, mas ainda não chegou ao braço do paciente como produto disponível.

Financiamento público e patente reforçam potencial de inovação

A iniciativa integra a chamada BIO Learning, vinculada ao Programa FAPDF Learning 2023. Documentos públicos da fundação mostram que o projeto de Marcela Rodrigues Machado, descrito como “metamaterial inteligente programável para supressão de tremores de Parkinson em membros humanos”, aparece entre as propostas habilitadas e selecionadas no programa.

Segundo a divulgação institucional, o projeto já conta com pedidos de patente e envolve estudantes de graduação e pós-graduação em atividades de pesquisa, prototipagem e experimentação. Isso não prova, por si só, que a tecnologia chegará ao mercado em breve, mas indica que o trabalho está sendo tratado como inovação aplicada, e não apenas como exercício acadêmico de laboratório.

Quando a pesquisa deixa de ser só ciência e encosta na vida real

O ponto mais relevante dessa iniciativa não está apenas na sofisticação dos materiais ou no vocabulário técnico que costuma impressionar editais. Está no alvo prático: reduzir o impacto dos tremores sobre tarefas simples do cotidiano, como comer, segurar objetos e escrever. Se os testes futuros confirmarem o desempenho fora do laboratório, a pesquisa pode avançar de promessa tecnológica para ferramenta concreta de cuidado. Até lá, o mais responsável é reconhecer o mérito científico sem vender cura em embalagem de manchete.

Fontes e documentos:
Tremores do Parkinson podem ser reduzidos com tecnologia inovadora da UnB com apoio da FAPDF (FAPDF)
– Tremores do Parkinson podem ser reduzidos com tecnologia inovadora (Agência Brasília)
– Publicação de resultado de habilitação com projeto MIPson (FAPDF)
– Ata da 20ª reunião ordinária do Conselho Diretor sobre o BIO Learning (FAPDF)

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