back to top
24 C
Brasilia
sábado, 13 junho 2026, 13:23
Publicidade
Publicidade
InícioVida & DesenvolvimentoMeio ambienteANSN apura incidente radiológico no Ipen

ANSN apura incidente radiológico no Ipen

Publicado em

Reportagem:
Paulo Andrade

Cobertura relacionada

Publicidade

Dois trabalhadores foram examinados e CNEN descarta contaminação interna

A autoridade reguladora nuclear abriu uma verificação técnica sobre um incidente no Centro de Radiofarmácia do Ipen, em São Paulo. A CNEN afirma que dois trabalhadores foram examinados e não apresentaram contaminação interna.

Incidente com tecnécio ocorreu no Centro de Radiofarmácia

A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear solicitou documentos e esclarecimentos ao Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares após receber uma denúncia sobre uma possível ocorrência radiológica durante uma rotina operacional.

A Comissão Nacional de Energia Nuclear confirmou que o episódio foi registrado no Relatório de Ocorrência Interna nº 04/2026, elaborado em 29 de maio.

O incidente envolveu a presença de traços de tecnécio-99 durante a retirada de sensores biológicos de uma autoclave utilizada no processo de produção de radiofármacos.

Segundo a CNEN, dois trabalhadores classificados como indivíduos ocupacionalmente expostos foram submetidos a exames em um Contador de Corpo Inteiro. O equipamento é usado para verificar a presença de material radioativo incorporado ao organismo.

As contagens foram consideradas baixas e, conforme a comissão, não indicaram contaminação interna. O órgão também afirmou que a contaminação ficou restrita à área controlada do Centro de Radiofarmácia.

Até o momento, não há informação oficial de contaminação fora da instalação controlada nem de exposição da população.

Ipen terá de responder à ANSN até 18 de junho

A ANSN informou que expediu uma notificação com prazo até 18 de junho para que o Ipen atenda às exigências formuladas pelo órgão regulador.

A notificação reúne dois grupos de solicitações. O primeiro envolve a regularização e a manutenção das condições de licenciamento, com pedidos de informações sobre cultura de segurança, gerenciamento de rejeitos radioativos, procedimentos operacionais e proteção radiológica.

O segundo trata especificamente dos esclarecimentos sobre a ocorrência denunciada. A autoridade deverá analisar registros de monitoramento, medições, procedimentos de descontaminação e demais documentos técnicos relacionados ao episódio.

A autorização de funcionamento da Radiofarmácia permanece vigente. Segundo a ANSN, eventuais providências adicionais dependerão do resultado da avaliação técnica e das respostas apresentadas pelo instituto.

A unidade recebeu autorização de operação por dois anos em fevereiro de 2026. Na ocasião, a ANSN informou que havia pendências consideradas não impeditivas, com prazo de seis meses para adequação.

Sindicato questiona infraestrutura e procedimentos adotados

O Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo e a Associação dos Servidores do Ipen pediram esclarecimentos públicos e providências após receberem relatos sobre a ocorrência.

Segundo as entidades, o episódio teria exigido procedimentos emergenciais de descontaminação, retenção de roupas utilizadas pelos trabalhadores e atuação da equipe de proteção radiológica.

O sindicato também afirma que parte dos procedimentos teria ocorrido em espaços não destinados especificamente a esse tipo de atendimento. Essa informação ainda depende de confirmação pela análise regulatória.

As entidades cobram a divulgação dos níveis de contaminação registrados, do número total de pessoas potencialmente expostas, dos possíveis riscos à saúde e das medidas adotadas para conter o material.

Também afirmam que exames médicos específicos de servidores que trabalham com substâncias radioativas estariam atrasados há mais de um ano. A CNEN e o Ipen não apresentaram, nas notas públicas consultadas, resposta específica sobre esse ponto.

A ausência de contaminação interna nos dois trabalhadores examinados é um dado relevante, mas não encerra a apuração. Ainda será necessário esclarecer como o material saiu do processo controlado, quais superfícies ou roupas foram atingidas e se a infraestrutura usada na resposta cumpria os protocolos previstos.

Ocorrência não deve ser confundida com acidente na USP

O Ipen está instalado na Cidade Universitária, mas não integra a estrutura administrativa da Universidade de São Paulo.

O instituto é uma autarquia vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, associada à USP para atividades acadêmicas e gerida técnica e administrativamente pela CNEN.

Por isso, a ocorrência não deve ser descrita de forma simplificada como um vazamento em dependência administrada pela universidade. A responsabilidade pela operação e pela resposta técnica cabe às instituições que administram e regulam o Ipen.

Radiofarmácia abastece hospitais de todo o país

O Centro de Radiofarmácia produz insumos utilizados em exames e tratamentos de medicina nuclear. Segundo a CNEN, o Ipen fornece radiofármacos a 430 clínicas e hospitais e contribui para cerca de 2 milhões de procedimentos médicos por ano.

A unidade produz, entre outros insumos, geradores de tecnécio usados em exames de diagnóstico por imagem.

Até o momento, os órgãos responsáveis não informaram interrupção da produção nem risco ao abastecimento hospitalar em razão do episódio.

Apuração precisa esclarecer falhas e responsabilidades

O incidente ocorre poucos meses depois de uma ocorrência distinta na sala de controle do reator de pesquisa IEA-R1, também instalado no Ipen.

Em março, um incêndio localizado atingiu componentes elétricos da sala de controle. Uma inspeção da ANSN concluiu que não houve risco radiológico associado ao evento, embora tenham sido exigidas limpeza especializada e avaliações técnicas antes da retomada das atividades.

Os dois episódios ocorreram em instalações e processos diferentes e não podem ser tratados automaticamente como consequência de uma mesma causa. Ainda assim, a proximidade das ocorrências aumenta a necessidade de transparência sobre manutenção, pessoal, resposta a emergências e cumprimento das exigências regulatórias.

As alegações sindicais de sucateamento, redução do quadro de servidores e insuficiência orçamentária também precisam ser examinadas com documentos. Até o momento, não foi apresentada prova pública que estabeleça vínculo direto entre essas condições e o incidente com tecnécio-99.

Em segurança nuclear, a ausência de dano grave não dispensa a investigação. O objetivo dos controles é justamente impedir que uma ocorrência pequena encontre espaço para se tornar algo maior.

Relacionadas, fontes e documentos:

Painel revela agrotóxicos em águas do Brasil (Fonte em Foco)
Turismo em parques injeta R$ 20 bi na economia brasileira (Fonte em Foco)
Brasil reduz perda florestal, mas segue no topo global (Fonte em Foco)
Tartarugas voltam à Baía de Guanabara e intrigam (Fonte em Foco)
– ANSN esclarece acompanhamento regulatório da Radiofarmácia do Ipen (ANSN)
– Comunicado oficial sobre ocorrência no Ipen/CNEN (CNEN)
Trabalhadores denunciam contaminação com material radioativo no Ipen (Agência Brasil)

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.