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Mostra de Cinema de SP celebra 50ª edição em 2026

Publicado em

Reportagem:
Paulo Andrade

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Mostra de São Paulo chega à 50ª edição com cinema de mais de 90 países

A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo chega à 50ª edição transformando novamente a capital paulista em uma grande vitrine do cinema mundial. Até 29 de outubro, o festival reúne 391 títulos de mais de 90 países, espalhados por dezenas de salas, centros culturais e outros espaços da cidade, além de debates, encontros com realizadores, exposições, lançamentos de livros e programação voltada ao público infantojuvenil.

A edição comemorativa também olha para a própria história. Criada em 1977, a Mostra acumulou mais de 11 mil filmes exibidos e se consolidou como espaço de descoberta de cinematografias, formação de público e encontro entre espectadores e realizadores.

Uma edição que olha para o presente e para a própria história

Chegar à 50ª edição significa celebrar tanto os filmes de 2026 quanto a memória construída pelo festival ao longo de cinco décadas. A programação deste ano combina produções contemporâneas, retrospectivas, homenagens e atividades que recuperam momentos importantes da trajetória da Mostra.

O festival ocupa 57 salas de cinema, equipamentos culturais e CEUs da capital. A programação atravessa diferentes regiões da cidade e combina sessões comerciais, exibições gratuitas e ingressos a preços populares.

Entre as celebrações está a exposição Tempo e Movimento: Os 50 Anos da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, instalada no Solar Fábio Prado. A mostra recupera imagens e registros de uma história que começou com Leon Cakoff e ajudou a ampliar, no Brasil, o contato do público com cinematografias de diferentes partes do mundo.

Outro legado ganha uma dimensão digital nesta edição: o acervo próprio do festival. A plataforma reúne filmes, diretores, cartazes, fotografias, vinhetas e textos editoriais produzidos durante as diferentes edições.

Mais do que guardar lembranças, esse acervo transforma cinco décadas de programação em material acessível para pesquisa e consulta. É uma maneira de acompanhar como temas, países, realizadores e movimentos cinematográficos atravessaram a história recente do festival.

James Gray e Kleber Mendonça Filho abrem a edição comemorativa

Dois filmes marcaram a abertura da 50ª edição: Tigre de Papel, de James Gray, e o curta Sul de Teerã, de Kleber Mendonça Filho.

Tigre de Papel acompanha dois irmãos cujas vidas tomam rumos diferentes até que uma oportunidade de negócio os aproxima do universo da máfia russa. O longa integra uma retrospectiva dedicada a James Gray, que também recebe o Prêmio Leon Cakoff nesta edição.

Já Sul de Teerã acompanha Jafar Panahi em Nova York, enquanto o cineasta iraniano reflete sobre cinema, memória e a perseguição sofrida em seu país. O curta faz sua estreia brasileira durante a Mostra e coloca lado a lado dois realizadores ligados a momentos recentes de projeção internacional do cinema.

A programação comemorativa também homenageia o produtor português Paulo Branco e o cineasta indiano S.S. Rajamouli com o Prêmio Leon Cakoff. Marco Bechis recebe o Prêmio Humanidade.

Filmes premiados chegam de Cannes, Veneza e outros festivais

Uma das marcas da Mostra continua sendo aproximar o público brasileiro de obras que passaram pelos principais festivais internacionais. A seleção de 2026 reúne vencedores e destaques de eventos como Cannes, Veneza, Berlim e Locarno.

Entre os títulos está Fjord, de Cristian Mungiu, vencedor da Palma de Ouro e do Prêmio da Crítica Internacional em Cannes.

Mulher Desconhecida, dirigido por May el-Toukhy, chega depois de conquistar o Leão de Ouro em Veneza. O filme também rendeu a Mathilde Arcel a Coppa Volpi de melhor atriz.

Outro destaque é Amor Possível, novo trabalho de Lee Chang-dong. O longa sul-coreano acompanha duas famílias de condições sociais distintas cujas relações começam a se transformar depois de um encontro inesperado. A produção recebeu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza.

Esse circuito de filmes premiados permite que o espectador acompanhe, dentro de poucas semanas, obras que acabam de ocupar espaços de destaque no calendário internacional.

Cinema brasileiro ocupa espaço amplo na programação

A produção nacional aparece com mais de 100 obras distribuídas pelas diferentes seções do festival. Há títulos brasileiros, coproduções internacionais, estreias e filmes que chegam à Mostra depois de passagens premiadas por outros festivais.

Entre eles está Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton. O longa acompanha um menino criado pela avó em uma cidade marcada pela seca e pela reaparição de ruínas antes encobertas por uma barragem.

O filme conquistou o Urso de Cristal e o Grande Prêmio do Júri Internacional na seção Generation Kplus do Festival de Berlim. Também foi escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar de 2027.

A participação brasileira não se limita às sessões. Debates e encontros profissionais discutem circulação internacional, distribuição, financiamento, criação e estratégias para levar produções nacionais a novos mercados.

Mostrinha leva cinema a crianças e adolescentes

A formação de público também começa antes da vida adulta. Em sua terceira edição, a Mostrinha reúne 21 filmes e oferece uma programação voltada especificamente para crianças, adolescentes e famílias.

Entre os títulos está Clarice Vê Estrelas, escrito e dirigido por Letícia Pires e inspirado no livro da própria cineasta.

As sessões estão distribuídas por equipamentos culturais, salas comerciais e espaços do Circuito Spcine. Parte importante da programação infantojuvenil é gratuita, ampliando o acesso de famílias que normalmente ficam distantes dos grandes festivais.

A iniciativa também ajuda a desfazer a ideia de que uma mostra internacional precisa ser um ambiente reservado apenas a cinéfilos experientes. Há espaço para diferentes idades e formas de descobrir o cinema.

Há sessões gratuitas e ingressos a preços populares

A dimensão do festival não significa que todas as sessões tenham preços elevados. Além do circuito comercial, a edição conta com exibições gratuitas e alternativas de baixo custo em equipamentos públicos.

No Centro Cultural São Paulo e no Centro Cultural Olido, algumas sessões do Circuito Spcine custam R$ 4 a inteira e R$ 2 a meia-entrada.

Nas sessões regulares pagas, os ingressos custam R$ 26 durante parte da semana e R$ 32 às sextas, sábados e domingos, com os respectivos valores de meia-entrada.

A recomendação para quem deseja acompanhar um filme específico é consultar a programação antes de sair. Os títulos podem ter diferentes sessões, salas e datas, e parte dos ingressos é colocada à venda antecipadamente.

Cinquenta edições e uma história construída diante da tela

Por que a permanência da Mostra importa

Um festival que atravessa cinco décadas não sobrevive apenas pela quantidade de filmes que exibe. Sua importância também está na capacidade de formar repertório, criar encontros e permitir que obras distantes do circuito comercial encontrem espectadores.

A Mostra nasceu em um período em que o acesso a produções internacionais era muito mais limitado. Ao longo de sua trajetória, acompanhou mudanças políticas, transformações tecnológicas, novos formatos de distribuição e diferentes gerações de cineastas e espectadores.

Hoje, o desafio é outro: vivemos cercados por uma oferta quase infinita de conteúdo, mas essa abundância não significa necessariamente diversidade. A curadoria de um festival continua relevante justamente porque seleciona, contextualiza e coloca filmes em diálogo.

Ao chegar à 50ª edição, a Mostra não celebra apenas a própria longevidade. Celebra uma relação construída entre cinema e público — uma história em que descobrir um filme também pode significar descobrir outra cultura, outra forma de contar e, às vezes, outra maneira de olhar para o mundo.

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