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Projeto fortalece turismo comunitário na Costa Verde

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Reportagem:
Repórter: Paulo Andrade

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Turismo organizado por quem vive no território, respeitando a natureza, a cultura e a população local. Essa é a proposta do turismo de base comunitária (TBC), modelo que o Projeto Roteiro Caiçara vem fortalecendo na Costa Verde do Rio de Janeiro. A iniciativa completou seis meses de atuação em dezembro de 2025 e entra, agora em 2026, na segunda fase do projeto.

Nesta etapa inicial, foram realizadas formações, encontros e articulações diretas com as comunidades, criando as bases para a consolidação dos roteiros turísticos comunitários nos próximos anos.

Comunidades tradicionais no centro do projeto

O projeto envolve 12 comunidades caiçaras e quilombolas, distribuídas entre Paraty e Ilha Grande, em Angra dos Reis. Em Paraty, participam as comunidades do Saco do Mamanguá, Trindade, Parati Mirim, Praia do Sono, Ponta Negra e São Gonçalo. Já em Ilha Grande, integram a iniciativa Bananal, Matariz, Aventureiro, Enseada das Estrelas, Dois Rios e Praia Vermelha.

Na Costa Verde fluminense, o turismo de base comunitária é protagonizado por caiçaras, quilombolas e povos indígenas, com produtos e serviços geridos por indivíduos, famílias e coletivos locais. Mais do que atividade econômica, trata-se de uma estratégia de permanência no território.

Resistência histórica e enfrentamento ao turismo de massa

As comunidades tradicionais convivem, há décadas, com pressões externas. Desde a abertura da BR-101, nos anos 1970, intensificaram-se os processos de grilagem e especulação imobiliária. Nos últimos anos, somaram-se os impactos do turismo de massa, que frequentemente concentra renda e amplia danos ambientais e sociais.

Nesse contexto, o TBC surge como alternativa ao modelo convencional, ao distribuir renda localmente e reduzir impactos, além de reforçar a identidade cultural dos territórios.

Cinco frentes de atuação ao longo de três anos

Com duração total de três anos, o Projeto Roteiro Caiçara atua em cinco frentes principais:
capacitações para o turismo, obras de infraestrutura, manejo de trilhas, definição de roteiros turísticos e conservação da natureza.

Segundo a coordenadora do projeto, Bete Canela, o foco é fortalecer quem já vive e atua no território, e não substituir iniciativas existentes.

“Esse tipo de turismo promovido por empresas de fora já existe. O nosso objetivo é fortalecer as comunidades caiçaras e quilombolas, que estão ali há muito tempo e já oferecem serviços turísticos”, explica.

Turismo que conta histórias, não só paisagens

Para Canela, o diferencial do turismo de base comunitária está no conteúdo da experiência. Não se trata apenas de visitar praias ou cachoeiras.

“Esse turismo conta a história do lugar. Fala das tradições, da culinária, do artesanato. Toda essa riqueza de saberes locais faz parte do roteiro”, afirma.

Ao valorizar cultura, memória e natureza, o projeto aposta em um turismo que gera renda, preserva o território e dá protagonismo às comunidades. Um modelo que cresce devagar, mas com raízes profundas — exatamente como exige a Costa Verde.

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