Publicidade
InícioBrasilIbama fecha cerco ao comércio de barbatanas de tubarão

Ibama fecha cerco ao comércio de barbatanas de tubarão

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Paulo Andrade

Cobertura relacionada

Festa de Nossa Senhora Aparecida reúne fiéis na Esplanada

Esplanada dos Ministérios recebeu celebração de Nossa Senhora Aparecida com oração, corrida, atividades infantis, missa solene, procissão luminosa e show de Frei Gilson.

Jornalistas sofreram 14 mil ataques nas eleições

Levantamento identificou mais de 14 mil ataques contra jornalistas e veículos no X e Instagram durante o primeiro turno das Eleições 2026.

Mercado eleva previsão da inflação para 5,22% em 2026

Boletim Focus mostra quarta alta seguida na projeção do IPCA de 2026, manutenção do PIB em 1,85% e queda da estimativa da Selic.

Agências do Trabalhador têm 751 vagas nesta quarta-feira 14/10

DF tem 751 vagas nas Agências do Trabalhador nesta quarta-feira 14/10, com destaque para oportunidades no Guará.

Anvisa aprova novo medicamento para lúpus

Gazya, à base de obinutuzumabe, ganha nova indicação para adultos com lúpus ativo moderado a grave.

Afogamentos no Lago Paranoá reacendem alerta sobre segurança

Mortes no Lago Paranoá expõem riscos de banho, esportes náuticos e navegação, com orientações de prevenção e segurança.
Publicidade

Nova regra barra exportação de barbatanas soltas do tubarão-azul

O Ibama anunciou uma mudança que atinge em cheio um dos pontos mais sensíveis do comércio internacional de tubarões: o Brasil vai proibir a exportação de barbatanas de tubarão-azul fora do corpo do animal. A medida foi apresentada na quinta-feira, 26 de março de 2026, durante a COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, em Campo Grande, e, segundo o governo, será publicada no Diário Oficial da União nesta sexta, 27 de março, com entrada em vigor prevista em sete dias.

O ponto central aqui exige precisão. O anúncio não cria do zero uma proibição da prática de finning, que já era vedada no país, nem equivale simplesmente a uma nova proibição genérica de pesca. O que o governo fez foi endurecer as regras de exportação, importação e reexportação do tubarão-azul, incluindo a vedação expressa à saída de barbatanas separadas do corpo, além de novas exigências de rastreabilidade, controle sanitário e sustentabilidade.

O que muda com a nova norma do Ibama

Segundo o texto divulgado por Ibama e Ministério do Meio Ambiente, a instrução normativa também veda a retenção de fêmeas e de indivíduos jovens, cria limite máximo de captura por cruzeiro de pesca destinado ao comércio exterior e restringe as operações a recintos aduaneiros específicos. Além disso, a norma consolida e substitui três regras anteriores, unificando o marco regulatório da espécie no país.

Na prática, o governo está apertando a porta de saída comercial de um produto altamente valorizado no mercado asiático e impondo filtros mais severos para comprovar origem legal e exploração não prejudicial à sobrevivência da espécie. O próprio material oficial informa que a norma exigirá licenças CITES e avaliação técnico-científica para comércio internacional de espécimes, partes, produtos e subprodutos do Prionace glauca, nome científico do tubarão-azul.

A base internacional por trás da decisão

O endurecimento brasileiro não surgiu por impulso isolado. O tubarão-azul foi incluído no Anexo II da CITES em 2023, o que submete seu comércio internacional a controles formais. Já a CMS, convenção da ONU voltada à conservação de espécies migratórias, funciona como espaço em que os países aprovam planos de ação, atualizam listas de proteção e definem medidas que depois precisam ser internalizadas em políticas nacionais.

Foi justamente nesse ambiente, durante a COP15, que o Brasil apresentou a nova regra como resposta a compromissos multilaterais de conservação. O governo sustenta que a medida fortalece a implementação dos acordos internacionais e amplia o controle sobre a exploração comercial da espécie.

O que o governo tenta atacar de fato

Ao proibir a exportação da barbatana separada do corpo, o Brasil tenta atingir um elo comercial especialmente lucrativo e sensível da cadeia. Isso importa porque o valor econômico da barbatana, historicamente, estimulou distorções no comércio e na fiscalização. O próprio Ibama já havia aplicado multas por transporte ilegal de barbatanas de tubarão no Maranhão em 2024, em carga destinada à exportação que incluía tubarões-azuis e tubarões-martelo.

Também convém notar o tamanho da mudança regulatória: antes do anúncio desta semana, o próprio portal do Siscomexjá registrava a existência de regras específicas para exportação, importação e reexportação do tubarão-azul, fixadas em 2023 e alteradas em 2024 e 2025. O que ocorre agora é um endurecimento desse regime, com ênfase maior sobre comércio de subprodutos, retenção de animais vulneráveis e rastreabilidade.

Quando a proteção sai do discurso e entra na alfândega

O anúncio tem peso político porque desloca a discussão da retórica ambiental para o ponto onde muita conservação costuma fracassar: a alfândega, a documentação e a prova de origem. Proibir barbatanas soltas é menos vistoso do que discurso de conferência internacional, mas tende a ser mais efetivo do que boa parte dos manifestos solenes que terminam em foto oficial e seguem viagem. A eficácia real, porém, dependerá da fiscalização nos portos, da integração entre órgãos e da capacidade de rastrear a cadeia sem transformar regra dura em papel ornamental. Essa é uma inferência editorial baseada no conteúdo da nova norma e no histórico regulatório já existente.

O que fica de pé depois do anúncio

O recado do Ibama é claro: o país quer dificultar o comércio internacional de um subproduto valioso sem se limitar à velha fórmula de proibir no papel e tolerar na prática. Ainda assim, é importante não inflar o escopo. A notícia principal não é “Brasil acaba com a pesca do tubarão-azul”, mas sim “Brasil endurece fortemente o comércio exterior da espécie e trava a exportação de barbatanas soltas”. Em tema ambiental, precisão importa tanto quanto proteção — às vezes até mais, porque uma norma mal explicada vira ruído; uma norma bem entendida vira instrumento de cobrança.

Fontes e documentos:

– Governo do Brasil anuncia novas regras para o comércio internacional do tubarão-azul (Ibama)
– Governo do Brasil anuncia novas regras para o comércio internacional do tubarão-azul (MMA)
– COP15 no Brasil entenda o papel da conferência na proteção global das espécies migratórias (MMA)
– Ibama — legislação no Siscomex (Governo Federal)
– Exportação de barbatana do tubarão-azul é proibida no Brasil (Agência Brasil)
– Notification to the Parties 2023 — CITES listing de Prionace glauca (CITES)
– Ibama aplica mais de meio milhão de reais em multas por transporte ilegal de barbatanas de tubarão no Maranhão (Ibama)

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.