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Feira no Riacho Fundo une renda, capacitação e campo

Publicado em:

Repórter: Fabíola Fonseca

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Evento no Riacho Fundo aposta em qualificação e venda local

O Riacho Fundo I recebe, entre 9 e 14 de março de 2026, a Feira do Trabalho e do Campo, iniciativa voltada à qualificação profissional, geração de renda e valorização da produção local. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda do DF (Sedet-DF), a programação reúne cursos, oficinas, palestras e espaços de comercialização para agricultores familiares, artesãos e microempreendedores. A ação ocorre durante a Semana Internacional da Mulher e incorpora atividades voltadas ao protagonismo feminino.

A feira é realizada pelo Instituto Acolher, em parceria com a Sedet-DF e com apoio da Administração Regional do Riacho Fundo I. No discurso oficial, o evento combina economia solidária, capacitação e desenvolvimento comunitário. Na prática, o governo tenta transformar uma agenda de formação em vitrine de política pública local, conectando produção, renda e mobilização social numa região em que oportunidades concretas costumam valer mais do que slogans bem embalados.

Semana da Mulher vira eixo político e social da programação

A edição do Riacho Fundo foi encaixada na agenda da Semana Internacional da Mulher, com destaque para o Café da Manhã de Mulheres, marcado para 10 de março. A atividade foi apresentada como espaço de encontro, acolhimento e fortalecimento de redes entre empreendedoras, trabalhadoras e lideranças locais. A escolha do foco não é casual: o evento tenta associar qualificação e geração de renda à valorização do trabalho feminino em territórios populares, onde o empreendedorismo muitas vezes nasce menos de vocação romântica e mais de necessidade objetiva.

Além disso, a programação inclui temas como economia solidária, sustentabilidade, tecnologias sociais, educação financeira e desenvolvimento pessoal. É um cardápio coerente com políticas de inclusão produtiva, embora o resultado real dependa menos do número de oficinas e mais da capacidade de converter capacitação em renda recorrente. Curso sem mercado vira certificado de gaveta; curso com circulação econômica pode virar ponte de autonomia.

Oficinas, feira e venda direta tentam girar dinheiro na própria comunidade

De acordo com a programação oficial, a feira oferece visitação, oficinas temáticas e comercialização de produtos rurais e artesanato regional ao longo da semana. Entre os temas previstos estão upcycling, embalagem sustentável, feiras solidárias, força do coletivo, tecnologias sociais locais e finanças pessoais. O encerramento, no sábado, inclui entrega de certificados, apresentações artísticas e uma palestra sobre saberes e cultura.

O ponto mais relevante, porém, está menos no palco e mais na circulação de renda. Ao abrir espaço para pequenos produtores e empreendedores venderem diretamente ao público, a feira tenta manter dinheiro dentro da própria comunidade e reforçar cadeias curtas de produção e consumo. É uma lógica simples e inteligente: quando o território produz, vende e consome localmente, ele reduz dependência externa e ganha algum fôlego econômico. Não resolve tudo, claro, mas já faz mais do que muita política que adora inaugurar banner e esquecer resultado.

Campanha solidária amplia escopo e mira apoio a Juiz de Fora

Durante toda a feira, também haverá uma campanha solidária de arrecadação para a população de Juiz de Fora (MG), com coleta de roupas em boas condições, alimentos não perecíveis, água potável e materiais de higiene. Segundo a divulgação oficial, os pontos de coleta funcionarão no espaço da feira e na sede do Instituto Acolher. A decisão amplia o escopo do evento e adiciona um componente de mobilização humanitária a uma agenda que já tinha foco em empreendedorismo e capacitação.

Esse acréscimo ajuda a projetar o evento para além do circuito comercial. Também cumpre uma função política importante: transforma a feira em ambiente de pertencimento comunitário, não apenas de exposição de produtos. Quando esse tipo de ação funciona, a comunidade não aparece só como público consumidor, mas como rede ativa de apoio. Quando não funciona, vira cenário de boa intenção. O julgamento, como sempre, depende da execução.

Divulgação oficial e posts do evento mostram pequena divergência de serviço

Há, no entanto, um detalhe de serviço que merece registro. A página oficial da Sedet-DF informa que a feira será realizada ao lado da Administração Regional do Riacho Fundo I e apresenta uma programação detalhada por dia. Já postagens do Instituto Acolher nas redes sociais indicam o Quadradão em frente ao Conselho Tutelar e divulgam a faixa geral de 8h às 18h. Como os materiais convergem sobre datas, gratuidade e conteúdo, mas divergem na referência exata do ponto e no recorte de horário, o ideal para o público é conferir os canais oficiais antes de sair de casa.

Esse tipo de desencontro parece pequeno, mas não é irrelevante. Em evento comunitário, informação confusa derruba presença, compromete oficina e reduz adesão. Política pública local também se mede por detalhe operacional: quem quer mobilizar território precisa comunicar melhor do que improvisa.

Fontes e documentos:
Semana Internacional da Mulher ganha programação especial com a Feira do Trabalho e do Campo no Riacho Fundo I (Sedet-DF)
– A Feira do Trabalho e do Campo chegou ao Riacho Fundo I (Instituto Acolher DF / Instagram)
– Participe da Feira do Trabalho e do Campo: local, data e horário (Instituto Acolher DF / Instagram)

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