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Crianças correm mais risco após picada de escorpião

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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Morte de menina no DF reforça alerta para atendimento rápido e acesso ao soro antiescorpiônico

Casos graves de envenenamento por escorpião reacenderam o alerta sobre a vulnerabilidade de crianças.

A morte de Valentina Nobre Lima, de 11 anos, após ser picada por um escorpião no Distrito Federal, expôs a urgência do atendimento rápido e do acesso ao soro antiescorpiônico.

Segundo relatos divulgados sobre o caso, a menina foi picada ao calçar um sapato. A família procurou socorro, e o soro só foi administrado em um hospital regional. Depois, Valentina foi encaminhada para uma unidade de terapia intensiva.

Ela foi intubada, permaneceu em coma induzido por 24 dias e morreu no domingo, 5 de julho.

O caso é investigado e acompanhado pelas autoridades de saúde.

Crianças recebem dose proporcionalmente maior de veneno

O Brasil tem mais de 170 espécies de escorpião, mas algumas têm maior importância para a saúde pública.

O escorpião-amarelo é o principal motivo de preocupação no país por sua ampla distribuição, adaptação ao ambiente urbano e maior potencial de gravidade.

De acordo com o Ministério da Saúde, crianças são o grupo mais suscetível ao envenenamento sistêmico grave.

Isso ocorre porque a quantidade de veneno inoculada pode ser semelhante à recebida por um adulto, mas se distribui em um corpo com menor peso.

Na prática, a dose de toxina por quilo é maior.

A pediatra Joelma Gonçalves Martin, especialista da Sociedade Brasileira de Pediatria, explica que o veneno é agressivo e pode atingir rapidamente o organismo infantil.

Crianças também têm menor reserva fisiológica para suportar alterações cardíacas, respiratórias e neurológicas.

Sintomas podem evoluir em poucas horas

A picada costuma provocar dor intensa e imediata.

O sinal na pele pode ser discreto, o que dificulta a identificação visual do acidente.

Mesmo assim, dor forte após contato suspeito com escorpião deve ser tratada como urgência, principalmente em crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas.

Segundo o Ministério da Saúde, manifestações sistêmicas podem surgir entre minutos e poucas horas após a picada, especialmente em crianças.

Entre os sinais de alerta estão sudorese intensa, agitação, tremores, náuseas, vômitos, salivação excessiva, alterações de pressão, arritmia, insuficiência cardíaca, edema pulmonar e choque.

A pediatra também cita taquicardia, bradicardia, sonolência, convulsão, falta de resposta neurológica, dor abdominal e falta de ar como sintomas de agravamento.

Nesses casos, o tempo entre a picada e o atendimento adequado pode fazer diferença no desfecho.

Soro deve ser aplicado em hospital

O tratamento específico dos casos moderados e graves é feito com soro antiescorpiônico.

Na ausência dele, pode ser usado o soro antiaracnídico indicado para acidentes por Loxosceles, Phoneutria e Tityus, conforme avaliação médica.

O Ministério da Saúde orienta que os soros sejam administrados em ambiente hospitalar e sob supervisão profissional.

Isso é necessário porque o paciente precisa de monitoramento clínico e pode apresentar reações ou evolução rápida do quadro.

Por isso, famílias devem saber previamente qual é a unidade de referência mais próxima para soroterapia.

O atendimento inicial pode ser acionado pelo Samu 192 ou pelo Corpo de Bombeiros 193, que podem transportar o paciente ao serviço adequado.

A Secretaria de Saúde de cada estado é responsável por manter atualizada a lista de hospitais de referência.

No DF, escorpião é o principal causador de acidentes

No Distrito Federal, a Secretaria de Saúde informa que o escorpião é responsável pela maioria dos acidentes por animais peçonhentos.

O escorpião-amarelo é o mais comum na região.

Também podem ser encontrados o escorpião preto e o escorpião de patas rajadas.

A Secretaria de Saúde do DF orienta lavar o local da picada com água e sabão, elevar o membro afetado e procurar atendimento médico imediatamente.

A pasta também informa que, em casos de ataque por escorpião, aranha, lagarta ou lacraia, a Vigilância Ambiental pode ser acionada pelo telefone 160 ou pelo e-mail gevapac.dival@gmail.com para agendamento de inspeção.

Após o agendamento, equipes podem vistoriar residências, coletar animais encontrados e identificar condições que favorecem abrigo, acesso e alimentação de escorpiões.

O que fazer após a picada

A primeira providência é buscar atendimento médico imediatamente.

Lavar o local com água e sabão pode ajudar, desde que isso não atrase a ida ao serviço de saúde.

Também é possível elevar o membro atingido.

Se possível, a pessoa pode levar uma foto do escorpião para auxiliar a identificação, sem tentar capturar o animal com risco de nova picada.

Não se deve cortar, furar, sugar, espremer ou aplicar substâncias no local.

Também não se deve usar torniquete.

Medidas caseiras atrasam o atendimento e não neutralizam o veneno.

Em criança, a orientação prática é simples: suspeitou de picada de escorpião, procure atendimento imediatamente. Esperar para “ver se melhora” é uma aposta ruim.

Prevenção começa dentro de casa

A prevenção depende de limpeza, vedação e atenção a objetos onde escorpiões podem se esconder.

O Ministério da Saúde recomenda manter lixo domiciliar em recipientes fechados, evitar acúmulo de entulho, folhas secas e materiais de construção, limpar quintais e jardins e combater insetos que servem de alimento aos escorpiões.

Também é importante vedar frestas, ralos, caixas de gordura, caixas de esgoto e passagens por onde os animais possam entrar.

Camas e berços devem ficar afastados das paredes.

Roupas de cama, mosquiteiros e panos não devem tocar o chão.

Antes de vestir roupas ou calçar sapatos, especialmente os que ficaram parados ou próximos ao chão, é recomendável sacudir e verificar o interior.

Essa orientação vale principalmente para crianças.

Sapato esquecido no chão pode parecer detalhe doméstico. Para o escorpião, pode virar esconderijo.

Escorpião encontrado deve ser comunicado à vigilância

Ao encontrar escorpiões em casa ou no entorno, o morador deve comunicar a Vigilância Ambiental.

A presença de um animal pode indicar condições favoráveis para outros.

O escorpião-amarelo se adapta bem ao ambiente urbano e pode se reproduzir por partenogênese, mecanismo em que fêmeas geram descendentes sem fecundação.

Isso facilita a multiplicação e dificulta o controle quando há abrigo e alimento disponíveis.

A orientação técnica é evitar manuseio direto e não tentar resolver infestações com medidas improvisadas.

Controle efetivo exige vistoria, eliminação de esconderijos, redução de insetos e correção de pontos de acesso.

Relacionadas, fontes e documentos:

– Vacina contra VSR reduz internações em idosos (Fonte em Foco)
– Fiocruz melhora vacina ampla contra malária (Fonte em Foco)
– Tabagismo é 76% maior entre homossexuais e bissexuais (Fonte em Foco)
– Anvisa proíbe Artro100 e recolhe lotes de creatina (Fonte em Foco)
– Acidentes por Escorpiões (Ministério da Saúde)
– Acidentes por Animais Peçonhentos (Secretaria de Saúde do Distrito Federal)
– Picada de escorpião saiba os cuidados e o que fazer em caso de acidente (Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde)

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