Novo PDOT é lei e começa a fase em que a conta chega
O governador Ibaneis Rocha sancionou na segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, a Lei Complementar que revisa o Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) do Distrito Federal, encerrando um ciclo de debates iniciado em 2019 e colocando em vigor o principal marco de planejamento urbano do DF para a próxima década.
A narrativa oficial vende “cidade organizada” e “moradia de interesse social”. Agora, porém, começa o trecho mais sensível: a implementação, onde o PDOT deixa de ser promessa e vira disputa concreta por solo, infraestrutura, licenciamento e preservação.
O que o PDOT muda na prática
O PDOT é o instrumento que define diretrizes para uso e ocupação do território, abrangendo áreas urbanas e rurais, zonas ambientalmente sensíveis e parâmetros para expansão e moradia. Em resumo: ele desenha o “onde pode”, “como pode” e “com que condicionantes”.
Na sanção, o governo destacou três eixos políticos: regularização, novas áreas de expansão e foco em habitação de interesse social.
Regularização e expansão sob holofotes
Reportagens locais apontam que o texto aprovado pavimenta a regularização de 28 áreas, além de reorganizar diretrizes para crescimento e ocupação do DF. Esse é o tipo de ponto que interessa diretamente a quem vive (ou investe) em regiões com pendências fundiárias e insegurança jurídica.
O discurso do governo na cerimônia
Ibaneis Rocha afirmou que o plano busca “regularizar o que estava irregular”, ampliar áreas de expansão e priorizar moradia de interesse social. Já o secretário Marcelo Vaz (Seduh-DF) disse que a lei “traça o rumo do crescimento” pelos próximos dez anos e orienta planejamento e gestão sustentável do território.
A vice-governadora Celina Leão também associou a revisão do PDOT à ideia de “cidade moderna” e “leis atualizadas”.
O que sabemos e o que ainda falta responder
O que sabemos: a revisão atualiza o PDOT anterior (de 2009), foi construída desde 2019 e agora passa a orientar a política urbana e territorial do DF pelos próximos dez anos.
O que falta responder (e vai definir se a lei melhora a cidade ou só redistribui vantagens): quais áreas, exatamente, entram como expansão e regularização no texto final; quais salvaguardas ambientais e de mobilidade serão exigidas; qual o cronograma de regulamentações e instrumentos complementares; e como o governo vai evitar que o plano vire um atalho para pressão imobiliária sem infraestrutura.
Por que essa sanção é “histórica” e por que isso não basta
Ela é histórica porque mexe no marco-mãe do ordenamento territorial. Só que história não paga drenagem, transporte nem escola. Se a execução não vier junto, a cidade cresce no mapa e encolhe na qualidade de vida. O PDOT pode ser a ponte para um DF mais justo, mas também pode virar uma avenida para conflitos fundiários e ambientais se o controle social ficar só no discurso.
Fontes e documentos:
– Sancionado, novo Pdot atualiza planejamento urbano do DF para os próximos dez anos
– Minuta de Lei Complementar do PDOT

