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STF proíbe novos penduricalhos para juízes e MP

Publicado em

Reportagem:
Marta Borges

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Novos benefícios para juízes e membros do MP ficam proibidos após decisão do STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, reforçou nesta quarta-feira, 6 de maio, que tribunais e órgãos do sistema de Justiça estão proibidos de criar, implantar ou pagar novos benefícios a juízes e membros do Ministério Público fora dos limites definidos pela Corte.

A decisão mira a tentativa de recriar, por outras rubricas, vantagens remuneratórias ou indenizatórias conhecidas como penduricalhos. Na prática, o recado é direto: mudar o nome do benefício não muda a natureza do gasto. No serviço público, criatividade contábil também precisa obedecer à Constituição.

STF havia limitado verbas extras em março

Em 25 de março, o Supremo decidiu, por unanimidade, limitar indenizações adicionais, gratificações e auxílios pagos à magistratura e ao Ministério Público. A Corte fixou que essas verbas devem observar teto de 35% do subsídio dos ministros do STF, que é referência constitucional e corresponde a cerca de R$ 46,3 mil.

O julgamento buscou uniformizar o tratamento das parcelas pagas além do subsídio e conter a multiplicação de benefícios administrativos. A decisão também tratou da equiparação remuneratória entre magistratura e Ministério Público, ponto sensível porque diferentes órgãos vinham adotando interpretações próprias sobre auxílios e indenizações.

Dino alerta para responsabilidade de gestores

No despacho desta quarta-feira, Dino afirmou que estão vedadas a criação, a implantação e o pagamento de quaisquer parcelas remuneratórias ou indenizatórias sob qualquer rubrica, inclusive as instituídas depois do julgamento do Supremo. O ministro também advertiu que pagamentos ilegais podem gerar responsabilização penal, civil e administrativa de quem autorizar ou liberar os recursos.

A decisão foi assinada também pelos ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, que relataram ações relacionadas ao tema no STF. Dino determinou ainda a notificação de presidentes de tribunais, do procurador-geral da República, do advogado-geral da União, de procuradores estaduais e de defensores públicos sobre a proibição.

CNJ e CNMP aprovaram resolução após julgamento

A reação do Supremo ocorre depois de o Conselho Nacional de Justiça e o Conselho Nacional do Ministério Público aprovarem a Resolução Conjunta nº 14/2026, editada para padronizar parcelas indenizatórias e auxílios no âmbito da magistratura e do Ministério Público. O texto diz cumprir a decisão do STF enquanto não houver lei nacional sobre o tema.

No entanto, a resolução gerou controvérsia porque autorizou pagamentos como auxílio-moradia em hipóteses específicas e gratificação de proteção à primeira infância e à maternidade. Pela decisão anterior do Supremo, auxílios como moradia, natalidade e creche deveriam ser extintos ou absorvidos pelos limites fixados pela Corte.

Esse conflito expõe uma disputa conhecida no Estado brasileiro: a diferença entre cumprir uma decisão e tentar contorná-la por regulamento. Quando o teto vira piso com anexo, o contribuinte percebe antes do contracheque ser explicado.

Transparência será parte da fiscalização

A decisão também reforça a necessidade de controle sobre pagamentos que possam superar o teto constitucional. A cobrança por transparência mensal busca permitir que órgãos de controle, imprensa e sociedade acompanhem quais parcelas estão sendo pagas e com qual fundamento.

Esse ponto é central porque a discussão não trata apenas do valor recebido por integrantes de carreiras jurídicas. O debate envolve previsibilidade orçamentária, igualdade no serviço público e respeito ao teto constitucional. Sem dados claros, a fiscalização vira caça ao tesouro em planilha pública.

Penduralhos colocam teto constitucional em teste

O teto remuneratório existe para limitar o pagamento no serviço público, mas a expansão de verbas indenizatórias criou uma zona de disputa. Muitas parcelas passaram a ser classificadas como indenização, o que permitia pagamentos acima do subsídio formal.

O STF tenta fechar essa brecha ao estabelecer limites e vedar novas rubricas fora da lista autorizada. A decisão de Dino funciona como uma trava preventiva contra a recriação de benefícios logo após o julgamento de março.

Ainda assim, a aplicação concreta dependerá da conduta dos tribunais, dos MPs e dos conselhos nacionais. Se houver resistência administrativa, o tema pode voltar ao Supremo em novas reclamações, questionamentos ou pedidos de cumprimento da decisão.

Corte tenta impedir reedição de benefícios

A nova ordem de Dino não encerra o debate sobre remuneração das carreiras jurídicas, mas delimita o terreno. Qualquer nova vantagem precisará respeitar o que foi decidido pelo Supremo e, quando necessário, aguardar lei nacional adequada.

O ponto público da decisão é simples: verbas pagas com dinheiro público não podem depender de engenharia semântica. Se é remuneração, auxílio ou indenização, deve haver base legal, limite constitucional e transparência. O resto é penduricalho tentando passar pela porta dos fundos.

Fontes e documentos:

– Dino diz que pagamento de novos penduricalhos está proibido (Agência Brasil)
– STF aprova tese que unifica teto salarial e extingue pagamentos extras para magistratura e MP (STF)
– Resolução Conjunta nº 14 de 7 de abril de 2026 (CNMP)
– Símbolo da desconexão entre a classe política e a realidade do cidadão comum (Fonte em Foco)
– STF limita penduricalhos, mas abre extra de até 70% acima do teto (Fonte em Foco)

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