Queda do transporte aéreo e da logística interrompe recuperação, mas setor permanece próximo do maior nível da série
O volume de serviços prestados no Brasil recuou 0,4% em maio, na comparação com abril, pressionado principalmente pelo desempenho dos transportes. O resultado interrompeu a recuperação de 1,1% registrada no mês anterior e ficou abaixo da estabilidade esperada pelo mercado financeiro.
Apesar da queda mensal, o setor permanece 19,6% acima do nível observado em fevereiro de 2020, antes da pandemia de covid-19. Também está apenas 0,5% abaixo do maior patamar da série histórica, alcançado em outubro de 2025.
Na comparação com maio do ano passado, houve crescimento de 0,4%, o 26º resultado positivo consecutivo. Entre janeiro e maio, a expansão acumulada chegou a 1,9%. Em 12 meses, porém, o ritmo de crescimento diminuiu de 2,9% em abril para 2,6% em maio.
Setor de serviços perde força após avanço em abril
O desempenho mensal mostra uma atividade econômica próxima do recorde histórico, mas com oscilações relevantes entre os segmentos.
A sequência recente apresenta resultados alternados:
- janeiro, estabilidade;
- fevereiro, alta de 0,1%;
- março, queda de 0,9%;
- abril, crescimento de 1,1%;
- maio, recuo de 0,4%.
Os números são da Pesquisa Mensal de Serviços, que acompanha a receita e o volume de 166 atividades não financeiras.
O indicador considera serviços prestados às famílias e às empresas, além de transportes, tecnologia da informação, telecomunicações, atividades administrativas e outros segmentos.
A pesquisa não abrange integralmente áreas como saúde, educação, administração pública, serviços financeiros tradicionais e comércio, que possuem levantamentos próprios ou características metodológicas distintas.
Transportes exercem principal impacto negativo
O grupo formado por transportes, serviços auxiliares e correio recuou 1% em maio e exerceu a maior influência negativa sobre o resultado nacional.
O segmento tem peso de aproximadamente um terço na pesquisa. Por isso, mesmo uma queda aparentemente moderada produz efeito expressivo sobre o índice geral.
A retração foi associada principalmente à menor receita de empresas que atuam em:
- transporte aéreo de passageiros;
- transporte rodoviário de cargas;
- logística de cargas;
- armazenagem e serviços auxiliares;
- navegação interior de cargas.
O transporte aéreo caiu 5,1% em relação a abril. Na comparação com maio de 2025, o recuo chegou a 20,7%.
O transporte terrestre teve variação negativa de 0,1% no mês. Já armazenagem, serviços auxiliares e correio recuaram 1,1%.
Passageiros e cargas registram redução
O volume de transporte de passageiros caiu 1,3% em maio, devolvendo parte do avanço de 2,6% registrado em abril.
Mesmo com o recuo, o segmento permanece 3% acima do nível de fevereiro de 2020. Em relação ao maior patamar da série, alcançado em fevereiro de 2014, está 21% abaixo.
O transporte de cargas apresentou queda de 0,2%, a terceira consecutiva. Nesse período, acumulou perda de 1,8%.
A atividade ainda opera 35,7% acima do nível anterior à pandemia, mas está 6,1% abaixo do recorde registrado em julho de 2023.
Na comparação anual, o transporte de passageiros recuou 8,3%, enquanto o de cargas caiu 2,8%.
A redução simultânea dos dois indicadores sugere menor dinamismo tanto na circulação de pessoas quanto em parte das operações logísticas ligadas à indústria, ao comércio e ao agronegócio.
Serviços profissionais avançam 1,9%
Entre as cinco grandes atividades pesquisadas, duas cresceram na passagem de abril para maio.
Os serviços profissionais, administrativos e complementares avançaram 1,9%, acumulando ganho de 2,5% em dois meses consecutivos de expansão.
O grupo inclui atividades jurídicas, publicidade, consultorias, aluguel de veículos, limpeza, seleção de mão de obra e serviços administrativos prestados a empresas.
Os serviços prestados às famílias cresceram 0,2%. Esse segmento engloba restaurantes, hotéis, salões de beleza, atividades recreativas e outros serviços ligados diretamente ao consumo das famílias.
Informação e comunicação ficaram estáveis no mês. Dentro do grupo, telecomunicações recuaram 0,8%, e os serviços de tecnologia da informação caíram 0,3%.
Os serviços audiovisuais avançaram 3,4%, compensando parte das perdas observadas nos demais componentes.
Serviços às famílias alcançam maior nível desde 2014
O segmento de serviços prestados às famílias atingiu o maior patamar desde dezembro de 2014.
O resultado é associado a condições favoráveis no mercado de trabalho, como taxa de desemprego reduzida e crescimento da massa de rendimentos.
Quando mais pessoas estão ocupadas e a renda disponível aumenta, cresce a procura por restaurantes, hotéis, serviços pessoais, entretenimento e alimentação preparada.
A recuperação, entretanto, não ocorre de maneira uniforme. Famílias de renda mais baixa continuam mais expostas ao custo dos alimentos, da habitação e do crédito.
