Celina e Grass disputam o Buriti em 25 de outubro
A eleição para o Governo do Distrito Federal será decidida em segundo turno entre Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT). Com 100% das urnas apuradas, Celina recebeu 825.530 votos, o equivalente a 49,93% dos votos válidos, e Grass obteve 569.930 votos, ou 34,47%.
O segundo turno ficou marcado pela margem mínima que separou Celina da vitória imediata. Ela terminou apenas 0,07 ponto percentual abaixo da maioria absoluta dos votos válidos, limite necessário para encerrar a disputa no primeiro turno.
A nova votação está marcada para 25 de outubro. Até lá, o eleitorado do DF terá de comparar dois projetos políticos mais nítidos: de um lado, a continuidade do grupo que ocupa o Palácio do Buriti; de outro, a tentativa de alternância com candidatura ligada ao campo petista.
A pesquisa apontava vitória no primeiro turno
A última pesquisa pública Datafolha antes da votação indicava Celina com 55% dos votos válidos. Leandro Grass aparecia com 27%, seguido por Paula Belmonte, com 10%, Kiko Caputo, com 4%, Cappelli, com 2%, e Professor Robson e Professora Samara Mineiro, com 1% cada.
O levantamento foi feito entre 2 e 3 de outubro, com 1.620 entrevistas presenciais no Distrito Federal. A margem de erro era de dois pontos percentuais, e a pesquisa foi registrada no TSE sob o número DF-07243/2026.
A urna, porém, mostrou que pesquisa não é resultado. O levantamento captou favoritismo de Celina e isolamento de Grass na segunda posição, mas o desempenho final ficou abaixo do patamar necessário para encerrar a eleição no primeiro turno.
O retrato da véspera e o resultado final
A comparação entre a pesquisa e a urna revela uma diferença politicamente decisiva. Na véspera, Celina aparecia com 55% dos válidos; nas urnas, terminou com 49,93%. Grass aparecia com 27% na pesquisa e chegou a 34,47% no resultado oficial.
Essa distância não significa, por si só, erro isolado ou virada inesperada fora de contexto. Pesquisas eleitorais medem intenção declarada em determinado período, dentro de margem de erro, e não capturam perfeitamente abstenção, voto útil, mudança de última hora, memória de número na urna e comportamento efetivo no domingo.
O ponto central é que a eleição real comprimiu a vantagem da líder. Celina continuou em primeiro, mas perdeu a folga necessária para vencer de imediato; Grass continuou em segundo, mas ganhou força suficiente para levar a disputa ao confronto direto.
Outros candidatos ajudaram a empurrar a eleição
Os votos dados às candidaturas fora do eixo Celina-Grass foram decisivos para impedir o encerramento no primeiro turno. Paula Belmonte (PSDB) terminou com 8,52%, Kiko Caputo (Novo) com 4,36% e Cappelli (PSB) com 2,23% quando 99,93% das urnas estavam totalizadas.
Esses percentuais ajudam a explicar por que 49,93% virou o número mais importante da noite. Em uma disputa de votos válidos, cada fração distribuída entre terceira via, direita liberal, centro, centro-esquerda e candidaturas menores reduziu a chance de maioria absoluta no primeiro turno.
Agora, esses eleitores passam a ser o centro da disputa. O segundo turno dependerá menos de convencer quem já estava firmemente com Celina ou Grass e mais de atrair quem votou em Paula, Kiko, Cappelli, candidaturas menores, branco ou nulo.
A reta final já indicava uma eleição sensível
A ida ao segundo turno conversa diretamente com o que já aparecia na reta final da campanha. O Fonte em Foco acompanhou a agenda dos candidatos no último dia 1º de outubro, quando os compromissos públicos já revelavam uma campanha concentrada em presença de rua, mobilização de bases e tentativa de marcar contraste político.
A movimentação final também foi tratada na cobertura do Fonte em Foco sobre os últimos atos de campanha no DF. Naquele momento, a disputa já mostrava que o resultado dependeria de comparecimento, voto útil e capacidade de transformar intenção em voto efetivo.
O resultado de domingo confirmou esse clima de fronteira. A eleição parecia inclinada à vitória de Celina no primeiro turno, mas a soma de voto oposicionista, voto em candidaturas menores e comportamento final do eleitorado manteve a disputa aberta.
O que Celina leva para o segundo turno
Celina entra no segundo turno com a vantagem de ter sido a candidata mais votada e de ter ficado a menos de um décimo de ponto da vitória. Esse dado dá à campanha o argumento de continuidade, força eleitoral e proximidade com a maioria absoluta.
A governadora também carrega a responsabilidade de explicar por que não venceu quando as pesquisas indicavam essa possibilidade. No segundo turno, favoritismo pode virar cobrança: o eleitor tende a pedir mais clareza sobre prioridades, entregas, orçamento, alianças e promessas para quatro anos.
