Publicidade
InícioBrasíliaPolítica DFHanseníase ainda causa sequelas por falhas no diagnóstico

Hanseníase ainda causa sequelas por falhas no diagnóstico

Publicado em

Reportagem:
Marta Borges

Cobertura relacionada

Agentes de saúde fazem prevenção contra escorpiões no DF

Visitas técnicas orientam moradores sobre prevenção contra escorpiões, controle de baratas e cuidados em caso de captura.

Procedimento estético invasivo em salão pode virar risco à saúde

Estética segura depende de licença sanitária, profissional habilitado e produto regularizado. Veja riscos em salões de beleza.

Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais

Vacinas especiais ganham rede oficial no DF, com solicitação pela UBS, avaliação técnica e aplicação próxima ao usuário.

DF terá 40 pontos de vacinação neste sábado (19/09)

Distrito Federal terá 40 pontos de vacinação neste sábado, 19 de setembro, para atualização da caderneta vacinal.

UBS 5 do Itapoã começa a atender moradores do Itapoã Parque

Nova UBS 5 do Itapoã atende no Itapoã Parque, com consultas, saúde da mulher e serviços de Atenção Primária.

Prontuários e exames no DF exigem autorização e documentos

Entenda quem pode solicitar exames, laudos e prontuários no HBDF, HRSM e UPAs do DF e quais documentos são exigidos.
Publicidade

Diagnóstico tardio da hanseníase mantém risco de sequelas no DF

Em pleno século XXI, uma doença com tratamento eficaz segue produzindo incapacidades evitáveis. Esse foi o alerta central da audiência pública realizada nesta segunda-feira (2) na Câmara Legislativa do Distrito Federal, em alusão ao Janeiro Roxo, mês de conscientização sobre a hanseníase. O debate reuniu especialistas, pacientes e parlamentares para discutir gargalos persistentes no diagnóstico, no tratamento e na reabilitação de pessoas atingidas pela doença.

A audiência foi proposta pelo deputado distrital Fábio Felix (Psol) e teve como foco principal o impacto concreto da hanseníase na vida dos pacientes, sobretudo quando o diagnóstico ocorre de forma tardia. O consenso entre os participantes foi direto: a combinação entre desinformação, despreparo profissional e falta de estrutura ainda sustenta um problema que já poderia estar sob controle.

Doença curável, sequelas evitáveis

A hanseníase é causada por uma bactéria que atinge principalmente a pele e os nervos periféricos. Sem tratamento oportuno, o comprometimento neurológico pode evoluir para perda de força, sensibilidade e mobilidade, resultando em deformidades conhecidas como mão em garra e pé caído. A transmissão ocorre, em geral, pela via respiratória, por meio de gotículas.

A dermatologista Roseane de Deus ressaltou que o Brasil permanece em posição crítica no cenário internacional. Segundo ela, o país ocupa o segundo lugar no mundo em número de casos, atrás apenas da Índia. “É inaceitável que uma doença com cura continue deixando milhares de brasileiros com incapacidades físicas permanentes”, afirmou.

A médica explicou que a própria característica da doença contribui para o atraso no diagnóstico. As manchas típicas da hanseníase não costumam doer nem coçar, o que reduz a procura espontânea por atendimento. Além disso, as lesões podem ser confundidas com alergias, urticária ou infecções dermatológicas comuns, o que amplia o risco de erro clínico.

Uma década até o diagnóstico

O impacto dessa falha sistêmica apareceu de forma concreta no relato do paciente Filemon Ferreira. Ele contou que começou a perder sensibilidade e força no pé aos 14 anos, mas só recebeu o diagnóstico correto dez anos depois. Mesmo com sintomas avançados, a hanseníase não foi identificada de imediato.

Após iniciar o tratamento medicamentoso adequado e passar por cirurgias de reabilitação nos pés e nas mãos, Ferreira conseguiu recuperar grande parte da mobilidade. “Hoje eu tenho uma vida normal”, relatou, destacando que o sofrimento poderia ter sido reduzido com um diagnóstico mais precoce.

Capacitação e estrutura como prioridade

Para o deputado Fábio Felix, o problema vai além de casos isolados e revela uma falha estrutural no sistema de saúde. Segundo ele, a hanseníase deixou de integrar o repertório cotidiano de diagnósticos dos profissionais, o que contribui para a invisibilidade da doença. “Precisamos devolver a hanseníase para o centro da formação e da prática clínica”, afirmou.

O parlamentar também apontou a escassez de servidores como fator crítico. De acordo com ele, o déficit de profissionais e a contratação recorrente de temporários fragilizam a continuidade do atendimento e comprometem políticas de longo prazo.

Atendimento multiprofissional ainda insuficiente

O ortopedista e cirurgião de hanseníase Gabriel Rodrigues reforçou a necessidade de ampliar o quadro de especialistas na rede pública do Distrito Federal. Durante a audiência, ele defendeu a contratação de mais cirurgiões e destacou que o tratamento da hanseníase exige abordagem multiprofissional, envolvendo enfermeiros, fisioterapeutas, assistentes sociais, dermatologistas e cirurgiões.

Segundo Rodrigues, enquanto a erradicação não é alcançada, o foco deve ser garantir cuidado integral. “O sonho é erradicar a doença, mas, até lá, precisamos tratar cada paciente de forma completa, com dignidade e continuidade”, afirmou.

A audiência pública está disponível na íntegra no canal da TV Câmara Distrital, no YouTube.

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.