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segunda-feira, 8 junho 2026, 15:05
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DF terá centro para cuidar de mulheres no climatério

Publicado em

Reportagem:
Paulo Andrade

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Atendimento na Rodoviária do Plano Piloto deve orientar tratamento e qualificar a rede pública

Mulheres no climatério passarão a contar com um centro de referência voltado ao cuidado integral no Distrito Federal. O novo serviço foi anunciado nesta quinta-feira, 4 de junho de 2026, pela governadora Celina Leão, e deverá funcionar no segundo piso da Rodoviária do Plano Piloto, ponto escolhido pelo grande fluxo de pessoas e pela localização central.

A proposta é ampliar o acesso a atendimento especializado, orientar tratamentos, ofertar protocolos específicos e capacitar equipes das unidades básicas de saúde. O centro deverá atuar como referência para a rede pública, mas a intenção do governo é que o cuidado também seja irradiado para outras unidades do SUS no DF.

O anúncio tem impacto direto sobre uma fase da vida feminina que ainda costuma ser tratada com silêncio, improviso ou minimização dos sintomas. Climatério não é “frescura”, nem sentença de sofrimento. É uma transição biológica que pode exigir informação, escuta e cuidado adequado.

Climatério pode começar por volta dos 40 anos

O climatério é o período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva da mulher. Ele costuma começar entre os 40 e 45 anos e pode se estender por vários anos, abrangendo a pré-menopausa, a menopausa e a pós-menopausa.

A menopausa corresponde à última menstruação, confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruar. Já o climatério é mais amplo e envolve mudanças hormonais progressivas, especialmente a redução da produção de hormônios sexuais femininos.

O Ministério da Saúde aponta que esse período pode envolver sintomas físicos e emocionais, como ondas de calor, alterações do sono, irritabilidade, ansiedade, ressecamento vaginal, dor nas relações sexuais, alterações urinárias, queda de libido e mudanças na pele, nos cabelos e nas unhas.

Centro deve ampliar acesso a tratamento

A iniciativa prevê acesso a tratamentos adequados, incluindo medicamentos e terapias hormonais quando houver indicação clínica. Esse cuidado é importante porque nem toda mulher precisará do mesmo tipo de abordagem, e a terapia hormonal não é indicada automaticamente para todas.

O Ministério da Saúde publicou em 2026 manual voltado ao cuidado de mulheres na transição menopausal e na menopausa, reforçando a necessidade de avaliação individualizada, orientação adequada e atenção às contraindicações.

Esse ponto precisa ser dito com clareza. Tratamento hormonal pode ser útil em situações específicas, mas deve ser definido por profissional de saúde, considerando sintomas, histórico clínico, riscos e benefícios. Saúde da mulher não pode depender de modismo de internet, nem de receita coletiva repetida como se todo corpo feminino fosse igual.

Rodoviária foi escolhida pelo acesso

A governadora afirmou que a escolha da Rodoviária do Plano Piloto levou em conta a centralidade do local e a circulação diária de pessoas. A ideia inicial chegou a considerar o metrô, mas o espaço da rodoviária foi avaliado como ponto mais adequado para sediar o serviço central.

A localização pode facilitar o acesso de mulheres de diferentes regiões administrativas, especialmente daquelas que dependem do transporte público. Ainda assim, o centro só cumprirá sua função se estiver integrado à atenção básica, com fluxos claros para encaminhamento, acompanhamento e retorno.

Essa integração será decisiva. Um centro especializado ajuda, mas não substitui a UBS. A mulher que relata insônia, calor intenso, alteração de humor, dor, queda de libido ou sofrimento emocional precisa ser ouvida desde a porta de entrada do sistema. Se a rede básica não estiver preparada, o centro vira referência distante em uma cidade que já obriga muita gente a cruzar o DF por atendimento.

UBSs devem receber capacitação

O governo informou que a proposta inclui cursos e treinamentos para as unidades básicas de saúde. A capacitação das equipes deve ajudar profissionais a reconhecer sintomas, orientar pacientes, identificar casos que exigem atenção especializada e evitar que queixas sejam normalizadas sem avaliação.

Esse cuidado é relevante porque muitas mulheres passam anos convivendo com sintomas sem receber orientação adequada. Em parte dos casos, a queixa é tratada como consequência inevitável da idade. Em outros, é confundida com problema isolado de humor, sono ou relacionamento.

O atendimento correto precisa juntar clínica, saúde mental, ginecologia, hábitos de vida, prevenção e escuta qualificada. O corpo muda, mas a mulher não pode virar nota de rodapé do próprio atendimento.

Centro pode corrigir invisibilidade histórica

A criação de um centro de referência para o climatério reconhece uma lacuna antiga na saúde pública. Mulheres vivem mais, trabalham mais tempo, sustentam famílias, cuidam de outras pessoas e, ainda assim, frequentemente chegam à meia-idade sem atendimento específico para essa fase.

O serviço anunciado tem potencial para organizar protocolos, ampliar acesso a tratamento e reduzir a desinformação. Mas a efetividade dependerá de estrutura, equipe, insumos, regulação, agenda disponível e articulação com a rede básica.

O climatério não deve ser tratado como doença, mas também não pode ser ignorado como se fosse apenas “parte da vida”. Parte da vida também exige cuidado. E, quando o Estado reconhece isso, começa a trocar silêncio por política pública.

O próximo passo será informar quando o centro começará a funcionar, quais especialidades estarão disponíveis, como será o acesso das pacientes e de que forma as UBSs farão os encaminhamentos. Sem essas respostas, o anúncio abre caminho. Com elas, pode virar atendimento real.

Relacionadas, fontes e documentos:

Centro do Idoso de Sobradinho reabre após reforma (Fonte em Foco)
Guia integra saúde e assistência para população de rua (Fonte em Foco)
HBDF trata transtornos alimentares com equipe integrada (Fonte em Foco)
DNA-HPV melhora prevenção do câncer de colo no DF (Fonte em Foco)
– DF terá centro de referência para atendimento a mulheres no climatério (Agência Brasília)
– Centro Especializado em Saúde da Mulher — CESMU (Secretaria de Saúde do DF)
– Manual de atenção às mulheres na transição menopausal e menopausa (Ministério da Saúde)

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