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Ampliados tratamentos pediátricos para lúpus e esclerose múltipla

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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Novas indicações alcançam pacientes a partir de 5 anos com lúpus e adolescentes com esclerose múltipla

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária ampliou as indicações de dois medicamentos destinados ao tratamento de crianças e adolescentes com doenças autoimunes.

O Benlysta, cujo princípio ativo é o belimumabe, poderá ser utilizado por via subcutânea como terapia complementar em pacientes a partir de 5 anos com lúpus eritematoso sistêmico ativo.

O Ocrevus, à base de ocrelizumabe, passa a ter indicação para adolescentes a partir de 12 anos, com peso igual ou superior a 40 quilos, diagnosticados com esclerose múltipla remitente-recorrente.

As ampliações foram publicadas no Diário Oficial da União em 20 de julho de 2026. As decisões autorizam os novos usos no país, mas não significam fornecimento automático pela rede pública de saúde.

Benlysta terá aplicação subcutânea em crianças

A nova autorização para o Benlysta abrange exclusivamente as apresentações em caneta aplicadora ou autoinjetora, administradas sob a pele.

O medicamento já possuía indicação intravenosa para pacientes pediátricos a partir de 5 anos. A mudança amplia as alternativas de administração e pode reduzir a necessidade de deslocamentos frequentes até centros de infusão.

A aplicação subcutânea não transforma o tratamento em procedimento sem supervisão. A prescrição, a dose, a frequência e a possibilidade de aplicação fora de uma unidade de saúde precisam ser definidas pela equipe médica responsável.

A indicação é restrita a pacientes com lúpus eritematoso sistêmico ativo e elevado grau de atividade da doença, que já estejam recebendo o tratamento padrão.

Medicamento complementa tratamento já existente

O belimumabe não substitui automaticamente os demais medicamentos usados contra o lúpus.

A indicação aprovada é de terapia adjuvante, ou seja, complementar ao tratamento padrão, que pode incluir:

  • corticosteroides;
  • antimaláricos;
  • anti-inflamatórios não esteroides;
  • outros imunossupressores.

A escolha depende da manifestação da doença, dos órgãos atingidos, da atividade inflamatória, da resposta aos medicamentos anteriores e das condições clínicas de cada paciente.

O belimumabe é um medicamento biológico que atua sobre mecanismos específicos do sistema imunológico. Por interferir na resposta imune, exige avaliação médica e monitoramento de eficácia e segurança.

Lúpus pediátrico pode apresentar maior atividade

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune crônica. Nela, o sistema imunológico passa a atacar estruturas do próprio organismo.

A doença pode atingir pele, articulações, rins, sistema nervoso, pulmões, coração e células do sangue.

Na população pediátrica, o lúpus pode apresentar maior atividade inflamatória, maior comprometimento sistêmico e risco elevado de danos acumulados aos órgãos ao longo do tempo, em comparação com parte dos casos diagnosticados na vida adulta.

Os sinais variam de uma pessoa para outra e podem incluir:

  • cansaço intenso;
  • febre persistente;
  • dores e inchaço nas articulações;
  • lesões de pele sensíveis à exposição solar;
  • queda de cabelo;
  • alterações urinárias;
  • inchaço;
  • manifestações neurológicas.

Esses sintomas também aparecem em outras condições. O diagnóstico não deve ser feito apenas com base em uma lista de sinais.

Diagnóstico exige avaliação combinada

Não existe um único exame capaz de confirmar isoladamente todos os casos de lúpus.

A investigação considera o histórico clínico, o exame físico, a presença de manifestações em diferentes órgãos e resultados laboratoriais.

Podem ser solicitados hemograma, análise de urina, avaliação da função renal, testes de autoanticorpos e exames de imagem. Em situações específicas, pode ser necessária biópsia renal ou de outro tecido.

O acompanhamento costuma envolver reumatologista pediátrico e, conforme o órgão atingido, profissionais de áreas como nefrologia, dermatologia, neurologia e cardiologia.

O tratamento não é apenas paliativo. Embora não exista cura definitiva, o objetivo é controlar a atividade da doença, evitar crises, preservar órgãos e reduzir danos de longo prazo.

Ocrevus passa a atender adolescentes

A Anvisa também ampliou a indicação do Ocrevus para pacientes com esclerose múltipla remitente-recorrente a partir de 12 anos e com peso corporal igual ou superior a 40 quilos.

O ocrelizumabe é um anticorpo monoclonal recombinante. Sua ação reduz a atividade de células do sistema imunológico envolvidas no processo inflamatório que danifica o sistema nervoso central.

A decisão alcança uma população que dispõe de menos opções terapêuticas especificamente aprovadas para a faixa etária pediátrica.

