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quarta-feira, 21 janeiro 2026, 07:28:56
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Mercosul e UE firmam acordo após 26 anos de negociações

Publicado em:

Repórter: Fabíola Fonseca

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Após 26 anos de negociações, representantes do Mercosul e da União Europeia (UE) assinam neste sábado (17) um acordo de livre comércio com potencial para integrar um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas — aproximadamente 450 milhões na UE e 295 milhões no Mercosul. A assinatura ocorre em Assunção, no Paraguai, país que exerce a presidência temporária do bloco sul-americano desde dezembro de 2025.

A cerimônia está marcada para 12h15 (horário de Brasília), no Teatro José Asunción Flores, do Banco Central paraguaio. O local tem peso simbólico: foi ali que, em 1991, se assinou o Tratado de Assunção, marco fundador do Mercosul, hoje composto por Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Presenças e bastidores diplomáticos

O acordo foi aprovado por ampla maioria dos 27 países da UE e contará com a presença de chefes de Estado do Mercosul, como Javier Milei (Argentina), Rodrigo Paz (Bolívia), Santiago Peña (Paraguai) e Yamandú Orsi (Uruguai). Pela Europa, participam Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não comparecerá por questões de agenda. O Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Na véspera, Lula recebeu Von der Leyen e Costa no Rio de Janeiro, onde trataram da implementação do acordo e de temas da agenda internacional.

O que a assinatura representa

De caráter protocolar, a assinatura formaliza o encerramento das tratativas técnicas e políticas iniciadas em junho de 1999. O texto prevê a eliminação gradual de tarifas para mais de 90% do comércio bilateral, abrangendo bens industriais — como máquinas, automóveis e equipamentos — e produtos agrícolas.

Após a assinatura, o acordo seguirá para ratificação no Parlamento Europeu e nos congressos nacionais dos países do Mercosul. A entrada em vigor da parte comercial depende dessa aprovação e será gradual, ao longo dos próximos anos. A expectativa é a criação da maior zona de livre comércio do mundo, embora os efeitos práticos levem tempo para se materializar.

Nesta quinta-feira (15), o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou acreditar que o acordo entre em vigor ainda no segundo semestre. Segundo ele, a aprovação legislativa poderia ocorrer no primeiro semestre, permitindo vigência imediata após a internalização.

Apoios, críticas e meio ambiente

O tratado é celebrado por governos e setores industriais, mas enfrenta protestos de agricultores europeus, que temem a concorrência de produtos sul-americanos com a redução de tarifas. Ambientalistas também expressam desconfiança sobre possíveis impactos climáticos e agrícolas.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, avalia, porém, que o texto final está alinhado à agenda ambiental, com cláusulas vinculantes capazes de promover desenvolvimento sem abrir mão da proteção à natureza.

Impacto esperado para o Brasil

Estimativas da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) indicam que o acordo pode incrementar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, além de diversificar as vendas externas e beneficiar a indústria nacional, com maior integração às cadeias globais de valor.

Principais pontos do acordo

1. Eliminação de tarifas

  • Mercosul: tarifa zero para 91% dos bens europeus em até 15 anos.

  • UE: tarifa zero para 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.

2. Ganhos imediatos para a indústria

  • Tarifa zero desde o início para diversos produtos.

  • Setores beneficiados: máquinas e equipamentos, automóveis e autopeças, produtos químicos, aeronaves.

3. Acesso ampliado ao mercado europeu

  • Preferência em um mercado com PIB estimado em US$ 22 trilhões.

  • Comércio mais previsível e com menos barreiras técnicas.

4. Cotas para produtos agrícolas sensíveis

  • Carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas.

  • Acima delas, há cobrança de tarifas.

  • Mecanismo evita impactos abruptos sobre agricultores europeus.

5. Salvaguardas agrícolas

  • A UE poderá reintroduzir tarifas temporárias se houver picos de importação ou queda acentuada de preços.

6. Compromissos ambientais

  • Proibição de benefícios a produtos ligados a desmatamento ilegal.

  • Cláusulas ambientais vinculantes, com possibilidade de suspensão em caso de violação do Acordo de Paris.

7. Regras sanitárias

  • Padrões sanitários e fitossanitários da UE permanecem rigorosos.

8. Serviços e investimentos

  • Redução de discriminação regulatória.

  • Avanços em serviços financeiros, telecomunicações, transporte e serviços empresariais.

9. Compras públicas

  • Empresas do Mercosul poderão disputar licitações na UE, com regras mais transparentes.

10. Propriedade intelectual

  • Reconhecimento de cerca de 350 indicações geográficas europeias.

11. Pequenas e médias empresas

  • Capítulo específico para PMEs, com facilitação aduaneira e redução de burocracia.

12. Próximos passos

  • Assinatura em 17 de janeiro, no Paraguai.

  • Aprovação no Parlamento Europeu e nos congressos do Mercosul.

  • Entrada em vigor após a conclusão de todos os trâmites.

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