O desempenho positivo do grupo também não elimina diferenças entre atividades. Enquanto alojamento e alimentação cresceram, outros serviços prestados às famílias recuaram 2,2% em maio.
Tecnologia sustenta crescimento na comparação anual
Embora tenha ficado estável em relação a abril, o setor de informação e comunicação cresceu 5,2% diante de maio de 2025 e exerceu a principal contribuição positiva nessa comparação.
O avanço foi impulsionado por atividades como:
- tratamento e hospedagem de dados;
- provedores de aplicações;
- portais e serviços de conteúdo na internet;
- desenvolvimento de programas de computador;
- consultoria em tecnologia da informação;
- televisão aberta.
Entre janeiro e maio, informação e comunicação cresceram 6,2%. Os serviços específicos de tecnologia da informação avançaram 9,2%.
O desempenho mostra que a demanda por processamento de dados, softwares, plataformas digitais e infraestrutura tecnológica continua ampliando a participação do segmento na atividade econômica.
Turismo recua após forte crescimento em abril
O índice de atividades turísticas caiu 0,4% em maio, depois de avançar 4,1% em abril.
Mesmo com a retração, o turismo permanece 10,8% acima do nível registrado antes da pandemia. O setor está 2,5% abaixo do recorde alcançado em dezembro de 2024.
A queda mensal foi acompanhada por 13 dos 17 locais pesquisados. São Paulo exerceu a maior influência negativa, seguido por Santa Catarina, Pernambuco e Paraná.
Minas Gerais apresentou o principal avanço, com crescimento de 1,4%. O Distrito Federal registrou alta de 0,4% nas atividades turísticas em relação a abril.
Na comparação com maio de 2025, o turismo brasileiro caiu 1,6%, pressionado especialmente pelo transporte aéreo de passageiros.
De janeiro a maio, o segmento acumulou retração de 0,1%, com influência negativa dos serviços de transporte aéreo e dos hotéis.
O índice turístico reúne 22 atividades, entre elas hospedagem, agências de viagens, transporte de passageiros, restaurantes, bufês e locação de veículos.
Distrito Federal recua no mês e avança no ano
O volume de serviços no Distrito Federal caiu 1,6% em maio, na comparação com abril.
O resultado colocou o DF entre as unidades da Federação com maior influência negativa sobre o índice nacional, atrás do Paraná e do Rio Grande do Sul.
Na comparação com maio de 2025, porém, o Distrito Federal registrou crescimento de 8,3%, uma das maiores contribuições positivas do país.
Entre janeiro e maio, a expansão chegou a 10,5%, ficando atrás apenas de alguns estados com menor peso na composição nacional.
A diferença entre o resultado mensal e o acumulado mostra que uma queda isolada não necessariamente altera a trajetória mais longa. O setor pode recuar após meses de crescimento e ainda manter desempenho superior ao do ano anterior.
Os indicadores regionais completos estão disponíveis na divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços de maio.
Queda mensal não representa retração generalizada
Dos cinco grandes grupos analisados, dois recuaram, dois avançaram e um permaneceu estável.
O resultado negativo ficou concentrado em segmentos com elevado peso econômico, especialmente os transportes. Ao mesmo tempo, serviços profissionais e atividades prestadas às famílias continuaram crescendo.
Na comparação anual, 47,6% das 166 atividades investigadas apresentaram expansão. O setor também manteve crescimento acumulado no ano e nos últimos 12 meses.
Esses dados impedem classificar o resultado de maio como uma retração disseminada. O cenário é de perda de ritmo, com desempenhos diferentes entre atividades e regiões.
Transportes definem velocidade da recuperação
O setor de serviços permanece próximo do maior nível da série histórica, mas sua trajetória depende fortemente dos transportes.
Quando aviação, logística e transporte de cargas perdem receita simultaneamente, o impacto se espalha para empresas, turismo, comércio e cadeias produtivas.
A tecnologia e os serviços profissionais continuam sustentando parte do crescimento, enquanto o consumo das famílias responde ao mercado de trabalho e à renda.
O dado de maio não aponta uma paralisação da atividade, mas acende um sinal sobre a redução do ritmo. A economia de serviços continua em nível elevado, embora esteja avançando com menos força e mais dependente de poucos segmentos.
O próximo resultado mostrará se a queda dos transportes foi uma oscilação mensal ou o início de uma desaceleração mais persistente.
Relacionadas, fontes e documentos:
– Receita paga restituição automática a 3,5 milhões (Fonte em Foco)
– Mistura de etanol na gasolina sobe para 32% por 180 dias (Fonte em Foco)
– Segundo lote do IR alcança 9,5 milhões de contribuintes (Fonte em Foco)
– Mercado reduz projeção de inflação para 5,16% em 2026 (Fonte em Foco)
– Bolsa sobe quase 3% após IPCA abaixo do esperado (Fonte em Foco)
– Imposto sobre petróleo seguirá em 12% por 60 dias (Fonte em Foco)
– Volume de serviços recua 0,4% em maio (IBGE)
– Pesquisa Mensal de Serviços (IBGE)
– Setor de serviços cai 0,4% em maio por recuo na área de transportes (Agência Brasil)

