Diretor e produtor cultural foi um dos nomes da retomada do carnaval de rua
O diretor teatral, roteirista e produtor cultural Nelson Rodrigues Filho, o Nelsinho, morreu na madrugada de quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, no Rio de Janeiro, aos 79 anos. Ele era filho do jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues.
Ao longo de uma trajetória própria nas artes cênicas, Nelsinho também marcou a cultura popular ao se tornar um dos personagens centrais da revitalização do carnaval de rua carioca. Em 1985, ele ajudou a fundar, em Botafogo, o Bloco do Barbas, que se consolidou como símbolo de um carnaval popular, crítico e democrático.
Bloco do Barbas e a virada no carnaval de rua
O Barbas nasceu no entorno de Botafogo e cresceu como referência pela irreverência e pelas críticas políticas que atravessam suas marchinhas e sua presença na rua, em um período em que o carnaval de rua ainda buscava retomar fôlego na cidade.
Em nota publicada nas redes, o Bloco do Barbas e a associação Sebastiana despediram-se de Nelsinho como um dos pilares da organização do carnaval de rua e lembraram sua atuação na defesa do direito de ocupar a cidade com alegria e crítica.
Nota do Ministério da Cultura cita militância e prisão na ditadura
Em nota oficial, o Ministério da Cultura destacou que, durante a ditadura militar, Nelsinho foi militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) e ficou preso por sete anos, experiência que, segundo a pasta, marcou sua vida. O texto ressalta que ele manteve atuação engajada ao longo das décadas, articulando cultura, memória e participação política.
Legado entre teatro, produção cultural e rua
A morte de Nelsinho tem peso que vai além do sobrenome. Na prática, ele ajudou a reabrir espaço para um carnaval de rua mais organizado e mais consciente de si mesmo, num Rio em que a disputa pelo espaço público sempre foi política, mesmo quando tenta se disfarçar de “apenas festa”.
Fontes e documentos:
– Nota de pesar: Nelson Rodrigues Filho (Nelsinho)
– sebastianaoficial e blocodobarbas – Intagram

