back to top
24 C
Brasilia
terça-feira, 28 abril 2026, 14:24:18
Publicidade
Publicidade
InícioVida & DesenvolvimentoEducaçãoLivros no lixo em Osasco expõem abandono público

Livros no lixo em Osasco expõem abandono público

Publicado em:

Repórter: Janaina Lemos

Notícias relacionadas

Inep libera certificado digital do ensino médio via Enem 2025

Inep libera certificado digital do ensino médio via Enem 2025. Pedido online com Gov.br e emissão inicial pelo IFSP. © Antônio Cruz/Agência Brasil

Prouni divulga resultado: 594 mil bolsas em 2026

Prouni divulga resultado da primeira chamada com 594 mil bolsas para 2026. Veja como consultar aprovados e datas das próximas chamadas.

Fundo Baobá abre bolsas para negros em STEM no exterior

Fundo Baobá abre o Black STEM com bolsas de R$ 42 mil para estudantes negros brasileiros em cursos de STEM no exterior. © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Escolas têm até 30 de março para o Censo Escolar 2025

Censo Escolar 2025 entra na etapa Situação do Aluno. Escolas devem declarar rendimento e movimentação no Educacenso até 30 de março. © Alexandre Campbell/IMPA

Finep lança edital de R$ 500 milhões para pesquisa

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançou a...
Publicidade

Biblioteca fechada desde 2020 tem livros descartados e moradores cobram explicações

Centenas de livros da Biblioteca Pública Monteiro Lobato, em Osasco, foram descartados pela prefeitura na última sexta-feira, 24 de abril, e provocaram reação de moradores, artistas e ex-integrantes do Legislativo municipal. A administração afirma que o material estava mofado e contaminado por fungos, mas não informou quais obras foram jogadas fora nem a quantidade exata de exemplares descartados.

A biblioteca está fechada para reformas desde 2020. Segundo a prefeitura, o descarte teria sido necessário para evitar a contaminação de outras obras do acervo. A gestão municipal também informou que os títulos descartados serão repostos quando novos exemplares forem adquiridos, mas não apresentou data para a reabertura do espaço.

Descarte de livros gera críticas nas redes sociais

Imagens, textos e vídeos do descarte circularam nas redes sociais ao longo do fim de semana e ampliaram a cobrança por explicações. A repercussão ganhou força porque a biblioteca é um equipamento público tradicional de acesso à leitura, especialmente para estudantes e moradores sem biblioteca particular em casa.

O quadrinista Cadu Simões, morador de Osasco, criticou a decisão e relatou ter doado parte de sua coleção de quadrinhos à biblioteca. Ele afirmou que o material “muito provavelmente” foi jogado fora, embora a prefeitura não tenha detalhado a lista de obras descartadas.

A ex-vereadora Juliana Gomes Curvelo também lamentou a situação e afirmou que a biblioteca, ao longo dos anos, foi espaço de acesso, vivência e oportunidade para estudantes da rede pública. A crítica central é que o descarte não pode ser visto apenas como limpeza de acervo, mas como sintoma de uma política cultural interrompida por anos.

Prefeitura diz que livros estavam contaminados por fungos

A prefeitura sustenta que o descarte ocorreu porque os livros estavam mofados e contaminados por fungos. A justificativa sanitária exige atenção, já que acervos contaminados podem representar risco para outras obras e para usuários, dependendo do grau de deterioração.

No entanto, a falta de informações públicas sobre o procedimento abre uma lacuna relevante. A administração não informou quantos livros foram descartados, quais títulos estavam entre eles, se houve laudo técnico, se existiu tentativa de recuperação ou se parte do material poderia ter sido higienizada, restaurada ou separada para avaliação posterior.

Essa ausência de transparência pesa. Livro público não é entulho comum. Antes de ir para uma caçamba, precisa passar por inventário, justificativa técnica e registro. Sem isso, o descarte deixa de parecer gestão de acervo e passa a parecer apagamento por falta de cuidado.

Biblioteca de Osasco segue sem data de reabertura

A Biblioteca Pública Monteiro Lobato permanece fechada desde 2020, quando entrou em reforma. A prefeitura afirma que o espaço passa por reestruturação para atender melhor a população, mas não informou prazo para a conclusão dos trabalhos.

O tempo de fechamento é um ponto central da controvérsia. Se a deterioração ocorreu durante anos de obra, guarda inadequada ou falta de manutenção, a discussão deixa de ser apenas sobre o descarte e passa a envolver responsabilidade administrativa sobre a preservação do patrimônio bibliográfico.

Bibliotecas públicas não guardam apenas livros. Guardam acesso. Para muitos estudantes, são a diferença entre pesquisar ou desistir, ler ou depender do acaso, estudar com apoio ou ficar sozinho diante da falta de recurso.

Promessa de reposição não substitui memória perdida

A prefeitura informou que os títulos descartados serão repostos após a aquisição de novos exemplares. A medida pode recompor parte do acervo, mas não resolve automaticamente o problema.

Livros doados pela comunidade, coleções específicas, quadrinhos, edições antigas e obras fora de catálogo nem sempre podem ser substituídos por novas compras. Além disso, uma biblioteca pública é construída também pela relação afetiva e histórica da cidade com seu acervo.

Repor volume não significa repor memória. A conta da cultura não fecha apenas em número de exemplares.

Caso exige transparência e preservação do acervo

O descarte de livros da Biblioteca Monteiro Lobato expõe uma falha maior: a fragilidade da gestão de equipamentos culturais quando reformas se prolongam sem comunicação clara, cronograma público e plano de preservação do acervo.

A prefeitura precisa explicar o que foi descartado, com base em qual avaliação técnica, quais obras serão repostas e quando a biblioteca será devolvida à população. Sem essas respostas, a justificativa sanitária fica incompleta.

O cuidado com livros contaminados pode exigir descarte, sim. Mas o cuidado com o patrimônio público exige método, registro e prestação de contas. Quando uma biblioteca vira imagem de livro no lixo, a cidade não perde apenas papel. Perde confiança.

Fontes e documentos:

Prefeitura de Osasco joga no lixo livros de biblioteca municipal (Agência Brasil)
– Prefeitura de Osasco joga no lixo livros de biblioteca municipal (Band)
– Prefeitura de Osasco descarta centenas de livros de biblioteca pública e gera indignação (g1)

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.