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Arte Baiana expõe joias de resistência e alforria

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Reportagem:
Repórter: Paulo Andrade

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Os balangandãs, peças adornadas com pingentes que unem o cristianismo e as religiões de matriz africana, são a inspiração central da artista baiana Nádia Taquary. Sua nova exposição, intitulada Ònà Irin: caminho de ferro, está em cartaz no Sesc Belenzinho, em São Paulo.

A mostra reúne 22 obras de diferentes fases da artista. Assim, ela homenageia o orixá Ogum, o feminino e o sagrado perpetuado por mulheres.

Joias que Eram Economia de Libertação

Taquary explica o peso histórico dos balangandãs. De fato, essas peças estão diretamente ligadas ao chamado pecúlio, que representava a tentativa dos escravizados de conquistar a própria liberdade. Para juntar valores suficientes para a alforria, eles podiam somar doações, legados e heranças. Mais do que isso, muitas vezes ajudavam outros cativos a se salvarem da cruel engrenagem da escravidão.

“Não vejo nada ligado a acessório, vejo tudo aqui ligado à história”, pontuou a artista à Agência Brasil. Em outras palavras, mesmo parecendo uma penca de pingentes, o balangandã nunca foi apenas um ornamento. “Foi uma forma de pecúlio no próprio corpo, um corpo que precisava, mesmo tendo dono, ser o guardador de sua própria economia”, explicou.

Protagonismo Feminino e Iorubá

A artista iniciou sua pesquisa sobre joalheria afro-brasileira em 2010. Consequentemente, Taquary materializa o feminino e o divino em diversas linguagens, como instalações, esculturas e videoinstalação. A artista distribui pelo salão escuro da unidade do Sesc seus elementos lampejantes, as mulheres-pássaros e, o mais importante, a força de quem sobrevivia ao impossível.

Taquary recebeu um balangandã de seu pai na infância. A peça pertencia à sua bisavó, avó e mãe. Contudo, apenas com mais maturidade e uma visita ao Museu Carlos e Margarida Costa Pinto, na Bahia, a artista compreendeu a tradição iorubá carregada na joia.

“Eu pude adentrar essa história, e a partir dela, foi um contínuo sobre a presença feminina”, disse. Ademais, ela destaca que, diante de uma sociedade escravocrata e sexista, “essas mulheres ascendem dentro de um sistema completamente desfavorável”.

Opulência e Identidade

Os balangandãs — também conhecidos por nomes africanos como balançançan e barangandãs — eram feitos de ouro e prata. Eram, portanto, peças ligadas ao contexto da escravidão no Brasil Colônia, território ultramarino de Portugal.

Taquary tem a obra Ìrókó: Árvore Cósmica também em exposição na 36ª Bienal de São Paulo, no Parque Ibirapuera. Ela ressalta que, mesmo explorando novas linguagens, mantém sua premissa central. “O protagonismo preto na joalheria afro-brasileira está pleno na exposição”, afirma.

Por fim, a artista explica a estética de sua obra: “No caso de toda a joalheria da minha obra, ela vem muito com uma referência de opulência, dessa estética ostentatória da joalheria africana, do povo akan”. No Brasil Colônia, era proibido chamar a atenção do colo para baixo. Todavia, essa joalheria servia para afirmar uma identidade e uma nova necessidade de se posicionar.

Serviço

Ònà Irin: caminho de ferro, de Nádia Taquary

  • Local: Sesc Belenzinho – Rua Padre Adelino, 1000. Belenzinho – São Paulo
  • Período: Até 22 de fevereiro de 2026
  • Horário: Terça a sábado, das 10h às 21h. Domingos e feriados, das 10h às 18h
  • Entrada: Gratuita
  • Telefone: (11) 2076-9700
  • Site: sescsp.org.br/Belenzinho

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