Mais brasileiros compraram livros em 2025
O mercado editorial brasileiro ganhou fôlego em 2025, ao menos no indicador mais imediato de consumo: 18% da população com 18 anos ou mais comprou pelo menos um livro nos últimos 12 meses. Isso representa dois pontos percentuais a mais do que em 2024 e cerca de 3 milhões de novos compradores no período. O avanço é real, mas também pede cautela: ele mostra recuperação do consumo, não uma virada estrutural definitiva do setor.
A própria pesquisa indica que o crescimento teve motores bem identificáveis. Os livros de colorir alcançaram 7,1% da população adulta, algo em torno de 11 milhões de pessoas, o equivalente a 40% dos consumidores de livros. Ao mesmo tempo, a ficção, especialmente os títulos Young Adult, apareceu como peça importante para puxar a alta, sobretudo entre públicos mais jovens e mais conectados ao ambiente digital.
Compra de livros avança com redes sociais e mercado híbrido
A pesquisa mostra que o consumo do livro hoje passa fortemente pelo ambiente digital. 56% dos consumidores afirmam fazer compras por meio das redes sociais, e 70% dizem acompanhar lançamentos, principalmente por sites de compras, indicação de pessoas próximas, livrarias e criadores de conteúdo. Na última compra, 80% adquiriram livro impresso e 20% optaram pelo digital, enquanto, entre os impressos, a divisão ficou praticamente no meio: 53% online e 47% presencialmente.
O dado mais interessante talvez esteja menos no volume e mais no perfil de quem compra. As mulheres representam 61% dos consumidores de livros, e o levantamento aponta que as mulheres pretas e pardas da classe C formam hoje o maior grupo consumidor do país. Entre os jovens de 18 a 34 anos, houve avanço de 3,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior, o que reforça a hipótese de que comunidades virtuais e recomendação social têm funcionado como porta de entrada para novos leitores.
Compra de livros ainda esbarra em preço e falta de livrarias
O problema é que a melhora convive com um gargalo antigo. Se 18% compraram, isso significa que a ampla maioria adulta continuou fora desse mercado em 2025. Entre os que não compraram, cerca de 35 milhões de pessoas, ou 28%, disseram ter sido desmotivadas pela falta de livraria ou loja por perto. Outros 35% apontaram o preço como principal barreira. Em outras palavras, o consumo cresceu, mas o acesso segue travado por geografia comercial e poder de compra.
Há ainda uma frente desconfortável para o setor: 16,3% dos não compradores disseram ter recorrido a livros digitais gratuitos, e 16,1% afirmaram acessar PDF gratuito. Parte disso, segundo a leitura apresentada pela Nielsen BookData, está ligada à pirataria, mas também revela uma demanda que existe e não está sendo convertida em compra formal. O mercado, portanto, não enfrenta apenas falta de interesse; enfrenta também incapacidade de capturar leitores que já circulam por conteúdos escritos, ainda que fora do circuito regular.
Quando o crescimento deixa de ser festa e vira diagnóstico
O retrato de 2025 é melhor que o de 2024, mas ainda está longe de autorizar euforia. O setor pode comemorar o ganho de consumidores, o peso das redes sociais e a força de nichos como colorir e ficção jovem. Só que o mesmo estudo mostra que o livro continua cercado por obstáculos muito concretos: preço, ausência de pontos de venda e um ecossistema em que o digital ajuda a divulgar, mas não resolve sozinho o problema do acesso.
No fundo, o dado desta semana entrega uma verdade menos glamourosa e mais útil. O livro continua relevante no Brasil, sim. Mas relevância cultural não se traduz automaticamente em mercado amplo. Quando faltam livrarias, quando o preço afasta e quando parte do consumo escorre para a gratuidade irregular, o crescimento aparece mais como sinal de potencial reprimido do que como prova de maturidade consolidada. O setor ganhou leitores compradores; agora precisa mostrar que consegue não perdê-los no caminho entre desejo, descoberta e acesso real.
Fontes e documentos:
– Consumo de livros cresce no Brasil e alcança mais 3 milhões de novos compradores em 2025 (CBL)
– Número de consumidores de livros aumenta e chega a 18% da população (Agência Brasil)

