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Poupança tem saída de R$ 23,5 bi e segue no vermelho

Publicado em:

Repórter: Fabíola Fonseca

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Quem depende da poupança começa o ano com menos dinheiro parado

A caderneta de poupança registrou retirada líquida de R$ 23,5 bilhões em janeiro, quando os saques superaram os depósitos, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (6) pelo Banco Central.
No mês, os depósitos somaram R$ 331,2 bilhões, contra R$ 354,7 bilhões em saques, e os rendimentos creditados totalizaram R$ 6,4 bilhões. O estoque da poupança permanece em pouco mais de R$ 1 trilhão.

O sinal do ano é de continuidade, não de surpresa

A saída líquida de janeiro repete uma tendência recente. Em 2023 e 2024, a poupança já havia fechado com retiradas líquidas de R$ 87,8 bilhões e R$ 15,5 bilhões, respectivamente. Em 2025, o saldo negativo chegou a R$ 85,6 bilhões, conforme o mesmo levantamento citado na divulgação.
Em termos práticos, é o retrato de um comportamento: muita gente segue usando a poupança como caixa de emergência, e não como investimento de longo prazo.

Juros altos empurram o dinheiro para fora da caderneta

O Banco Central associa parte do movimento ao patamar elevado da Selic, que torna mais atraentes aplicações com rentabilidade maior do que a poupança. Segundo a Agência Brasil, o Copom interrompeu o ciclo de altas após sete elevações e mantém a taxa em 15% ao ano desde então.
Além disso, a própria ata do Copom indica que o BC pretende iniciar a redução dos juros em março, mas ressalta que os juros devem seguir em nível restritivo.

O que isso muda para o cidadão comum

Para quem guarda dinheiro na poupança, o dado não é só “macro”: ele conversa com o orçamento doméstico. Quando a Selic fica alta, o crédito tende a ficar mais caro e, ao mesmo tempo, cresce o incentivo para migrar parte da reserva para alternativas de baixo risco com retorno melhor, se fizer sentido para o perfil do poupador.
Já para o sistema, a repetição de saídas líquidas reforça um padrão de realocação de recursos, em um cenário em que a política monetária tenta segurar a inflação via juros mais altos.

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