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Estados dão força ao PL no primeiro turno

Publicado em

Reportagem:
Marta Borges

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Vinte governadores foram eleitos sem segundo turno

As Eleições 2026 definiram no primeiro turno os governadores de 20 estados, o maior número desde o início da série histórica iniciada em 1990. A marca superou o recorde anterior, de 18 estados com disputa encerrada na primeira votação, registrado em 2010.

O resultado redesenha o mapa de poder nos estados e mostra vantagem do PL. O partido elegeu cinco governadores no primeiro turno; o PSD ficou em segundo lugar, com quatro; PT e Republicanos conquistaram três governos cada; PP venceu em dois; MDB, Podemos e PSDB elegeram um governador cada.

A leitura política é direta: a direita saiu fortalecida na disputa estadual. O PL liderou em número de governadores eleitos, o Republicanos venceu em estados de grande peso eleitoral, e partidos de centro, como PSD e MDB, preservaram presença territorial relevante.

PL venceu em cinco estados

O PL elegeu Sergio Moro no Paraná, Jorginho Mello em Santa Catarina, Luciano Zucco no Rio Grande do Sul, Marcos Rogério em Rondônia e Arthur Henrique em Roraima. O partido também segue com possibilidade de ampliar presença dependendo dos resultados do segundo turno em estados ainda em disputa.

As vitórias do PL têm valor além da administração estadual. Governadores comandam orçamento, polícia, políticas públicas e articulação local, mas também constroem palanques, redes de prefeitos, influência legislativa e força para disputas nacionais.

O avanço do partido nos estados cria base territorial para o segundo turno presidencial. Em uma eleição nacional apertada, governadores eleitos podem atuar como cabos eleitorais relevantes, especialmente em estados onde controlam máquinas políticas, alianças regionais e capital simbólico.

PSD vem logo atrás

O PSD conquistou quatro governos no primeiro turno. Foram eleitos Dr. Furlan, no Amapá; Eduardo Braide, no Maranhão; Raquel Lyra, em Pernambuco; e Fábio Mitidieri, em Sergipe.

O desempenho mostra a força do partido como legenda de presença regional e perfil pragmático. Diferentemente de partidos mais associados à polarização nacional, o PSD costuma operar com candidaturas competitivas localmente e alianças ajustadas à realidade de cada estado.

Essa característica torna o PSD um ator importante no pós-eleição. Governadores do partido podem negociar com o governo federal, com o Congresso e com bancadas estaduais sem ficarem presos a uma única chave ideológica nacional.

PT mantém força no Nordeste

O PT venceu na Bahia, no Ceará e no Piauí. Jerônimo Rodrigues foi reeleito na Bahia, Elmano de Freitas no Ceará e Rafael Fonteles no Piauí.

As três vitórias reforçam a permanência do partido em sua principal base regional. O Nordeste segue sendo território estratégico para o petismo, tanto na eleição presidencial quanto na sustentação de governos estaduais alinhados ao campo de Lula.

Ao mesmo tempo, o resultado mostra limite territorial. O PT preservou governos importantes, mas não liderou o mapa estadual em número de vitórias no primeiro turno, enquanto partidos de direita e centro-direita ampliaram espaço em outras regiões.

Republicanos ganha estados de peso

O Republicanos venceu em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso. Tarcísio de Freitas foi reeleito em São Paulo, Cleitinho Azevedo venceu em Minas Gerais, e Otaviano Pivetta foi reeleito em Mato Grosso.

A vitória em São Paulo e Minas Gerais dá ao partido peso político nacional. Esses dois estados estão entre os maiores colégios eleitorais do país e influenciam fortemente o debate econômico, legislativo e presidencial.

O Republicanos sai do primeiro turno com menos governos que o PL, mas com vitórias muito estratégicas. Ter São Paulo e Minas no mesmo campo partidário significa capacidade de articulação nacional, presença em agendas de infraestrutura e força em negociações federativas.

PP, MDB, Podemos e PSDB também venceram

O PP elegeu Lucas Ribeiro na Paraíba e Eduardo Riedel em Mato Grosso do Sul. O MDB reelegeu Daniel Vilela em Goiás, o Podemos elegeu Dr. Daniel no Pará, e o PSDB conquistou Alagoas com JHC.

Essas vitórias mostram que a eleição estadual não foi apenas uma repetição automática da disputa presidencial. Em muitos estados, biografia local, alianças regionais, máquinas administrativas, desempenho de governo e redes municipais pesaram tanto quanto a polarização nacional.

