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Mercado reduz inflação de 2026 pela quarta semana

Publicado em

Reportagem:
Fabíola Fonseca

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Mercado reduz inflação de 2026 pela quarta semana

Projeção de 5,12% ainda supera o teto da meta oficial

A expectativa do mercado financeiro para a inflação brasileira caiu pela quarta semana consecutiva. A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo passou de 5,15% para 5,12% em 2026.

Apesar da redução, a estimativa permanece acima do teto de 4,5% estabelecido pelo sistema de metas. A diferença é de 0,62 ponto percentual.

Há quatro semanas, o mercado projetava inflação de 5,33%. O recuo acumulado desde então foi de 0,21 ponto percentual.

Inflação de 2027 e 2028 voltou a subir

A melhora ficou concentrada em 2026. Para os dois anos seguintes, as projeções aumentaram:

Indicador202620272028
IPCA5,12%4,22%3,80%
Crescimento do PIB1,99%1,60%2,00%
Dólar no fim do anoR$ 5,20R$ 5,29R$ 5,30
Selic no fim do ano14,00%12,00%10,50%

A previsão do IPCA de 2027 subiu de 4,20% para 4,22%. Para 2028, avançou de 3,78% para 3,80%. Portanto, os indicadores não permaneceram inteiramente estáveis na comparação semanal.

A meta central de inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. A estimativa de 2027 está dentro do intervalo, mas ainda distante do centro. Para 2028, a projeção se aproxima mais do objetivo.

O que a queda da inflação de 2026 representa

A redução sinaliza uma percepção ligeiramente menos desfavorável entre as instituições participantes da pesquisa. Não significa, porém, que os preços tenham caído.

Inflação menor representa desaceleração no ritmo dos aumentos. Os produtos e serviços podem continuar ficando mais caros, apenas com menor velocidade.

Além disso, o Focus reúne projeções enviadas por bancos, consultorias e outras instituições. Os números não correspondem a uma previsão elaborada pelo próprio Banco Central e podem mudar conforme novos dados econômicos sejam divulgados.

Na leitura mais recente, o IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,64% até junho. O índice de 5,12% corresponde a uma expectativa para o encerramento de 2026, não à inflação já observada.

A trajetória pode ser comparada ao levantamento anterior, quando o mercado projetava inflação de 5,16% para 2026.

Projeção do PIB permanece em 1,99%

A expectativa de crescimento da economia brasileira foi mantida em 1,99% para 2026.

Para 2027, entretanto, a estimativa caiu de 1,65% para 1,60%. A previsão para 2028 ficou em 2%.

O Produto Interno Bruto representa a soma dos bens e serviços finais produzidos no país. Uma expansão próxima de 2% indica crescimento econômico, mas não permite concluir, isoladamente, como renda, emprego e atividade serão distribuídos entre os diferentes setores e regiões.

Dólar segue em R$ 5,20 para o fim de 2026

A previsão para a cotação do dólar no encerramento de 2026 permaneceu em R$ 5,20 pela sexta semana consecutiva.

Para 2027, a mediana subiu de R$ 5,28 para R$ 5,29. Em 2028, ficou em R$ 5,30.

O câmbio influencia preços de combustíveis, alimentos, medicamentos, máquinas e insumos importados. A cotação efetiva, contudo, responde diariamente ao cenário internacional, ao fluxo de capitais e às expectativas sobre juros e contas públicas.

Selic deve terminar o ano em 14%

A projeção para a taxa Selic no fim de 2026 permaneceu em 14% pela quinta semana consecutiva. Atualmente, a taxa está em 14,25% ao ano.

A diferença indica que o mercado espera redução líquida de 0,25 ponto percentual até dezembro. Isso não garante, por si só, que o corte ocorrerá já na próxima reunião.

O Comitê de Política Monetária voltará a se reunir nos dias 4 e 5 de agosto. A decisão dependerá da inflação corrente, das expectativas, da atividade econômica, do mercado de trabalho, do câmbio e do cenário internacional.

Para 2027 e 2028, as projeções da Selic ficaram em 12% e 10,5%, respectivamente.

Queda da projeção ainda não significa inflação controlada

Quatro semanas de redução constituem uma mudança favorável na direção das expectativas. O nível alcançado, porém, continua incompatível com o intervalo perseguido pelo Banco Central em 2026.

A combinação de inflação projetada acima do teto e Selic ainda elevada limita o espaço para reduções rápidas dos juros. Crédito, financiamento e renegociação de dívidas tendem a permanecer caros enquanto a convergência para a meta não estiver mais consolidada.

O ponto de atenção está nos anos seguintes. A queda da estimativa para 2026 veio acompanhada de aumento das projeções para 2027 e 2028. Em política monetária, empurrar a inflação para a frente não equivale a fazê-la desaparecer; apenas muda o endereço do problema no calendário.

Relacionadas, fontes e documentos:

Brasil rebate tarifa dos EUA sobre trabalho forçado (Fonte em Foco)
Governo libera R$ 547 milhões para aposentados e pensionistas (Fonte em Foco)
Bolsa Família começa a pagar parcela de julho (Fonte em Foco)
Mercado reduz projeção da inflação para 5,15% em 2026 (Fonte em Foco)
Brasil aciona lei após nova tarifa dos Estados Unidos (Fonte em Foco)
– Relatório Focus de 24 de julho de 2026 (Banco Central)
– Calendário de reuniões do Copom em 2026 (Banco Central)
– IPCA de junho de 2026 (IBGE)

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