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Projeto oferece vivências gratuitas de capoeira no DF

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Mulheres de diferentes gerações terão espaço de formação, liderança e troca cultural no Riacho Fundo

Mulheres, famílias e moradores do Distrito Federal poderão participar de vivências gratuitas de capoeira neste sábado (18), domingo (19) e no próximo sábado (25), sempre a partir das 14h, na Colônia Agrícola Riacho Fundo.

As atividades integram o projeto Mulheres Fortes, iniciativa que utiliza a cultura popular para estimular liderança feminina, autonomia, convivência comunitária e transmissão de conhecimentos entre gerações.

Embora tenha as mulheres como público central, a programação é aberta a toda a comunidade. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo formulário eletrônico divulgado pela organização.

Mulheres Fortes recebe mestras do Rio e da Bahia

As vivências deste fim de semana serão conduzidas por Mestra Arara, do Rio de Janeiro. Ela estará à frente das atividades de sábado e domingo.

No dia 25, a programação receberá Mestra Lilu, da Bahia. As duas convidadas são reconhecidas pela atuação na capoeira e pela participação de mulheres em espaços historicamente marcados pela predominância masculina.

Os encontros serão realizados na Associação Cultural Arena Capoeira, localizada na Colônia Agrícola Riacho Fundo.

A programação propõe atividades práticas, conversas e trocas de experiências. Não é necessário ter experiência anterior com capoeira para participar.

As informações e o acesso às inscrições estão disponíveis no perfil do projeto Mulheres Fortes no Instagram.

Capoeira reúne movimento, música e memória coletiva

A capoeira combina luta, dança, música, canto, instrumentos, rituais e formas próprias de organização comunitária.

A roda funciona como espaço de aprendizagem e convivência. Enquanto duas pessoas jogam no centro, as demais acompanham com palmas, cantos e instrumentos, sob a orientação de mestres e mestras.

A prática também preserva conhecimentos construídos por populações negras ao longo da história brasileira. Sua permanência envolve transmissão oral, formação de novos praticantes e reconhecimento das pessoas responsáveis por guardar e renovar esses saberes.

A Roda de Capoeira foi reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional como Patrimônio Cultural do Brasil em 2008. Em 2014, foi inscrita pela Unesco na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Mais informações sobre a salvaguarda da manifestação estão disponíveis no Portal da Capoeira do Iphan.

Encontros virtuais ampliam acesso à programação

Além das vivências presenciais, o projeto realiza transmissões ao vivo, sempre às 20h, para discutir manifestações tradicionais da cultura afro-brasileira.

Nesta quinta-feira (16), o tema será o coco de zambê. A programação continua com um encontro sobre maculelê na segunda-feira (20) e uma conversa sobre samba de roda na quarta-feira (22).

As transmissões permitem a participação de pessoas que não conseguem comparecer presencialmente ao Riacho Fundo e aproximam praticantes, pesquisadores e representantes de diferentes tradições culturais.

Os conteúdos não tratam essas manifestações como práticas isoladas. Coco de zambê, maculelê, samba de roda e capoeira compartilham experiências de resistência, religiosidade, musicalidade, celebração e organização coletiva das populações afro-brasileiras.

Mulheres ainda enfrentam barreiras nas rodas

A participação feminina na capoeira cresceu, mas mulheres ainda enfrentam obstáculos para alcançar posições de liderança, comandar grupos e obter reconhecimento como mestras.

Essas barreiras podem envolver desvalorização da experiência, distribuição desigual de funções, assédio, jornadas de cuidado e menor acesso aos espaços de decisão.

Projetos voltados à liderança feminina procuram enfrentar essa desigualdade sem separar as mulheres da comunidade. A proposta é ampliar sua presença, reconhecer trajetórias e garantir condições para que possam ensinar, organizar e conduzir atividades.

A presença de mestras convidadas também oferece referências para meninas e jovens que começam a praticar capoeira e raramente encontram mulheres em posições de comando.

Batizado marcará conclusão do ciclo

A programação será encerrada com um batizado de capoeira, cerimônia tradicional que marca a entrada ou a evolução dos participantes dentro de um grupo.

O evento costuma reunir jogos, música, entrega de cordas e reconhecimento do percurso desenvolvido pelos alunos.

O nome não corresponde necessariamente a um rito religioso. Na capoeira, o batizado representa acolhimento, pertencimento e passagem para uma nova etapa de aprendizagem.

A atividade também permite reunir participantes, familiares, mestres, mestras e integrantes da comunidade em torno da conclusão do ciclo promovido pelo projeto.

Liderança feminina depende de espaço para ensinar

A participação de mulheres em atividades culturais não garante, sozinha, igualdade nos espaços de decisão.

A transformação ocorre quando elas também podem conduzir rodas, transmitir conhecimentos, organizar grupos e ser reconhecidas como autoridades culturais.

Ao reunir mestras de diferentes estados, encontros presenciais e debates virtuais, o Mulheres Fortes amplia a circulação de saberes e cria referências para novas gerações.

A cultura popular permanece viva quando consegue preservar sua memória sem impedir mudanças. Nesse movimento, abrir espaço para que mais mulheres ensinem não reduz a tradição. Amplia quem pode carregá-la adiante.

Relacionadas, fontes e documentos:

Acolhimento percorre 12 pontos no SIA e em Ceilândia (Fonte em Foco)
Restaurante Comunitário da Estrutural reabre com refeições a R$ 2 (Fonte em Foco)
Carreta da Inclusão leva serviços gratuitos a Ceilândia (Fonte em Foco)
Tutores do DF poderão agendar castração gratuita (Fonte em Foco)
– Programação do projeto Mulheres Fortes (Instagram)
Abertas inscrições para oficinas gratuitas de capoeira no Riacho Fundo (Agência Brasília)

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