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Hospital de Base usa nova técnica em artérias calcificadas

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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Pacientes com obstruções graves podem evitar cirurgia cardíaca com procedimento menos invasivo

Pacientes do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) com obstruções graves nas artérias coronárias, marcadas por intensa calcificação, passam a contar com o rotablator — uma tecnologia que permite tratar o problema durante o cateterismo, sem necessidade de cirurgia cardíaca convencional. O equipamento, incorporado à unidade nesta semana, desgasta a camada calcificada com uma broca de alta precisão e restabelece o fluxo sanguíneo, reduzindo tempo de internação e custos da rede pública.

Tecnologia amplia segurança e reduz internação

Procedimento é indicado quando calcificação impede angioplastia convencional.
O rotablator é uma ferramenta de alta complexidade utilizada em casos nos quais o acúmulo de placas de colesterol provoca calcificação avançada das artérias, tornando inviável a angioplastia com stent pelos métodos tradicionais. Durante o procedimento, a broca de precisão remove a camada endurecida, permitindo a implantação do stent e a normalização do fluxo sanguíneo ao coração. A técnica, segundo os especialistas, evita que muitos pacientes sejam submetidos a uma cirurgia cardíaca mais complexa no futuro.

Benefícios incluem menos tempo de internação e redução de custos

Além de ampliar a segurança, a abordagem menos invasiva contribui para a redução do tempo de internação e dos custos operacionais da rede pública. “Esse reforço para o Hospital de Base traz inúmeros benefícios para a população e fortalece ainda mais nossa posição como referência no tratamento de doenças coronárias de alta complexidade”, afirma o chefe do Serviço de Hemodinâmica do HBDF, Gabriel Kanhouche.

Incorporação ocorre na semana do Dia do Colesterol

Prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares são destacados.
A chegada do rotablator ao HBDF coincide com a semana em que se celebra o Dia do Colesterol, o que reforça a importância da prevenção e do tratamento das doenças cardiovasculares, principais causas de morte no país. O cardiologista intervencionista Leandro Richa Valim explica que o equipamento é utilizado quando a calcificação está muito avançada e outras técnicas já não são suficientes para tratar a obstrução.

A incorporação do rotablator ao Hospital de Base representa um avanço concreto na rede pública de saúde do Distrito Federal, mas também expõe uma contradição: o equipamento chega para tratar o estágio mais avançado da doença, quando a calcificação já comprometeu gravemente a artéria, enquanto a prevenção primária, que inclui alimentação saudável e controle do colesterol, segue sendo a grande ausente nas políticas públicas de saúde.

A técnica, embora menos invasiva que a cirurgia cardíaca convencional, não é uma solução definitiva: o desgaste da camada calcificada permite a implantação do stent, mas não trata a doença de base que gerou a calcificação. Sem mudanças no estilo de vida e no acompanhamento ambulatorial, o paciente pode voltar a apresentar obstruções em outros pontos da rede vascular.

O HBDF, ao incorporar essa tecnologia, reforça seu papel de referência em cardiologia de alta complexidade, mas o custo do equipamento — e da equipe treinada para operá-lo — é significativo. A pergunta que fica é: quantos hospitais públicos no país terão acesso a essa mesma tecnologia? A resposta, previsivelmente, revelará mais uma fratura no já desigual sistema de saúde brasileiro.

A coincidência da chegada do equipamento com o Dia do Colesterol é simbólica, mas não deveria ser apenas uma coincidência de calendário. Se a mensagem for apenas “temos uma nova técnica para tratar”, perde-se a oportunidade de reforçar a mensagem central: a melhor forma de evitar o rotablator é não precisar dele.

Fontes e documentos:

Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF)
Ampliada oferta de tratamento menos invasivo para obstruções nas artérias do coração no Hospital de Base (Agência Brasília)

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