Hfaus vira referência no DF após 5 mil animais atendidos
Gambá-de-orelha-branca, coruja-buraqueira, sagui-de-tufos-pretos e periquitos de várias espécies deixaram de ser “casos perdidos” para virar prontuário, cuidado e alta. Em quase dois anos de funcionamento, o Hospital e Centro de Reabilitação de Fauna Silvestre do DF, o Hfaus, ultrapassou 5 mil animais atendidos de 222 espécies, com predominância de mamíferos (71%), seguidos de aves (23%) e répteis (6%).
Atendimento 24 horas e foco em devolver à natureza
Inaugurado pelo Governo do Distrito Federal em março de 2024, o Hfaus funciona em regime 24 horas por dia, sete dias por semana, com uma meta clara: reabilitar e reintroduzir a fauna na natureza, e não transformar o hospital em “moradia definitiva”.
A rotina descrita pela equipe inclui triagem veterinária, exames, dieta específica e enriquecimento ambiental para estimular comportamentos naturais. Segundo a gestão do hospital, a alta só ocorre quando o animal apresenta condições clínicas e comportamentais compatíveis com a vida em liberdade.
Modelo de gestão e recursos já aplicados
O Hfaus é vinculado ao Instituto Brasília Ambiental e opera com gestão da Sociedade Paulista de Medicina Veterinária, em um modelo que o governo local apresenta como pioneiro no país. O balanço divulgado informa que cerca de R$ 5 milhões já foram repassados para o funcionamento do equipamento.
Por que os animais chegam ao hospital
Entre as portas de entrada mais frequentes, o hospital aponta cuidados com filhotes, além de lesões e fraturas, muitas vezes associadas a atropelamentos e incidentes em áreas urbanas. Também há sazonalidade, com meses de maior demanda no período de seca, quando queimadas e estresse ambiental pesam no resgate.
Integração com Ibama e rede de parceiros
O hospital atua de forma integrada ao Ibama e ao Cetas, que são estruturas responsáveis por receber animais apreendidos, resgatados ou entregues voluntariamente, além de conduzir triagem, recuperação, reabilitação e destinação. No DF, a articulação com o Cetas-DF aparece como peça central para encaminhamento e soltura.
Além disso, órgãos como BPMA-DF, UnB, Zoológico de Brasília e outras instituições podem encaminhar animais para atendimento, conforme descrito no material institucional do serviço.
Mudança de endereço está no radar
Com o aumento da demanda, há expectativa de transferência do Hfaus para um espaço maior, preferencialmente em unidade de conservação administrada pelo Brasília Ambiental, para ampliar estrutura e fortalecer a etapa de reabilitação comportamental com menos contato humano.
O que fazer ao avistar um animal silvestre no DF
A orientação reforçada pelos órgãos é não tentar capturar ou “socorrer na mão”, porque isso aumenta o risco de acidentes e estressa o animal. O encaminhamento recomendado é acionar os canais de emergência: 190 (BPMA) ou 193 (Corpo de Bombeiros).
Links relacionados
– Hfaus – Atendimento e Reabilitação da Fauna Silvestre
– Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas)

