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PF investiga R$ 100 milhões da previdência de São Roque

Publicado em

Reportagem:
Marta Borges

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Operação Entressafras cumpriu nove mandados em São Paulo e Pernambuco, as aplicações sob suspeita incluem investimentos relacionados ao Banco Master

PF investiga R$ 100 milhões da previdência de São Roque e apura prejuízo de R$ 121 milhões

A Polícia Federal investiga possíveis irregularidades em investimentos de R$ 100 milhões feitos com recursos da previdência dos servidores municipais de São Roque, no interior de São Paulo. A Operação Entressafras, deflagrada nesta terça-feira (27 de outubro), cumpriu nove mandados de busca e apreensão em São Paulo e Pernambuco.

A investigação examina decisões tomadas entre 2022 e 2024 pelo Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais de São Roque, conhecido como São Roque Prev.

O prejuízo estimado pela Polícia Federal é de aproximadamente R$ 121 milhões. A Justiça determinou o bloqueio de valores equivalentes em desfavor dos investigados, como medida patrimonial relacionada à apuração.

Como os recursos da previdência foram investidos?

Os investigadores analisam aplicações de R$ 80 milhões em letras financeiras e de R$ 20 milhões em um fundo de investimento imobiliário. Parte dos recursos do instituto também foi direcionada ao Banco Master, instituição que já havia sido objeto de investigação parlamentar no município.

As suspeitas envolvem a maneira como essas aplicações foram decididas.

A Polícia Federal aponta que os investimentos teriam sido sustentados por pareceres técnicos genéricos, sem justificativas adequadas para os riscos assumidos.

As decisões também teriam desconsiderado a comparação com outras opções de investimento, a diversificação da carteira e antecedentes administrativos relevantes.

Outro ponto investigado é a possibilidade de os responsáveis terem escolhido previamente os emissores dos investimentos, antes mesmo da análise técnica dos riscos.

Qual é a relação com o Banco Master?

Os investimentos do São Roque Prev no Banco Master já haviam chamado a atenção da Câmara Municipal de São Roque. Uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) concluiu, em julho, a análise de aplicações realizadas pelo instituto.

O relatório parlamentar apontou aportes superiores a R$ 93 milhões em letras financeiras do banco ao longo de 2024, além de outros R$ 20 milhões em um fundo imobiliário relacionado ao grupo financeiro.

A preocupação central era a concentração de recursos previdenciários em determinados ativos e instituições. Investimentos pouco diversificados podem expor uma carteira a perdas elevadas quando um emissor enfrenta dificuldades financeiras.

É importante distinguir os valores: os R$ 100 milhões correspondem às aplicações examinadas na operação policial, enquanto os R$ 121 milhões representam o prejuízo estimado pela investigação. Não se trata de dois montantes que devam ser somados.

Quais crimes estão sendo investigados?

A Operação Entressafras apura suspeitas de gestão fraudulenta, peculato financeiro, lavagem de dinheiro e crimes contra a administração pública.

A investigação busca identificar quem participou das decisões, quais critérios foram utilizados e se houve favorecimento ou outras irregularidades na administração dos recursos.

Os mandados de busca e apreensão permitem recolher documentos, equipamentos e outros elementos que possam ajudar a esclarecer os fatos.

A realização da operação não significa que os investigados tenham sido condenados. A eventual responsabilização dependerá das provas reunidas e das etapas legais do processo.

Por que a investigação importa para os servidores?

O dinheiro administrado pelo São Roque Prev está ligado à proteção previdenciária de servidores municipais. Por isso, decisões sobre investimentos precisam considerar não apenas a possibilidade de rendimento, mas também a segurança e a capacidade de cumprir obrigações futuras.

Quando valores elevados são concentrados em aplicações arriscadas, eventuais perdas podem comprometer a situação financeira do regime previdenciário.

A investigação coloca em discussão a qualidade dos controles que devem proteger recursos destinados às aposentadorias e pensões. Pareceres consistentes, avaliação independente de riscos e transparência nas decisões são mecanismos importantes para evitar que esse patrimônio fique excessivamente exposto.

O esclarecimento das suspeitas será necessário para determinar responsabilidades e dimensionar as consequências financeiras para o instituto. Até lá, a distinção entre investimento realizado, prejuízo estimado e valores efetivamente recuperados continua essencial para compreender o caso.

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