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Junho Violeta reforça proteção à pessoa idosa no DF

Publicado em

Reportagem:
Paulo Andrade

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Oficinas nos 48 polos ensinam a reconhecer abusos e buscar ajuda

Pessoas idosas atendidas pelo Viver 60+ participarão de oficinas, palestras e atividades de conscientização durante todo o mês de junho. A programação busca ensinar como identificar diferentes formas de violência e onde procurar proteção no Distrito Federal.

Junho Violeta mobiliza polos do Viver 60+ no DF

Os 48 polos do programa Viver 60+ terão atividades voltadas à prevenção da violência contra a pessoa idosa ao longo de junho. A programação inclui rodas de conversa, palestras, dinâmicas educativas e encontros de convivência em diferentes regiões administrativas.

A iniciativa integra o Junho Violeta, campanha dedicada à conscientização sobre abusos, negligência, abandono e outras violações que atingem pessoas com 60 anos ou mais.

O trabalho será conduzido pela Secretaria de Justiça e Cidadania, por meio da Subsecretaria de Políticas para a Pessoa Idosa. Além de orientar os participantes, as ações procuram fortalecer vínculos comunitários e ampliar o conhecimento sobre direitos e canais de denúncia.

O foco não está apenas na violência física. Humilhações, ameaças, isolamento, apropriação de dinheiro, retenção de documentos, abandono e falta deliberada de cuidados também podem representar violações.

Oficina no Recanto das Emas orientará participantes

A próxima Oficina de Identificação de Violência contra a Pessoa Idosa está prevista para segunda-feira, 15 de junho, às 9h, no CEU das Artes do Recanto das Emas.

A atividade fará parte de um café da manhã alusivo ao Junho Violeta. Durante o encontro, os participantes receberão orientações sobre tipos de violência, sinais de alerta e formas de procurar atendimento.

A informação tem papel central porque muitos abusos ocorrem dentro de relações de confiança, dependência ou convivência familiar. Em algumas situações, a pessoa idosa não reconhece imediatamente a conduta como violência ou teme denunciar por depender financeira, emocional ou fisicamente do responsável pela agressão.

Conhecer os próprios direitos não elimina sozinho o risco, mas reduz o silêncio em torno do problema e facilita o acesso à rede de proteção.

Taguatinga terá piquenique e atividade cultural

Na quarta-feira, 17 de junho, às 9h, participantes do Viver 60+ devem se reunir para um piquenique temático no Parque Ecológico Saburo Onoyama, em Taguatinga.

A programação combinará convivência, lazer e reflexão sobre respeito, autonomia e proteção da pessoa idosa.

No mesmo dia, às 14h, está prevista a abertura do Forró do Junho Violeta no polo instalado no Centro de Convivência do Idoso.

Atividades culturais e comunitárias ajudam a enfrentar um fator frequentemente associado à vulnerabilidade, que é o isolamento social. Quando a pessoa idosa mantém vínculos, participa de grupos e conhece serviços públicos próximos, aumenta a possibilidade de que mudanças de comportamento ou sinais de abuso sejam percebidos.

Combater a violência não se resume a agir depois da agressão. Também significa construir redes que reduzam o isolamento e permitam pedir ajuda antes que a situação se agrave.

Polo do Lago Sul terá ciclo de palestras

O polo mais recente do Viver 60+, instalado no Lago Sul, terá palestras durante cinco semanas consecutivas, sempre às quartas-feiras.

A programação abordará envelhecimento ativo, autonomia, cidadania, segurança e garantia de direitos. Entre as participantes anunciadas estão a psicanalista e doutora em Educação Renata Bittencourt e a advogada Ilse Guimarães, especialista em Direito da Pessoa Idosa.

As atividades procuram traduzir direitos previstos em lei para situações concretas do cotidiano. Isso inclui proteção do patrimônio, liberdade para tomar decisões, acesso à saúde, convivência familiar e comunitária e tratamento respeitoso em serviços públicos e privados.

Violência pode ocorrer por ação ou omissão

O Estatuto da Pessoa Idosa considera violência qualquer ação ou omissão praticada em ambiente público ou privado que cause morte, dano ou sofrimento físico ou psicológico.

A proteção legal alcança diferentes formas de violação.

Violência física envolve agressões, ferimentos, contenção indevida ou uso de força.

Violência psicológica inclui ameaças, humilhações, intimidação, chantagem, isolamento e desqualificação constante.

Violência patrimonial ou financeira ocorre quando dinheiro, aposentadoria, bens, cartões, documentos ou patrimônio são usados sem autorização ou mediante pressão.

Negligência e abandono aparecem quando necessidades essenciais de alimentação, higiene, saúde, medicação, segurança ou cuidado são deliberadamente ignoradas.

Violência sexual compreende qualquer contato ou conduta de natureza sexual sem consentimento.

Violência institucional pode ocorrer em serviços públicos ou privados quando há discriminação, tratamento degradante, recusa indevida de atendimento ou desrespeito aos direitos da pessoa idosa.

Nem toda violência deixa marca visível. Mudanças repentinas de comportamento, medo diante de determinada pessoa, isolamento, falta de cuidados básicos ou perda injustificada de controle sobre o próprio dinheiro merecem atenção.

Saiba como denunciar violência contra a pessoa idosa

Casos de suspeita ou confirmação de violação podem ser comunicados ao Disque 100, serviço nacional de recebimento e encaminhamento de denúncias de direitos humanos.

No Distrito Federal, denúncias também podem ser encaminhadas à Polícia Civil pelo telefone 197. O serviço preserva o sigilo do denunciante.

Quando houver agressão em andamento, ameaça imediata ou risco à integridade da pessoa idosa, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.

Também é possível procurar uma delegacia, unidade de saúde, serviço de assistência social, Ministério Público ou órgão de defesa dos direitos da pessoa idosa.

A denúncia pode ser feita pela própria vítima, por familiares, vizinhos, profissionais de saúde, cuidadores ou qualquer pessoa que identifique sinais de violação.

Informação precisa chegar acompanhada de proteção

Campanhas educativas ajudam a tornar visíveis práticas que durante muito tempo foram tratadas como problemas privados ou conflitos familiares. A mudança é necessária porque dependência, afeto e parentesco não retiram a responsabilidade de quem agride, abandona ou explora.

O alcance real do Junho Violeta, porém, não será medido apenas pelo número de palestras ou participantes. Será necessário verificar quantas pessoas receberam orientação, quantas situações foram identificadas e se os casos encaminhados encontraram atendimento efetivo.

Informação abre a porta. Para proteger de verdade, a rede pública precisa estar do outro lado.

Relacionadas, fontes e documentos:

Centro do Idoso de Sobradinho reabre após reforma (Fonte em Foco)
GDF fará acolhimento em 26 pontos do Plano Piloto (Fonte em Foco)
PMDF reforça policiamento com motos no DF (Fonte em Foco)
Operação Ad Sumus reforça policiamento em Ceilândia (Fonte em Foco)
– 
Serviços para a pessoa idosa (Sejus-DF)
– Mapa da Violência contra a Pessoa Idosa no Distrito Federal (Sejus-DF)
Junho Violeta mobiliza ações para prevenir a violência contra pessoa idosa (Agência Brasília)

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