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Via-Sacra de Planaltina reúne multidão e reforça tradição no DF

Publicado em

Reportagem:
Marta Borges

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Encenação no Morro da Capelinha mobiliza 1,4 mil voluntários e recebe apoio de R$ 1,7 milhão do GDF

A 53ª edição da Via-Sacra ao Vivo de Planaltina emocionou milhares de fiéis nesta Sexta-feira da Paixão, 3 de abril de 2026, no Morro da Capelinha, em Planaltina. Sob o tema “Nada te aflija! Não estou aqui eu que sou tua mãe?”, inspirado na mensagem de Nossa Senhora de Guadalupe, o evento contou com suporte estrutural e financeiro de R$ 1,7 milhão do Governo do Distrito Federal para garantir segurança e apoio ao público.

A celebração teve a presença da vice-governadora Celina Leão, que participou da programação e destacou o peso simbólico da encenação para a população do DF. Pelo terceiro ano consecutivo, o ator Rafael Gonçalves interpretou Jesus na apresentação, considerada uma das maiores manifestações religiosas ao ar livre do país.

Espetáculo mobilizou 1,4 mil voluntários ao longo das estações da Paixão

A dimensão do evento aparece também na estrutura humana mobilizada para colocá-lo de pé. Segundo o GDF, cerca de 1,4 mil voluntários, entre atores, equipe de apoio e técnicos, atuaram na montagem e na execução da encenação deste ano. A Celebração da Cruz, seguida pela Paixão de Cristo, percorreu as 14 estações ao longo de cerca de 800 metros no morro.

Entre o público, a encenação reuniu famílias inteiras e visitantes de outras regiões administrativas. O governo destacou depoimentos de participantes que foram ao local movidos pela tradição, pela fé e pela experiência de compartilhar o momento com os filhos e familiares. O aparato montado para o evento envolveu órgãos como PMDF, CBMDF, Detran-DF e Caesb, numa operação voltada a garantir circulação, segurança e suporte logístico.

Planaltina preserva um patrimônio que atravessa gerações

A Via-Sacra do Morro da Capelinha não é apenas um evento de calendário religioso. Ela carrega um peso histórico e cultural consolidado ao longo de décadas. A primeira montagem ocorreu em 1973, a tradição foi incluída no calendário oficial de eventos do DF em 1986 e, em 2008, recebeu reconhecimento formal como Bem Cultural do Distrito Federal por meio do Decreto nº 28.870.

A idealização da encenação é atribuída ao padre Aleixo Susin, figura central na formação desse legado em Planaltina. Ao longo do tempo, o espetáculo deixou de ser apenas uma manifestação local para se tornar um dos marcos culturais e religiosos mais reconhecidos do Distrito Federal.

Quando a fé vira patrimônio e a tradição exige estrutura pública

O caso de Planaltina mostra como certos eventos deixam de ser apenas celebrações religiosas e passam a ocupar um lugar mais amplo na vida coletiva. A Via-Sacra já não se sustenta só pela devoção dos participantes. Ela exige trânsito organizado, policiamento, atendimento de emergência, estrutura técnica e financiamento público. Em outras palavras, a fé continua sendo o motor, mas a escala do evento já a transformou também em questão de gestão pública.

Esse ponto ajuda a explicar por que a encenação permanece relevante mesmo num DF cada vez mais urbano, disperso e administrativamente pressionado. O Morro da Capelinha funciona, todos os anos, como um raro espaço em que memória, pertencimento e religiosidade se encontram sem pedir licença à pressa cotidiana. E talvez seja justamente por isso que o evento resiste: porque, em meio à rotina cada vez mais burocrática da vida pública, ainda há lugar para ritos que lembram à cidade que tradição também é infraestrutura simbólica.

Fontes e documentos:

Fé e paixão de Cristo Via-Sacra de Planaltina reúne milhares de fiéis e reafirma tradição (Agência Brasília)
– Via-Sacra do Morro da Capelinha em Planaltina emociona milhares de fiéis (Agência Brasília)
– Decreto nº 28.870 de 17 de março de 2008 (SINJ-DF)
– Patrimônio Imaterial do DF (Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF)

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