A esclerose múltipla com início antes dos 18 anos corresponde a aproximadamente 3% a 5% dos casos da doença. Apesar de rara, pode apresentar atividade inflamatória relevante e maior frequência de surtos em pacientes jovens.

Forma remitente-recorrente alterna surtos e recuperação

Na esclerose múltipla, o sistema imunológico ataca a mielina, camada que protege as fibras nervosas.

A perda ou lesão dessa estrutura prejudica a transmissão dos impulsos entre o cérebro, a medula espinhal e o restante do organismo.

Na forma remitente-recorrente, o paciente apresenta surtos com novos sintomas neurológicos ou piora de manifestações anteriores. Esses episódios são seguidos por períodos de recuperação parcial ou completa.

Os sintomas podem incluir:

  • alterações visuais;
  • dormência e formigamento;
  • fraqueza muscular;
  • perda de equilíbrio;
  • dificuldade para caminhar;
  • fadiga;
  • alterações urinárias;
  • prejuízo de coordenação;
  • dificuldades cognitivas.

A manifestação varia conforme a região do sistema nervoso afetada.

Início precoce pode afetar estudo e desenvolvimento

Quando a esclerose múltipla aparece na infância ou adolescência, os efeitos ultrapassam os sintomas físicos.

Surtos, consultas, internações e fadiga podem interferir na frequência escolar, no aprendizado, na convivência social e na autonomia.

A atividade inflamatória também pode afetar funções cognitivas durante um período importante do desenvolvimento.

Por isso, o diagnóstico precoce e o acesso a terapias modificadoras da doença são considerados relevantes para reduzir surtos e limitar o acúmulo de incapacidade.

Aprovação não equivale à oferta pelo SUS

O registro ou a ampliação de indicação pela Anvisa confirma que o medicamento foi autorizado para determinado uso após avaliação regulatória de qualidade, segurança e eficácia.

Essa etapa não garante incorporação imediata ao Sistema Único de Saúde.

Para o fornecimento nacional pelo SUS, normalmente é necessária uma avaliação própria sobre evidências clínicas, custo, impacto orçamentário e viabilidade de implementação.

Planos de saúde e serviços privados também seguem regras específicas de cobertura, prescrição e autorização.

Famílias não devem interromper, substituir ou iniciar qualquer tratamento com base apenas na ampliação regulatória. A decisão terapêutica deve ser individualizada.

Medicamentos exigem acompanhamento contínuo

Belimumabe e ocrelizumabe modificam a atividade do sistema imunológico e podem exigir exames prévios e monitoramento durante o uso.

A equipe de saúde deve avaliar histórico de infecções, vacinação, outros medicamentos utilizados, possíveis contraindicações e sinais de eventos adversos.

A resposta também precisa ser acompanhada ao longo do tempo. Nem todo paciente terá o mesmo benefício, e a indicação aprovada não significa que o medicamento seja necessariamente a melhor opção em todos os casos.

Pais e responsáveis devem procurar atendimento médico diante de febre persistente, sinais de infecção, reações após a aplicação ou agravamento inesperado dos sintomas.

Ampliação reduz lacuna terapêutica pediátrica

Doenças autoimunes diagnosticadas na infância apresentam um desafio adicional: muitos medicamentos são inicialmente estudados e aprovados apenas para adultos.

Isso reduz as alternativas formalmente disponíveis e pode obrigar especialistas a trabalhar com opções mais limitadas.

As novas indicações ampliam o conjunto de tratamentos autorizados para lúpus e esclerose múltipla pediátricos.

O avanço regulatório, contudo, precisa ser acompanhado por diagnóstico oportuno, profissionais especializados, monitoramento de segurança e definição de mecanismos de acesso.

A existência do medicamento é apenas uma etapa. O benefício concreto dependerá de o paciente conseguir chegar ao diagnóstico, receber indicação adequada e manter acompanhamento contínuo.

Relacionadas, fontes e documentos:

Fiocruz conclui tecnologia para produzir remédio contra HIV (Fonte em Foco)
Cesáreas no Brasil expõem barreiras à escolha materna (Fonte em Foco)
Anvisa atualiza regras para vacinas contra covid (Fonte em Foco)
Falta de ar pode indicar insuficiência cardíaca (Fonte em Foco)
Crianças correm mais risco após picada de escorpião (Fonte em Foco)

– Ampliação de uso de medicamentos para lúpus e esclerose múltipla em pacientes pediátricos (Anvisa)
– Benlysta e ampliação de uso pediátrico por via intravenosa (Anvisa)
– Consulta de medicamentos regularizados (Anvisa)

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