O principal risco político para Celina é tratar o segundo turno como simples repetição do primeiro. Quando uma disputa quase encerrada volta à urna, a campanha precisa reconstruir confiança, reduzir rejeições e mostrar que a vitória não é inevitável, mas merecida.
O que Grass leva para o segundo turno
Leandro Grass chega ao segundo turno com o impulso de ter superado o patamar apontado pela última pesquisa. Ele terminou com 34,47% dos votos válidos e se consolidou como o polo de oposição ao atual grupo no governo.
O resultado dá ao petista uma narrativa de crescimento. A campanha poderá dizer que a eleição começou com favoritismo de Celina, mas terminou com uma disputa aberta para nova rodada.
O desafio de Grass é ampliar sem perder identidade. Para vencer, ele precisará dialogar com eleitores que não votaram no PT, incluindo parte do centro, da esquerda não petista, do eleitorado moderado e de grupos que rejeitam a continuidade, mas também têm resistência ao campo petista.
Os vieses que o eleitor deve observar
O primeiro ponto de atenção é o viés da continuidade. Celina representa a permanência de um grupo político no comando do DF, o que pode significar previsibilidade administrativa para alguns eleitores e desgaste de governo para outros.
O segundo é o viés da alternância. Grass representa mudança de campo político no Buriti, algo que pode atrair quem quer ruptura com a gestão atual, mas também exige avaliação cuidadosa sobre governabilidade, base parlamentar, relação com a Câmara Legislativa e capacidade de execução.
O terceiro é o viés nacionalizado. A disputa local tende a ser puxada para o embate entre direita e esquerda, especialmente porque o DF também mostrou força conservadora nas eleições ao Senado, o eleitor deve separar o que é disputa nacional do que é problema concreto de Brasília, das regiões administrativas e dos serviços públicos.
O quarto é o viés do medo. Segundo turno costuma ampliar campanhas negativas, alarmes sobre adversários e tentativas de transformar diferenças políticas em ameaça existencial, o cidadão deve exigir proposta verificável, histórico, plano e compromisso público, não apenas susto.
O que interessa diretamente à população
O segundo turno precisa responder a perguntas concretas da vida no DF. Como cada candidato pretende lidar com saúde pública, segurança, transporte, moradia, educação, orçamento, obras, emprego, Entorno e atendimento nas regiões administrativas?
A votação para governador não decide apenas quem ocupará o Palácio do Buriti. Ela define quem comandará a máquina pública distrital, indicará secretários, negociará com a Câmara Legislativa, executará políticas públicas e definirá prioridades de gasto.
A escolha também terá impacto federativo. O governador do DF administra a capital da República, convive diariamente com os Três Poderes e precisa defender interesses locais em um território que mistura cidade, sede institucional e desigualdades regionais profundas.
Pesquisa ajuda, mas a urna manda
O primeiro turno deixou uma lição simples: pesquisa orienta leitura, mas não substitui voto. O Datafolha mostrou Celina acima dos 50% válidos, mas a apuração oficial colocou a disputa de volta na rua por 21 dias.
Para o segundo turno, o eleitor deve olhar pesquisas com menos ansiedade e mais método. O importante será observar data de campo, margem de erro, registro, universo pesquisado, votos totais, votos válidos, rejeição, taxa de decisão e cenário de abstenção.
Nenhum levantamento deve ser lido como autorização para desistir de votar. A diferença entre primeiro e segundo turno no DF nasceu justamente de uma margem estreita demais para ser tratada com certeza antecipada.
O segundo turno começa agora
O Distrito Federal acorda depois da eleição com uma disputa que parecia quase resolvida, mas ficou aberta por detalhe. Celina venceu o primeiro turno, mas não levou; Grass ficou distante da primeira colocada, mas ganhou o direito de disputar voto a voto a etapa final.
A partir de agora, a campanha muda de natureza. Sai a disputa fragmentada entre vários nomes e entra um confronto direto, em que alianças, rejeição, voto útil, comparação de biografias e propostas para problemas locais terão mais peso.
Para o eleitor, a melhor defesa é não votar no automático. O segundo turno exige comparar governo e oposição, continuidade e alternância, promessa e histórico, discurso nacional e necessidade local. A urna de 25 de outubro não será apenas uma repetição da urna de ontem; será uma nova decisão sobre o rumo do Distrito Federal.
Fontes e Documentos:
- Reta final dos candidatos no DF (Fonte em Foco)
- Agenda dos candidatos ao GDF em 1º de outubro de 2026 (Fonte em Foco)
- Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) disputam o 2º turno no Distrito Federal (Tribunal Superior Eleitoral)

