back to top
24 C
Brasilia
quarta-feira, 21 janeiro 2026, 08:58:47
Publicidade
Publicidade

USP desenvolve bateria de nióbio em testes industriais

Publicado em:

Repórter: Jack RID

Notícias relacionadas

Buscas por duas crianças no Maranhão chegam ao 12º dia

As buscas por duas crianças desaparecidas em um quilombo...

Seca persiste em SP e ameaça abastecimento no primeiro trimestre

A chuva segue abaixo da média histórica em praticamente...

Vacina brasileira contra dengue imunizará profissionais do SUS

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou neste domingo...

Morre Raul Jungmann, ex-ministro e presidente do IBRAM

O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) informou neste domingo...

Mega-Sena poderá pagar prêmio de R$ 15 milhões na quarta (15)

Ninguém acertou as seis dezenas do Concurso 2251 da...
Publicidade

A Universidade de São Paulo (USP) deu um passo relevante na corrida por novas tecnologias de armazenamento de energia ao desenvolver uma bateria funcional de nióbio, capaz de atingir 3 volts, ser recarregável e operar fora das condições ideais de laboratório. O projeto já entrou na fase de testes industriais, um estágio raro para pesquisas acadêmicas no Brasil.

Segundo o Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), o desenvolvimento começou há dez anos, sob coordenação do professor Frank Crespilho, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC/USP), líder do Grupo de Bioeletroquímica e Interfaces e pesquisador do Instituto Nacional de Eletrônica Orgânica e Sustentabilidade (INCT).

O desafio do nióbio

O maior obstáculo sempre foi conhecido: o nióbio se degrada facilmente em ambientes eletroquímicos convencionais, especialmente na presença de água e oxigênio. Crespilho explica que a solução veio da própria natureza. Em sistemas biológicos, como enzimas e metaloproteínas, metais altamente reativos mudam de estado eletrônico continuamente sem se degradar, porque operam em ambientes químicos rigorosamente controlados.

A partir dessa lógica, o grupo desenvolveu uma espécie de “caixa de proteção inteligente” para o metal, batizada de NB-RAM (Niobium Redox Active Medium). Nesse sistema, o nióbio funciona como um interruptor que alterna seus níveis de forma controlada, sem perder estabilidade. O conceito biológico foi traduzido em engenharia eletroquímica.

Estabilidade virou prioridade

Grande parte do avanço recente é resultado do trabalho da pesquisadora Luana Italiano, da USP, que dedicou dois anos ao refinamento do sistema. Foram dezenas de versões experimentais até alcançar estabilidade, repetibilidade e controle fino dos parâmetros.

Ela explica que o equilíbrio foi o ponto crítico do projeto. Proteção excessiva impede a entrega de energia; proteção insuficiente leva à degradação do material. O sistema final conseguiu funcionar de forma estável não apenas no laboratório, mas também em arquiteturas próximas às utilizadas pela indústria.

Prova de conceito industrial

A tecnologia já conta com protótipo funcional e teve patente depositada pela USP. A bateria alcançou 3 volts, a mesma faixa de tensão da maioria das baterias comerciais atuais.

Em parceria com o pesquisador Hudson Zanin, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o dispositivo foi testado em formatos industriais padrão, como células tipo coin (moeda) e pouch (laminadas flexíveis). Nessas configurações, a bateria passou por diversos ciclos de carga e descarga, confirmando a prova de conceito em ambientes controlados.

Ciência como estratégia nacional

Para avançar à fase final de desenvolvimento, Crespilho defende a criação de um centro multimodal de pesquisa e inovação, envolvendo governos estadual e federal, universidades e startups de base tecnológica.

Segundo ele, a bateria de nióbio mostra que o Brasil pode ir além do papel histórico de exportador de matéria-prima. “O país pode liderar tecnologias, desde que a ciência seja tratada como prioridade nacional”, afirmou.

Não é exagero. Quando a pesquisa sai do laboratório e entra na indústria, ela deixa de ser promessa e começa a virar política de desenvolvimento.

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.