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Consultórios na Rua fizeram 20,6 mil atendimentos em 2025

Publicado em

Reportagem:
Paulo Andrade

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Mais de 7 mil pessoas em situação de rua receberam cuidados no DF

A população em situação de vulnerabilidade no Distrito Federal também acessa a rede pública de saúde por meio dos Consultórios na Rua. Em 2025, o programa registrou 20,6 mil atendimentos individuais ao longo do ano.
Segundo a Secretaria de Saúde, o atendimento inclui consultas clínicas, troca de curativos, coleta de exames, aplicação de medicamentos, vacinação e encaminhamentos para serviços especializados.

O que os números mostram

O balanço aponta que 7.158 pacientes em situação de rua foram atendidos no período. Entre as demandas mais frequentes, apareceram hipertensão arterial, questões ligadas a transtornos mentais e situações associadas ao abuso de drogas.
Esses dados ajudam a dimensionar um problema prático: parte importante do cuidado ocorre onde a população está, porque esperar que todo mundo “chegue ao serviço” é, muitas vezes, uma forma elegante de não atender ninguém.

Perfil etnorracial e desigualdades

A gerente de Atenção à Saúde de Populações em Situação Vulnerável e Programas Especiais (Gaspvp) da SES-DF, Marianna Zambelli, chamou atenção para o perfil etnorracial da população atendida, composta majoritariamente por pessoas pretas e pardas. Ela atribui esse cenário ao racismo estrutural e à desigualdade histórica que empurram parte da população para a vulnerabilidade e a exclusão habitacional.

Como funcionam as equipes no território

As equipes de Consultório na Rua são multiprofissionais e podem reunir, entre outras áreas, medicina, enfermagem, psicologia, serviço social e terapia ocupacional, com atuação itinerante e articulação com a Atenção Básica, incluindo UBSs.
Na prática, o serviço tenta reduzir uma barreira objetiva: quem vive na rua costuma enfrentar obstáculos de documentação, deslocamento, estigma e rotina instável. Levar o cuidado ao território diminui o “custo de entrada” no SUS para quem já paga caro demais para existir.

Cuidado que vai além do procedimento

A SES-DF também sustenta que a atuação do Consultório na Rua ultrapassa o cuidado clínico, ao buscar garantir acesso e dignidade conforme o marco constitucional citado na comunicação do programa.
O ponto é simples: quando o Estado só funciona para quem consegue chegar até ele, a vulnerabilidade vira sentença.

Fontes e documentos:

– Secretaria de Saúde do DF notícia com dados de 2025
– Agência Brasília repercussão do balanço da SES-DF
– Ministério da Saúde página de referência sobre Consultório na Rua
– Política Nacional de Atenção Básica consolidação normativa com eCR
– Plano Distrital de Saúde 2024 2027 menção a ampliação de Consultórios na Rua

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