O eleitor escolheu governadores olhando também para problemas concretos do território. Segurança pública, hospitais estaduais, escolas, estradas, programas sociais, emprego, infraestrutura e relação com prefeitos costumam pesar muito em disputas estaduais.

Nordeste concentrou mais vitórias no primeiro turno

Dos 20 estados que definiram governador no primeiro turno, oito estão no Nordeste. Quatro estão no Norte, três no Centro-Oeste, três no Sul e dois no Sudeste.

A concentração nordestina revela estabilidade em várias disputas estaduais da região. Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Sergipe e Alagoas encerraram a eleição já no domingo, sem necessidade de nova votação para governador.

No Sudeste, apenas São Paulo e Minas Gerais encerraram a disputa no primeiro turno. Espírito Santo e Rio de Janeiro seguem para segundo turno, o que mantém a região politicamente aberta até 25 de outubro.

Sete disputas continuam abertas

Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins terão segundo turno para governador. A nova votação está marcada para 25 de outubro.

Esses sete estados passam a concentrar a atenção política das próximas três semanas. Além da escolha local, eles se tornam palanques relevantes para a disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro e Lula.

O segundo turno estadual também pode alterar o equilíbrio entre partidos. O PL, o Republicanos, o PT, o PSD, o PP e outros partidos ainda podem ampliar ou limitar sua presença no mapa de governos, dependendo dos resultados restantes.

Governador decide a vida concreta do cidadão

Governadores administram áreas que chegam todos os dias à vida da população. Saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, desenvolvimento econômico, sistema prisional, transporte regional e programas sociais passam diretamente pelas decisões do Executivo estadual.

A escolha de um governador não é apenas uma disputa de partido. Ela define quem comandará secretarias, negociará orçamento, indicará prioridades, enfrentará crises e articulará obras com municípios e União.

Por isso, o mapa partidário dos estados tem consequência prática. Um partido com muitos governadores não ganha apenas prestígio eleitoral; ganha capacidade de influenciar políticas públicas, formar lideranças e disputar recursos federais.

O que muda no equilíbrio nacional

O primeiro turno fortaleceu a direita no plano estadual, mas não eliminou o peso do centro. PL e Republicanos aparecem como vencedores importantes, enquanto PSD, MDB, PP, Podemos e PSDB mostram que alianças regionais seguem decisivas.

O PT preservou bases relevantes, principalmente no Nordeste. A legenda não liderou em número de governadores, mas manteve governos estratégicos para sua sustentação política nacional.

O resultado também pressiona o segundo turno presidencial. Estados já definidos podem virar plataformas de mobilização, enquanto estados ainda em disputa tendem a receber presença intensa dos presidenciáveis, de partidos e de lideranças nacionais.

Eleição estadual não cabe em um único rótulo

A vitória de 20 governadores no primeiro turno mostra força de candidaturas consolidadas. Em muitos casos, nomes conhecidos, governadores em exercício, ex-prefeitos, senadores e lideranças regionais chegaram à votação com vantagem suficiente para evitar nova rodada.

Mas o mapa também revela fragmentação. Nenhum partido ficou perto de dominar sozinho os estados; o maior vencedor, o PL, conquistou cinco dos 20 governos definidos, enquanto o restante se distribuiu entre várias legendas.

Essa combinação deve moldar a governabilidade depois da eleição. O próximo presidente terá de negociar com um conjunto diverso de governadores, alguns aliados, outros adversários e muitos guiados por interesses estaduais concretos.

O poder também mora nos estados

O eleitor costuma olhar para Brasília quando pensa em política nacional, mas parte decisiva da vida pública passa pelos governos estaduais. É no estado que se organizam polícias, hospitais, escolas, estradas, licenças, obras e grande parte da relação diária entre cidadão e poder público.

O primeiro turno de 2026 mostrou que o país saiu das urnas com direita estadual fortalecida e centro regional ainda indispensável. O PL liderou o número de governadores eleitos, mas PSD, Republicanos, PT, PP, MDB, Podemos e PSDB também ocupam espaços relevantes.

O recado das urnas é que a disputa nacional será influenciada por palanques locais e por governos já eleitos. Até 25 de outubro, cada estado definido no primeiro turno será também uma peça no tabuleiro maior: o da governabilidade, das alianças e da relação entre União, estados e cidadãos.

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