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São Silvestre 100 anos bate recordes e destaca mulheres

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Reportagem:
Repórter: Janaina Lemos

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A Corrida Internacional de São Silvestre chega à 100ª edição com números históricos e um retrato claro de transformação. Em 2025, 55 mil corredores, vindos de 44 países, confirmaram presença na prova mais tradicional do atletismo de rua brasileiro. É o maior volume já registrado em um século de história. Outro marco chama atenção: 47% dos inscritos são mulheres, o maior índice feminino da trajetória da competição.

O avanço da participação feminina ganhou peso simbólico às vésperas da largada. Atletas brasileiras que figuram entre as favoritas destacaram o significado desse crescimento em um evento que, até 1975, proibia oficialmente mulheres no percurso. Para Núbia de Oliveira, melhor brasileira na edição passada, o cenário atual reforça a motivação e amplia a responsabilidade de quem hoje ocupa o pelotão de elite.

A atleta avaliou que a corrida de rua vive um momento de expansão e de reencontro das mulheres com o esporte de alto rendimento. Na leitura dela, a São Silvestre passou a ser um espaço de superação, em que limites são testados e redefinidos a cada edição.

A também brasileira Jeane dos Santos foi além do aspecto esportivo e trouxe um relato pessoal. Segundo ela, a corrida teve papel decisivo para superar um quadro de depressão e ansiedade. Natural de Santo Antônio de Jesus (BA), Jeane afirmou que se tornou referência local para outras mulheres que passaram a correr inspiradas em sua trajetória. Para a atleta, o esporte representa liberdade e pertencimento — algo que se reflete diretamente no aumento da presença feminina na prova.

Apesar do otimismo, o desafio esportivo segue alto. O Brasil não vence a São Silvestre no feminino desde 2006, e o domínio africano se mantém desde 2016, especialmente com atletas do Quênia. Entre as principais adversárias está Cynthia Chemweno, vice-campeã em 2024, que elogiou o ambiente da prova e a recepção do público brasileiro. Também no radar está a tanzaniana Sisilia Ginoka Panga, estreante no país, que afirmou chegar preparada para competir em alto nível.

No masculino, o jejum brasileiro é ainda mais longo. A última vitória foi em 2010, com Marilson Gomes dos Santos. Desde então, atletas africanos dominam o pódio. Para Johnatas Cruz, melhor brasileiro nas duas últimas edições, a diferença passa menos pelo talento individual e mais pela estratégia coletiva. Ele avalia que corredores africanos treinam e competem em grupo, enquanto os brasileiros seguem, em geral, estratégias isoladas — um fator que pesa em provas longas e táticas como a São Silvestre.

O diagnóstico é compartilhado por Wendell Jerônimo Souza, que defende um pelotão nacional mais organizado desde a largada. Já o queniano Wilson Maina, figura carismática da prova, resumiu a vantagem africana em uma palavra pouco técnica, mas decisiva: união. Para ele, correr junto, treinar junto e competir pensando no grupo fazem diferença real no resultado final.

A São Silvestre 2025 acontece na manhã desta quarta-feira (31) e encerra o calendário esportivo brasileiro. A largada começa às 7h25, com a categoria cadeirantes. Em seguida, entram em cena a elite feminina às 7h40 e a elite masculina às 8h05, junto com atletas com deficiência e o pelotão premium. O percurso mantém os 15 quilômetros, com largada e chegada na Avenida Paulista, passando pela tradicional subida da Brigadeiro Luiz Antônio.

Cem anos depois, a São Silvestre segue sendo mais do que uma corrida. É um termômetro social, esportivo e cultural — agora, com cada vez mais mulheres ocupando o espaço que durante décadas lhes foi negado.

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