back to top
24 C
Brasilia
domingo, 14 junho 2026, 01:16
Publicidade
Publicidade
InícioBrasilBrasil busca Europa para minerais críticos

Brasil busca Europa para minerais críticos

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Fabíola Fonseca

Cobertura relacionada

Inflação prevista sobe e aperta debate sobre juros

Inflação prevista pelo Focus sobe para 5,11% em 2026 e amplia pressão sobre juros antes da reunião do Copom.

DF incinera 50 toneladas de drogas apreendidas

Destruição de entorpecentes fecha ciclo de investigações contra o...

Dor crônica ganha dia nacional e diretrizes no SUS

Dor crônica ganha dia nacional e diretrizes no SUS, com atendimento integral e campanhas anuais de conscientização.

DF reduz crimes letais e lidera ranking de segurança

Crimes letais colocam o DF na liderança nacional, mas furtos, feminicídio e segurança nas ruas seguem como desafios.

Junho Violeta reforça proteção à pessoa idosa no DF

Junho Violeta terá oficinas e palestras nos polos do Viver 60+ para prevenir violência contra idosos. Veja como denunciar.

Ideia Minha Comunicação: produtos personalizados em acrílico de alto padrão

Idéia Minha Comunicação se consolida como uma referência nacional no mercado de produtos personalizados em acrílico.
Publicidade

Brasil quer parceria europeia para terras raras e tecnologia

O Brasil passou a defender, de forma mais explícita, uma parceria com países europeus para explorar minerais críticos e terras raras, insumos estratégicos para a transição energética, a indústria de alta tecnologia e o setor de defesa. Em Hannover, na Alemanha, o embaixador brasileiro Rodrigo Baena Soares afirmou que o interesse do país não é repetir o velho modelo de exportar matéria-prima bruta, mas atrair cooperação com transferência de tecnologia, agregação de valor e participação de empresas brasileiras na cadeia produtiva.

A fala ocorreu durante a apresentação da Hannover Messe 2026, maior feira industrial do mundo, marcada para 20 a 24 de abril, e que terá o Brasil como país parceiro. A ApexBrasil informa que o pavilhão brasileiro reunirá empresas, instituições e representantes do governo, enquanto a organização da feira descreve o Brasil como peça relevante na transformação industrial sustentável.

Brasília quer mais do que vender minério bruto

O ponto central do discurso brasileiro é simples e, desta vez, correto no diagnóstico: ter reserva mineral não basta. Baena Soares disse que o país precisa entrar de verdade na cadeia de suprimentos, inclusive com processamento e tecnologia, em vez de seguir apenas como exportador de insumos primários. A estratégia mira especialmente o interesse europeu em diversificar fornecedores num momento em que minerais críticos viraram ativo geopolítico.

O argumento ganha peso porque o Brasil tem reservas relevantes. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o país concentra 94% das reservas globais de nióbio, 26% das de grafita, 12% das de níquel e 23% das de terras raras. O próprio SGB destaca que esses minerais são essenciais para turbinas eólicas, motores elétricos, equipamentos eletrônicos e aplicações aeroespaciais.

O país tem reserva, mas ainda não domina a corrida industrial

A vitrine geológica brasileira contrasta com um problema industrial conhecido. Estudo do Ipea divulgado em dezembro de 2025 apontou que, embora o país tenha ampla disponibilidade de minerais estratégicos, a produção nacional encolheu em vários segmentos desde 2017, o que pode deixar o Brasil à margem da nova geopolítica energética se não houver expansão do refino, da transformação industrial e dos investimentos.

É aí que a conversa com a Europa ganha sentido econômico e político. O governo brasileiro tenta vender a ideia de complementaridade: o Brasil oferece reserva mineral, matriz energética mais limpa e base industrial, enquanto os europeus, especialmente os alemães, entram com tecnologia, capital e integração produtiva. Na prática, Brasília tenta evitar o papel histórico de fornecedor de buraco e poeira para outros ficarem com a parte nobre da indústria.

Acordo Mercosul-UE ajuda, mas ainda não encerra a disputa

A aproximação ocorre num momento em que o acordo entre Mercosul e União Europeia avançou de forma concreta. O tratado foi assinado em 17 de janeiro de 2026, e a Comissão Europeia anunciou em 27 de fevereiro que seguirá com a aplicação provisória do acordo, enquanto trabalha pela conclusão integral nos termos das regras europeias. No Brasil, o Congresso aprovou o texto nesta semana, e Argentina e Uruguai também já ratificaram o pacto, enquanto o processo ainda depende de etapas políticas e jurídicas no lado europeu.

Esse contexto reforça a leitura diplomática de que o Brasil tenta se apresentar como parceiro estável em meio ao aumento do protecionismo e das disputas comerciais globais. A Alemanha aparece como aliada importante nesse desenho, tanto por apoiar o acordo com o Mercosul quanto por seu peso industrial e tecnológico dentro da Europa.

O desafio é não trocar dependência por dependência

A direção do movimento faz sentido. O problema é que o Brasil já conhece esse roteiro: descobre ativo estratégico, exporta bruto, recebe pouco valor e assiste a industrialização acontecer no exterior. A novidade do discurso oficial é reconhecer que isso precisa mudar. A dúvida séria, porém, está na execução. Sem política industrial consistente, segurança regulatória, licenciamento previsível, investimento em refino e exigência real de conteúdo tecnológico, o país corre o risco de apenas trocar uma dependência antiga por outra com embalagem verde.

Em outras palavras, o debate sobre minerais críticos não é só sobre mineração. É sobre soberania produtiva. O Brasil até pode virar protagonista nessa corrida. Mas só se parar de agir como almoxarifado mineral do mundo e começar a se comportar como país que quer comando de cadeia, inovação e indústria de alto valor. Caso contrário, seguirá vendendo futuro em estado bruto.

Fontes e documentos:
Brasil busca parceria com Europa para exploração de minerais críticos (Agência Brasil)
– Partner Country 2026 Brazil (HANNOVER MESSE)
– Pavilhão Brasil Hannover Messe 2026 (ApexBrasil)
– Serviço Geológico do Brasil esclarece dúvidas sobre potencial do país para terras raras e minerais estratégicos (SGB)
– EU-Mercosur agreement (European Commission)

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.