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Gases de efeito estufa atingem novo recorde mundial

Publicado em

Reportagem:
Paulo Andrade

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Concentração de CO₂ chegou a 426,8 partes por milhão em 2025, enquanto metano e óxido nitroso também atingiram máximas históricas

Gases de efeito estufa batem recorde e ampliam risco de aquecimento global, alerta ONU

Os três principais gases de efeito estufa atingiram concentrações recordes na atmosfera em 2025, ampliando a preocupação com o aquecimento global. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (27 de outubro) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada das Nações Unidas.

O dióxido de carbono (CO₂), principal responsável pelo aquecimento provocado pelos gases de longa permanência na atmosfera, alcançou 426,8 partes por milhão (ppm). O valor é 53% superior ao nível registrado antes da industrialização, período utilizado como referência para acompanhar as mudanças na composição da atmosfera.

Metano (CH₄) e óxido nitroso (N₂O) também estabeleceram novos recordes, indicando que o acúmulo de gases responsáveis por reter calor continua avançando.

Concentração de CO₂ cresce mesmo com desaceleração anual

A concentração média de dióxido de carbono aumentou 2,8 ppm entre 2024 e 2025. Embora inferior ao crescimento de 3,6 ppm registrado no período anterior, a elevação permaneceu acima da média de aproximadamente 2,6 ppm por ano observada na última década.

O resultado mostra que uma desaceleração no ritmo de crescimento não significa redução da quantidade de CO₂ presente na atmosfera.

Para compreender o indicador, basta imaginar um milhão de moléculas de ar seco. Em 2025, aproximadamente 427 delas eram de dióxido de carbono.

O problema é que parte considerável do CO₂ liberado pela queima de carvão, petróleo e gás natural permanece na atmosfera por muito tempo. A cada ano de emissões elevadas, novas quantidades se acumulam e contribuem para intensificar o efeito estufa.

Por que o aumento foi menor do que em 2024?

A recuperação da capacidade da vegetação de absorver carbono e a redução das emissões associadas a incêndios ajudam a explicar o crescimento menos acelerado em 2025.

O fenômeno El Niño de 2023 e 2024 havia favorecido condições de seca, temperaturas elevadas e incêndios em diferentes regiões, prejudicando a absorção natural de carbono.

Mesmo com a melhora observada em 2025, a concentração atmosférica continuou aumentando.

O balanço global mostra que aproximadamente metade do CO₂ emitido pelas atividades humanas permanece na atmosfera. O restante é absorvido por oceanos e ecossistemas terrestres, processos naturais que ajudam a limitar a intensidade do aquecimento.

Metano e óxido nitroso também atingem níveis históricos

O metano alcançou 1.948 partes por bilhão (ppb), concentração 167% superior à estimada para o período pré-industrial. Esse gás responde por aproximadamente 16% do efeito de aquecimento provocado pelos gases de efeito estufa de longa duração.

Cerca de 65% das emissões de metano têm origem em atividades humanas, incluindo pecuária, exploração de combustíveis fósseis, cultivo de arroz e decomposição de resíduos.

Já o óxido nitroso chegou a 339,1 ppb, valor 26% acima do nível pré-industrial.

Apesar de existir em menor quantidade, o óxido nitroso possui elevado potencial de aquecimento e permanece na atmosfera por longos períodos. Entre suas fontes estão processos naturais, uso de fertilizantes agrícolas e determinadas atividades industriais.

Por que gases menos abundantes também preocupam?

A capacidade de um gás aquecer o planeta não depende apenas de sua concentração, mas também da quantidade de calor que consegue reter e de quanto tempo permanece na atmosfera.

O metano tem forte capacidade de aquecimento, embora sua permanência atmosférica seja menor que a do CO₂. O óxido nitroso apresenta elevada potência de aquecimento por molécula e uma vida atmosférica prolongada.

Por isso, controlar diferentes gases exige medidas específicas para cada fonte de emissão.

Indústria e distribuição de energia também entram no alerta

O relatório chama atenção para gases industriais presentes em pequenas concentrações, mas com grande capacidade de intensificar o efeito estufa. Um deles é o hexafluoreto de enxofre (SF₆), utilizado principalmente como isolante em equipamentos elétricos.

O SF₆ pode permanecer na atmosfera por mais de mil anos e possui potencial de aquecimento muito superior ao do dióxido de carbono.

A organização também destaca o hidrogênio molecular (H₂), que ganha importância na transição para fontes de energia de menor emissão de carbono.

Embora o hidrogênio não seja um gás de efeito estufa direto, vazamentos podem interferir em reações químicas que ajudam a remover metano da atmosfera. Dessa forma, sua presença pode contribuir indiretamente para o aquecimento.

O alerta reforça a necessidade de controlar perdas e emissões também nas tecnologias utilizadas para modernizar os sistemas energéticos.

O que os recordes significam para o futuro do clima?

O aumento contínuo da concentração de gases de efeito estufa faz com que mais calor fique retido no sistema climático da Terra. Isso eleva a temperatura média global e pode intensificar riscos associados a ondas de calor, secas, chuvas extremas e outros fenômenos.

A influência sobre cada evento depende das condições meteorológicas e ambientais, mas o aquecimento modifica o cenário em que esses acontecimentos se desenvolvem.

Os números divulgados representam concentrações medidas na atmosfera, e não apenas os gases emitidos durante 2025. Essa diferença é importante porque o efeito do acúmulo continua mesmo quando o crescimento anual desacelera.

Por que reduzir as emissões continua sendo decisivo

O novo recorde evidencia que diminuir a velocidade de crescimento dos gases não é suficiente para interromper o aquecimento global. Enquanto as emissões mantiverem o acúmulo de CO₂ e de outros gases na atmosfera, a pressão sobre o clima continuará.

O desafio envolve reduzir emissões, proteger ecossistemas que absorvem carbono e aperfeiçoar tecnologias capazes de limitar a liberação de gases industriais.

A divulgação ocorre às vésperas da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), prevista para novembro, na Turquia.

O principal significado dos dados é que as decisões sobre energia, produção e proteção ambiental terão consequências durante décadas. Quanto mais gases se acumulam, maior se torna o desafio de limitar o aquecimento e adaptar as sociedades aos impactos das mudanças climáticas.

Relacionadas, fontes e documentos:

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